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Renascimento

Muito além das artes: como o Renascimento mudou a política, a economia, a religião e a ciência da Europa.

Professor Guilherme Almeida
5 aulas 1h10
Sinopse

Do que trata o curso

Os materiais didáticos costumam tratar o Renascimento de forma nebulosa, quase só como um capítulo da história da arte. Este curso, continuação direta do curso Baixa Idade Média, propõe um panorama mais amplo: um movimento que, entre os séculos XIV e XVI, com um pé na Idade Média e outro na Modernidade, transformou ao mesmo tempo a política, a economia, a religião, a ciência e as artes. O fio condutor é a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, que o curso vê reaparecer, de formas diferentes, em cada uma dessas frentes.

O percurso começa no “terrível século XIV”, com o renascimento do comércio e das cidades puxado pelas repúblicas italianas e com a literatura de Dante, Petrarca e Boccaccio, que passa a narrar o homem e suas condutas. Com o individualismo, as obras passam a ser assinadas, e o contato com o Oriente, de Marco Polo à pólvora e à bússola, abre a Europa ao novo.

Em seguida, o homem-medida ganha forma política no rei absoluto, pensado por Maquiavel, Bodin e Hobbes, e forma econômica no mercantilismo, que impulsiona as grandes navegações e a colonização do Brasil e fortalece uma burguesia freada pela condenação católica da usura. A Reforma de Lutero, alimentada pela “insensatez” dos papas renascentistas, abre caminho para essa burguesia, numa leitura apoiada em Max Weber, e a Igreja responde com o Concílio de Trento e com os jesuítas na América.

O curso termina com Galileu e o heliocentrismo, a passagem do teocentrismo ao antropocentrismo e os mestres da arte, de Brunelleschi a Michelangelo e Rafael, a serviço da burguesia e da Igreja. A dica final de leitura é o pequeno livro de Paul Johnson sobre o Renascimento, que o resume como obra de indivíduos e, até certo ponto, do individualismo.

Para quem é

  • Quem fez o curso Baixa Idade Média e quer seguir até o início da Modernidade
  • Quem conhece o Renascimento só pelas artes e quer ver o quadro inteiro
  • Pais e professores que ensinam história e procuram uma visão integrada do período
  • Quem quer entender as raízes do absolutismo, do mercantilismo e da Reforma
  • Brasileiros curiosos sobre como as grandes navegações e a Contrarreforma chegaram à nossa história
Aprendizados

O que você vai aprender

  • Por que o Renascimento, entre os séculos XIV e XVI, tem um pé na Idade Média e outro na Modernidade, e por que o curso o analisa em cinco frentes: política, economia, religião, ciência e arte
  • Como a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, serve de fio condutor para o período
  • Por que o individualismo, com as obras assinadas, rompe com a coletividade medieval
  • Como o renascimento do comércio e das cidades, as repúblicas italianas e o contato com o Oriente abriram a Europa ao novo
  • Como o absolutismo concentrou o poder no rei e o que Maquiavel, Bodin e Hobbes pensaram sobre ele, à luz da definição de Estado de Max Weber
  • Quais eram as regras do mercantilismo e como elas se ligam às grandes navegações e à colonização do Brasil
  • Por que, segundo o curso, a Reforma Protestante favoreceu a burguesia, e o que Max Weber disse sobre a ética protestante e o capitalismo
  • Como a Igreja respondeu com o Concílio de Trento e a Companhia de Jesus, e por que a América Latina se tornou tão católica
  • Como Galileu, Brunelleschi, Michelangelo e Rafael expressam a passagem do teocentrismo ao antropocentrismo
Por que importa

Por que estudar isso hoje

Muito do que parece natural no mundo de hoje começou a tomar forma nesses três séculos: o Estado que concentra o poder e o monopólio da força, a economia voltada para o comércio e o lucro, a divisão religiosa da Europa, a ciência que explica o céu com cálculos e instrumentos, o indivíduo que assina a própria obra. Entender o Renascimento como um movimento que atravessa todas essas esferas, e não só as artes, ajuda a ler com mais clareza a passagem da cristandade medieval para o mundo moderno.

Para o brasileiro, essa história é também nossa. As grandes navegações, a partilha do mundo entre Portugal e Espanha e a ação dos jesuítas nasceram desse contexto, e o curso mostra essas ligações com clareza. Em pouco mais de uma hora, oferece um mapa do período e indicações de leitura, como Paul Johnson e Barbara Tuchman, para quem quiser ir adiante.

Conteúdo

As 5 aulas do curso

Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.

Resumo completo
  1. Aula 1 O homem como medida: renascimento comercial e urbano

    Entre os séculos XIV e XVI, o Renascimento toma como norte a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, e com o individualismo abre o primeiro furo no manto da cristandade. O nome evoca também o renascimento do comércio e das cidades, puxado pelas repúblicas italianas.

    Explica por que, no Renascimento, as obras passam a ser assinadas: a coletividade anônima do corpo de Cristo cede lugar ao indivíduo.

    Renascimentohumanismoindividualismorenascimento comercialrepúblicas italianas
    13 min
  2. Aula 2 Literatura renascentista, ateliês e a abertura ao Oriente

    Com Dante, Petrarca e Boccaccio, a literatura passa a narrar o homem em sociedade, para além da honra cavaleiresca e da teologia. Ateliês e mestres particulares atraem alunos antes destinados às universidades, e o contato com o Oriente, de Marco Polo à pólvora e à bússola, abre a Europa ao novo.

    Traça um paralelo entre o século XIV e o XIX: depois de séculos tão convulsionados como vulcões em erupção, o que vem a seguir não pode ser manso.

    literatura renascentistahumanismoateliês e universidadesMarco Polonovidades do Oriente
    9 min
  3. Aula 3 Absolutismo: Maquiavel, Hobbes e o rei no centro

    Com a Igreja enfraquecida, sobretudo após a Guerra dos Cem Anos, o poder se concentra no rei absoluto, versão política do homem como medida de todas as coisas. Maquiavel, Bodin e Hobbes, entre outros, ajudam a pensar esse poder, que tira dos nobres os exércitos e centraliza a lei e a fé.

    Conta que O Príncipe se inspira em César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, o mesmo que dividiu entre Portugal e Espanha as terras a descobrir.

    absolutismoEstado modernodireito divinoO PríncipeLeviatã
    14 min
  4. Aula 4 Mercantilismo, grandes navegações e a ascensão da burguesia

    Com a queda de Constantinopla, a busca de novas rotas ganha força e leva às grandes navegações, e a riqueza passa da terra ao comércio. Os reis absolutistas criam as regras do mercantilismo, como balança favorável e metalismo, mas é a burguesia que as executa, freada pela condenação católica da usura.

    Explica por que a Espanha largou na frente de Portugal: suas colônias já tinham ouro e prata, e Portugal precisava converter especiarias, pau-brasil e cana em metais preciosos.

    mercantilismograndes navegaçõesmetalismoburguesiausura
    11 min
  5. Aula 5 Reforma, Contrarreforma e a arte do Renascimento

    A “insensatez” dos papas renascentistas, com a venda de indulgências, alimenta a Reforma de Lutero, que para o curso liberta a burguesia das amarras católicas, na linha de Max Weber. A Igreja responde com Trento e os jesuítas na América, enquanto Galileu e os mestres da arte consagram o antropocentrismo.

    Traz a ironia atribuída a Francisco I da França: onde, no testamento de Adão, estaria escrito que seu reino não tinha direito às terras do Novo Mundo?

    Reforma ProtestanteContrarreformaética protestanteantropocentrismoarte renascentista
    23 min
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Curiosidades sobre o tema

Para pensar

Na leitura do professor, os renascentistas adotaram a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, mas cortaram parte do seu sentido: na Grécia, esse homem ainda era pensado em relação aos deuses; no Renascimento, a medida passa a ser só o homem.

Da história

Dante chamou seu poema apenas de Comédia. O adjetivo “divina” veio de Boccaccio, grande admirador do poeta, e só entrou no título numa edição veneziana de 1555.

No dia a dia

Aquilo que hoje chamamos de êxodo rural é fenômeno antigo: segundo o curso, já no século XIV, com o renascimento comercial, as pessoas trocavam o campo pelas cidades atrás da economia mercantil que começava a fervilhar.

Referência

O curso começa e termina com a mesma frase de Paul Johnson, autor de um pequeno livro que o professor recomenda para começar a estudar o período: o Renascimento foi obra de indivíduos e, até certo ponto, do individualismo.

Para pensar

Na Comédia, quem guia Dante pelo Inferno e pelo Purgatório é Virgílio, um poeta pagão da Roma antiga. Para o curso, é um sinal do que vem aí: a literatura volta à Antiguidade para narrar o homem, seus vícios e suas virtudes.

Da história

Os romanos chamavam o Mediterrâneo de Mare Nostrum, “nosso mar”. Esse mar voltaria a fervilhar com o comércio renascentista das repúblicas italianas, mas o Atlântico logo o destronaria.

No dia a dia

Pólvora, bússola e papel, citados no curso entre as novidades vindas do Oriente, eram invenções chinesas e chegaram à Europa ainda na Idade Média. Foi no Renascimento, porém, que mudaram o jogo: armaram os exércitos dos reis, guiaram as grandes navegações e alimentaram a imprensa.

Da história

O veneziano Marco Polo, símbolo do renascimento comercial para o curso, passou cerca de 17 anos a serviço de Kublai Khan, neto de Gêngis Khan, cumprindo missões pelo império mongol, segundo o seu próprio relato.

Para pensar

Maquiavel jamais escreveu, com todas as letras, que “os fins justificam os meios”. A frase é uma síntese posterior do espírito de O Príncipe — mas o argumento de fundo está realmente lá.

Referência

O modelo concreto de Maquiavel para O Príncipe foi César Bórgia, filho do papa Alexandre VI. Foi esse papa quem, em 1493, com a bula Inter caetera, dividiu entre Espanha e Portugal as terras a descobrir, partilha que os dois reinos renegociaram no Tratado de Tordesilhas, em 1494.

Da história

Francisco I, rei da França, teria ironizado a partilha do mundo entre Portugal e Espanha: queria ver a cláusula do testamento de Adão que excluía a França das terras do Novo Mundo.

Referência

O Leviatã, monstro do Antigo Testamento, dá nome à obra de Thomas Hobbes, de 1651. Para conter a violência de uma humanidade em que “o homem é o lobo do homem”, só mesmo um poder soberano forte, monstruoso na proporção do problema.

No dia a dia

A frase “O Estado sou eu”, que o curso usa para resumir o absolutismo, é atribuída a Luís XIV, o Rei Sol, mas provavelmente ele nunca a disse. Ficou célebre porque traduz bem a ideia de um Estado concentrado na pessoa do rei.

Para pensar

Para o curso, os reis absolutos criaram as regras mercantilistas e entregaram sua execução à burguesia. Sem perceber, estavam criando a cobra que mais tarde morderia o próprio pé — primeiro na Inglaterra, depois na França.

Da história

Segundo a tradição, Bartolomeu Dias, o primeiro a contornar o extremo sul da África, em 1488, chamou-o de Cabo das Tormentas; o rei D. João II preferiu Cabo da Boa Esperança, pela esperança de chegar às Índias por mar. Dez anos depois, Vasco da Gama cumpriu essa promessa.

No dia a dia

A obsessão mercantilista por ouro e prata tem nome técnico: metalismo, ou bulionismo, de bullion, palavra inglesa para metal precioso em barras. A prata que a Espanha tirou da América, sobretudo de Potosí, está entre as causas da alta de preços que atingiu a Europa no século XVI.

Para pensar

Leonardo da Vinci e Michelangelo dissecaram cadáveres para entender músculos e ossos e dar volume e verdade às figuras. Ao contrário do que se costuma dizer, a Igreja não proibia a dissecação: Michelangelo estudou corpos no hospital do convento de Santo Spirito, em Florença, com permissão do prior.

Da história

Girolamo Savonarola promoveu em Florença a Fogueira das Vaidades, em que se queimaram livros, quadros e objetos de luxo. No ano seguinte, em 1498, ele próprio foi executado e queimado na mesma Piazza della Signoria.

Referência

Em A ética protestante e o espírito do capitalismo (1904-1905), Max Weber ligou o espírito do capitalismo moderno à ética de grupos protestantes, sobretudo calvinistas, que viam no trabalho metódico uma vocação. O curso usa essa tese para explicar o avanço econômico das potências protestantes.

Da história

Concluída em 1436, a cúpula de Brunelleschi para a catedral de Florença, com mais de 40 metros de diâmetro, foi erguida sem o cimbre de madeira que costumava sustentar as abóbadas durante a obra. Até hoje é a maior cúpula de tijolos já construída.

Guilherme Almeida em gravação
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Guilherme Almeida

Guilherme Almeida é professor há mais de 20 anos, graduado em história e especialista em história geral.

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  7. Renascimento (este curso)
  8. Mercantilismo
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