Na leitura do professor, os renascentistas adotaram a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, mas cortaram parte do seu sentido: na Grécia, esse homem ainda era pensado em relação aos deuses; no Renascimento, a medida passa a ser só o homem.
Renascimento
Muito além das artes: como o Renascimento mudou a política, a economia, a religião e a ciência da Europa.
Professor Guilherme AlmeidaDo que trata o curso
Os materiais didáticos costumam tratar o Renascimento de forma nebulosa, quase só como um capítulo da história da arte. Este curso, continuação direta do curso Baixa Idade Média, propõe um panorama mais amplo: um movimento que, entre os séculos XIV e XVI, com um pé na Idade Média e outro na Modernidade, transformou ao mesmo tempo a política, a economia, a religião, a ciência e as artes. O fio condutor é a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, que o curso vê reaparecer, de formas diferentes, em cada uma dessas frentes.
O percurso começa no “terrível século XIV”, com o renascimento do comércio e das cidades puxado pelas repúblicas italianas e com a literatura de Dante, Petrarca e Boccaccio, que passa a narrar o homem e suas condutas. Com o individualismo, as obras passam a ser assinadas, e o contato com o Oriente, de Marco Polo à pólvora e à bússola, abre a Europa ao novo.
Em seguida, o homem-medida ganha forma política no rei absoluto, pensado por Maquiavel, Bodin e Hobbes, e forma econômica no mercantilismo, que impulsiona as grandes navegações e a colonização do Brasil e fortalece uma burguesia freada pela condenação católica da usura. A Reforma de Lutero, alimentada pela “insensatez” dos papas renascentistas, abre caminho para essa burguesia, numa leitura apoiada em Max Weber, e a Igreja responde com o Concílio de Trento e com os jesuítas na América.
O curso termina com Galileu e o heliocentrismo, a passagem do teocentrismo ao antropocentrismo e os mestres da arte, de Brunelleschi a Michelangelo e Rafael, a serviço da burguesia e da Igreja. A dica final de leitura é o pequeno livro de Paul Johnson sobre o Renascimento, que o resume como obra de indivíduos e, até certo ponto, do individualismo.
Para quem é
- Quem fez o curso Baixa Idade Média e quer seguir até o início da Modernidade
- Quem conhece o Renascimento só pelas artes e quer ver o quadro inteiro
- Pais e professores que ensinam história e procuram uma visão integrada do período
- Quem quer entender as raízes do absolutismo, do mercantilismo e da Reforma
- Brasileiros curiosos sobre como as grandes navegações e a Contrarreforma chegaram à nossa história
O que você vai aprender
- Por que o Renascimento, entre os séculos XIV e XVI, tem um pé na Idade Média e outro na Modernidade, e por que o curso o analisa em cinco frentes: política, economia, religião, ciência e arte
- Como a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, serve de fio condutor para o período
- Por que o individualismo, com as obras assinadas, rompe com a coletividade medieval
- Como o renascimento do comércio e das cidades, as repúblicas italianas e o contato com o Oriente abriram a Europa ao novo
- Como o absolutismo concentrou o poder no rei e o que Maquiavel, Bodin e Hobbes pensaram sobre ele, à luz da definição de Estado de Max Weber
- Quais eram as regras do mercantilismo e como elas se ligam às grandes navegações e à colonização do Brasil
- Por que, segundo o curso, a Reforma Protestante favoreceu a burguesia, e o que Max Weber disse sobre a ética protestante e o capitalismo
- Como a Igreja respondeu com o Concílio de Trento e a Companhia de Jesus, e por que a América Latina se tornou tão católica
- Como Galileu, Brunelleschi, Michelangelo e Rafael expressam a passagem do teocentrismo ao antropocentrismo
Por que estudar isso hoje
Muito do que parece natural no mundo de hoje começou a tomar forma nesses três séculos: o Estado que concentra o poder e o monopólio da força, a economia voltada para o comércio e o lucro, a divisão religiosa da Europa, a ciência que explica o céu com cálculos e instrumentos, o indivíduo que assina a própria obra. Entender o Renascimento como um movimento que atravessa todas essas esferas, e não só as artes, ajuda a ler com mais clareza a passagem da cristandade medieval para o mundo moderno.
Para o brasileiro, essa história é também nossa. As grandes navegações, a partilha do mundo entre Portugal e Espanha e a ação dos jesuítas nasceram desse contexto, e o curso mostra essas ligações com clareza. Em pouco mais de uma hora, oferece um mapa do período e indicações de leitura, como Paul Johnson e Barbara Tuchman, para quem quiser ir adiante.
As 5 aulas do curso
Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.
-
Aula 1 O homem como medida: renascimento comercial e urbano
Entre os séculos XIV e XVI, o Renascimento toma como norte a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, e com o individualismo abre o primeiro furo no manto da cristandade. O nome evoca também o renascimento do comércio e das cidades, puxado pelas repúblicas italianas.
Explica por que, no Renascimento, as obras passam a ser assinadas: a coletividade anônima do corpo de Cristo cede lugar ao indivíduo.
Renascimentohumanismoindividualismorenascimento comercialrepúblicas italianas13 min -
Aula 2 Literatura renascentista, ateliês e a abertura ao Oriente
Com Dante, Petrarca e Boccaccio, a literatura passa a narrar o homem em sociedade, para além da honra cavaleiresca e da teologia. Ateliês e mestres particulares atraem alunos antes destinados às universidades, e o contato com o Oriente, de Marco Polo à pólvora e à bússola, abre a Europa ao novo.
Traça um paralelo entre o século XIV e o XIX: depois de séculos tão convulsionados como vulcões em erupção, o que vem a seguir não pode ser manso.
literatura renascentistahumanismoateliês e universidadesMarco Polonovidades do Oriente9 min -
Aula 3 Absolutismo: Maquiavel, Hobbes e o rei no centro
Com a Igreja enfraquecida, sobretudo após a Guerra dos Cem Anos, o poder se concentra no rei absoluto, versão política do homem como medida de todas as coisas. Maquiavel, Bodin e Hobbes, entre outros, ajudam a pensar esse poder, que tira dos nobres os exércitos e centraliza a lei e a fé.
Conta que O Príncipe se inspira em César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, o mesmo que dividiu entre Portugal e Espanha as terras a descobrir.
absolutismoEstado modernodireito divinoO PríncipeLeviatã14 min -
Aula 4 Mercantilismo, grandes navegações e a ascensão da burguesia
Com a queda de Constantinopla, a busca de novas rotas ganha força e leva às grandes navegações, e a riqueza passa da terra ao comércio. Os reis absolutistas criam as regras do mercantilismo, como balança favorável e metalismo, mas é a burguesia que as executa, freada pela condenação católica da usura.
Explica por que a Espanha largou na frente de Portugal: suas colônias já tinham ouro e prata, e Portugal precisava converter especiarias, pau-brasil e cana em metais preciosos.
mercantilismograndes navegaçõesmetalismoburguesiausura11 min -
Aula 5 Reforma, Contrarreforma e a arte do Renascimento
A “insensatez” dos papas renascentistas, com a venda de indulgências, alimenta a Reforma de Lutero, que para o curso liberta a burguesia das amarras católicas, na linha de Max Weber. A Igreja responde com Trento e os jesuítas na América, enquanto Galileu e os mestres da arte consagram o antropocentrismo.
Traz a ironia atribuída a Francisco I da França: onde, no testamento de Adão, estaria escrito que seu reino não tinha direito às terras do Novo Mundo?
Reforma ProtestanteContrarreformaética protestanteantropocentrismoarte renascentista23 min
Quanto você já sabe sobre Renascimento?
5 perguntas rápidas, sorteadas entre 30. Você vê a resposta na hora, com uma explicação curta. Dá para jogar quantas rodadas quiser.
Curiosidades sobre o tema
Dante chamou seu poema apenas de Comédia. O adjetivo “divina” veio de Boccaccio, grande admirador do poeta, e só entrou no título numa edição veneziana de 1555.
Aquilo que hoje chamamos de êxodo rural é fenômeno antigo: segundo o curso, já no século XIV, com o renascimento comercial, as pessoas trocavam o campo pelas cidades atrás da economia mercantil que começava a fervilhar.
O curso começa e termina com a mesma frase de Paul Johnson, autor de um pequeno livro que o professor recomenda para começar a estudar o período: o Renascimento foi obra de indivíduos e, até certo ponto, do individualismo.
Na Comédia, quem guia Dante pelo Inferno e pelo Purgatório é Virgílio, um poeta pagão da Roma antiga. Para o curso, é um sinal do que vem aí: a literatura volta à Antiguidade para narrar o homem, seus vícios e suas virtudes.
Os romanos chamavam o Mediterrâneo de Mare Nostrum, “nosso mar”. Esse mar voltaria a fervilhar com o comércio renascentista das repúblicas italianas, mas o Atlântico logo o destronaria.
Pólvora, bússola e papel, citados no curso entre as novidades vindas do Oriente, eram invenções chinesas e chegaram à Europa ainda na Idade Média. Foi no Renascimento, porém, que mudaram o jogo: armaram os exércitos dos reis, guiaram as grandes navegações e alimentaram a imprensa.
O veneziano Marco Polo, símbolo do renascimento comercial para o curso, passou cerca de 17 anos a serviço de Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, cumprindo missões pelo império mongol, segundo o seu próprio relato.
Maquiavel jamais escreveu, com todas as letras, que “os fins justificam os meios”. A frase é uma síntese posterior do espírito de O Príncipe — mas o argumento de fundo está realmente lá.
O modelo concreto de Maquiavel para O Príncipe foi César Bórgia, filho do papa Alexandre VI. Foi esse papa quem, em 1493, com a bula Inter caetera, dividiu entre Espanha e Portugal as terras a descobrir, partilha que os dois reinos renegociaram no Tratado de Tordesilhas, em 1494.
Francisco I, rei da França, teria ironizado a partilha do mundo entre Portugal e Espanha: queria ver a cláusula do testamento de Adão que excluía a França das terras do Novo Mundo.
O Leviatã, monstro do Antigo Testamento, dá nome à obra de Thomas Hobbes, de 1651. Para conter a violência de uma humanidade em que “o homem é o lobo do homem”, só mesmo um poder soberano forte, monstruoso na proporção do problema.
A frase “O Estado sou eu”, que o curso usa para resumir o absolutismo, é atribuída a Luís XIV, o Rei Sol, mas provavelmente ele nunca a disse. Ficou célebre porque traduz bem a ideia de um Estado concentrado na pessoa do rei.
Para o curso, os reis absolutos criaram as regras mercantilistas e entregaram sua execução à burguesia. Sem perceber, estavam criando a cobra que mais tarde morderia o próprio pé — primeiro na Inglaterra, depois na França.
Segundo a tradição, Bartolomeu Dias, o primeiro a contornar o extremo sul da África, em 1488, chamou-o de Cabo das Tormentas; o rei D. João II preferiu Cabo da Boa Esperança, pela esperança de chegar às Índias por mar. Dez anos depois, Vasco da Gama cumpriu essa promessa.
A obsessão mercantilista por ouro e prata tem nome técnico: metalismo, ou bulionismo, de bullion, palavra inglesa para metal precioso em barras. A prata que a Espanha tirou da América, sobretudo de Potosí, está entre as causas da alta de preços que atingiu a Europa no século XVI.
Leonardo da Vinci e Michelangelo dissecaram cadáveres para entender músculos e ossos e dar volume e verdade às figuras. Ao contrário do que se costuma dizer, a Igreja não proibia a dissecação: Michelangelo estudou corpos no hospital do convento de Santo Spirito, em Florença, com permissão do prior.
Girolamo Savonarola promoveu em Florença a Fogueira das Vaidades, em que se queimaram livros, quadros e objetos de luxo. No ano seguinte, em 1498, ele próprio foi executado e queimado na mesma Piazza della Signoria.
Em A ética protestante e o espírito do capitalismo (1904-1905), Max Weber ligou o espírito do capitalismo moderno à ética de grupos protestantes, sobretudo calvinistas, que viam no trabalho metódico uma vocação. O curso usa essa tese para explicar o avanço econômico das potências protestantes.
Concluída em 1436, a cúpula de Brunelleschi para a catedral de Florença, com mais de 40 metros de diâmetro, foi erguida sem o cimbre de madeira que costumava sustentar as abóbadas durante a obra. Até hoje é a maior cúpula de tijolos já construída.
Guilherme Almeida
Guilherme Almeida é professor há mais de 20 anos, graduado em história e especialista em história geral.
Outros cursos de Guilherme Almeida
Alta Idade Média Guilherme Almeida 4 aulas
Baixa Idade Média Guilherme Almeida 3 aulas
Era Napoleônica Guilherme Almeida 3 aulas
Gregos: o Fundamento do Ocidente Guilherme Almeida 6 aulas
Império Bizantino Guilherme Almeida 2 aulas
Início do Século XX: Guerra e Revolução Guilherme Almeida 5 aulas
Mercantilismo Guilherme Almeida 4 aulas
O Grande Século XIX Guilherme Almeida 6 aulas
Os Francos e o Nascimento da Cristandade Guilherme Almeida 5 aulas
Revolução Francesa Guilherme Almeida 16 aulas
Revoluções Burguesas Guilherme Almeida 9 aulas
Roma Guilherme Almeida 7 aulas Cursos relacionados
Temas vizinhos, próximos passos da trilha e cursos da mesma área.
Dante e a Literatura Marcus Boeira 5 aulas
História das Mentalidades Evandro Faustino 14 aulas
Brasil: Mapas e Cartas Jorge Pimentel Cintra 6 aulas
Como Estudar História Raphael Tonon 8 aulas
Filosofia da Educação Fabio Florence 15 aulas
História do Pensamento Ético Larissa Nóbrega 30 aulas
Patrística: Agostinho e Pseudo-Dionísio Gabriel De Vitto 13 aulas Comece agora
Este curso faz parte do combo Um Passeio pela História. Leve o combo ou escolha o Acesso Completo e estude todos os 37 cursos da Tutora.
Um Passeio pela História
Os 12 cursos de panorama do professor Guilherme Almeida, da Grécia antiga ao início do século XX, num pacote só.
R$ 299,60
à vista ou parcelado no cartão
- 12 cursos, 59 aulas em vídeo (16 horas), incluindo este
- 7 dias de garantia
- Compra segura pela Hotmart
Ver os 12 cursos do combo
Os 37 cursos da Tutora
R$ 598,80
por ano, em até 12x no cartão
- Acesso a todos os 37 cursos do catálogo
- Plano anual: renova até você cancelar
- 7 dias de garantia
- Compra segura pela Hotmart
Na Hotmart, aparece como “Cursos da Tutora”.