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História do Pensamento Ético

De Homero a MacIntyre, a ética ocidental lida a partir de uma pergunta: o que preciso fazer para ser feliz?

Professora Larissa Nóbrega
30 aulas 11 horas
Sinopse

Do que trata o curso

Este curso parte de uma tese simples: a pergunta central da ética não é o que é permitido ou proibido, mas o que é preciso fazer para ser feliz, isto é, para realizar a própria natureza. Antes dos filósofos, fixa os conceitos de base (o ser humano como unidade de corpo e alma, com inteligência, vontade e afetos; a felicidade como eudaimonia; o mal como privação de um bem devido) e recua à poesia de Homero e à tragédia grega, onde a areté, a híbris, o destino e a justiça aparecem primeiro em forma de narrativa.

Daí segue pelos grandes clássicos. Sócrates dá à virtude um sentido moral e busca a definição das coisas; Platão vê na justiça a ordem da alma e da cidade; Aristóteles entende a virtude como hábito e meio-termo e mostra que o caráter é o fator decisivo da felicidade. O helenismo de Sêneca e Epicuro faz da filosofia um consolo, e o cristianismo traz ideias novas: com Santo Agostinho, o mal como mau uso da liberdade e a tarefa de ordenar os amores; com Tomás de Aquino, as fontes da moralidade, a lei natural e as virtudes cardeais guiadas pela prudência.

Com Maquiavel começa a ruptura: ética e política se separam. Descartes, Hobbes e Spinoza procuram novas bases para a moral, e Kant faz do dever o seu centro. Entre os contemporâneos, Nietzsche anuncia a morte de Deus e está na raiz do niilismo, Ortega y Gasset pensa a vida como vocação e projeto vital, e Sartre descreve um homem condenado a ser livre.

O percurso termina com Alasdair MacIntyre, para quem usamos palavras como virtude e felicidade sem o contexto que lhes dava sentido, e com sua proposta de recuperar a finalidade aristotélica pela prática, pela narrativa e pela tradição, vividas em pequenas comunidades. Cada autor é situado em seu tempo e avaliado com franqueza, no que acerta e no que falha, com o objetivo declarado desde a primeira aula: dar a cada um mais elementos para se orientar na própria vida.

Para quem é

  • Quem quer entender de onde vêm as ideias de virtude, felicidade, dever e liberdade que circulam hoje
  • Estudantes de filosofia, direito, pedagogia ou teologia em busca de um panorama introdutório da ética ocidental
  • Pais e educadores interessados na formação do caráter e no papel das virtudes, dos modelos e das narrativas
  • Leitores dos clássicos que querem situar Platão, Aristóteles, Agostinho ou Tomás de Aquino numa história mais ampla
  • Quem acha confuso o debate moral de hoje e quer recuperar os conceitos que lhe dão sentido
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Apresentação do curso
Aula grátis
Aprendizados

O que você vai aprender

  • Distinguir a eudaimonia grega, realização da própria natureza, da ideia atual de felicidade como bem-estar passivo
  • Acompanhar a mudança de sentido da areté: habilidade de uma função em Homero, excelência moral em Sócrates, hábito que aperfeiçoa em Aristóteles
  • Reconhecer os dilemas que a tragédia grega deixou para a filosofia: destino e responsabilidade, lei divina e lei humana, vingança e justiça
  • Entender o intelectualismo de Sócrates, a justiça como ordem da alma em Platão e a virtude como meio-termo em Aristóteles
  • Explicar as virtudes cardeais e o papel da prudência, a reta razão no agir, em Aristóteles e em Tomás de Aquino
  • Comparar o estoicismo de Sêneca e o epicurismo como respostas do helenismo à busca da felicidade
  • Compreender o mal como privação de um bem devido, a liberdade e a ordem do amor em Santo Agostinho
  • Julgar um ato pelo objeto, pela intenção e pelas circunstâncias e distinguir as leis eterna, natural, humana e divina em Tomás de Aquino
  • Reconhecer a ruptura moderna, de Maquiavel, que separa ética e política, a Kant, que funda a moral no dever, passando por Descartes, Hobbes e Spinoza
  • Discutir o niilismo de Nietzsche, o projeto vital de Ortega y Gasset, a liberdade em Sartre e a proposta de MacIntyre de recuperar a ética das virtudes
Por que importa

Por que estudar isso hoje

Usamos todos os dias palavras como virtude, bem, felicidade, dever e liberdade, mas, como mostra MacIntyre, elas muitas vezes nos chegam soltas, como fragmentos separados do contexto que lhes dava sentido. Daí a impressão de que as discussões morais não passam de choques de preferências, vencidos por quem fala mais alto. Estudar a história do pensamento ético é recuperar esse contexto: entender por que Aristóteles via a virtude como hábito, por que Agostinho falava em ordenar os amores, por que Kant fez do dever o centro da moral e o que Nietzsche quis derrubar.

O curso não entrega um manual de respostas. Seu propósito é dar mais elementos para que cada um se oriente na própria vida. Pensar a ética como a pergunta sobre o que fazer para ser feliz, e não apenas como lista de proibições, muda o modo de encarar a formação do caráter, a educação dos filhos e as decisões de todo dia, muitas das quais, como lembra o curso, não são entre o bem e o mal, mas entre dois bens.

Conteúdo

As 30 aulas do curso

Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.

Resumo completo
  1. Aula 1 Conceitos fundamentais: ser humano, felicidade, bem e mal

    A ética pergunta não pelo proibido, mas pelo que fazer para ser feliz. Seus conceitos de base: o ser humano, unidade de corpo e alma com inteligência, vontade e afetos; a consciência; a felicidade como eudaimonia; o mal como privação de um bem devido; e a dupla raiz grega da palavra ética.

    O exemplo aristotélico do remédio amargo que faz bem ajuda a ver por que bem e mal não se medem pelo que é agradável ou desagradável.

    conceito de éticanatureza humanaeudaimoniabem e malconsciência
    21 min
  2. Aula 2 Homero, areté e híbris antes da filosofia

    A filosofia nasce do mito e da poesia: a narrativa já ensina a separar o essencial do acidental. Na Ilíada e na Odisseia, Homero oferece modelos de vida, mostra a areté ainda como excelência de uma função, não virtude moral, e a híbris como desmedida que gera tragédias.

    Ulisses, que se apresentara ao Ciclope como Ninguém, cede à híbris ao revelar seu nome na partida, e o episódio mostra como a desmedida atinge também os outros.

    Homeroaretéhíbrisnarrativamodelos de vida
    20 min
  3. Aula 3 Tragédia grega: destino, justiça e responsabilidade

    A tragédia grega, com papel formativo e político e o efeito da catarse, prepara a filosofia ao pôr em cena dilemas éticos: o destino e a responsabilidade, o conflito entre preceitos divinos na Oresteia, entre lei humana e divina em Antígona, e a vingança escolhida por Medeia.

    Ésquilo, avisado de que um teto cairia em sua cabeça, teria morrido atingido por uma tartaruga, lenda que ilustra a ideia grega de que fugir do destino é encontrá-lo.

    tragédia gregacatarsedestinojustiçaresponsabilidade
    21 min
  4. Aula 4 Sócrates, os sofistas e o reconhecimento da ignorância

    A virada antropológica da filosofia é situada na Atenas democrática do século V a.C., onde sofistas como Protágoras e Górgias ensinavam retórica para o sucesso. Sócrates responde à confusão conceitual com a pergunta 'o que é?', parte do reconhecimento da própria ignorância e acaba visto como ameaça e condenado.

    O oráculo de Delfos declarou Sócrates o mais sábio dos homens; a aula mostra como, interrogando os tidos por sábios, ele entendeu o sentido da profecia.

    Sócratessofistasvirada antropológicarelativismooráculo de Delfos
    22 min
  5. Aula 5 Morte de Sócrates, método dialético e intelectualismo moral

    O julgamento e a morte de Sócrates, registrados na Apologia, marcam o nascimento da filosofia como atividade mortalmente séria. Seguem-se o método dialético e a maiêutica, a areté como excelência moral do homem e o intelectualismo, para o qual conhecer o bem é praticá-lo, tese que a aula julga falha.

    Condenado à cicuta, Sócrates recusa a fuga proposta por um discípulo e explica por que não faz sentido temer algo que não se conhece, como a morte.

    Apologiamaiêuticaironia socráticaintelectualismo moralareté
    21 min
  6. Aula 6 Sócrates: conhecimento, unidade e ensino das virtudes

    Para Sócrates, virtude e conhecimento são inseparáveis: a opinião revela mais sobre quem fala do que sobre o objeto, o acesso à verdade exige desprendimento dos próprios interesses e ninguém erra voluntariamente. As virtudes formam uma unidade e se ensinam por definição e exemplo, pois conhecer é reconhecer.

    O exemplo do Mênon de procurar um coelho sem nunca ter visto um ilustra por que, para aprender a coragem, é preciso ver alguém sendo corajoso.

    episteme e opiniãounidade das virtudesensino da virtudereminiscênciacuidado da alma
    22 min
  7. Aula 7 Platão: dualismo, alma tripartida e ética da justiça

    Platão radicaliza a tese socrática de que o homem é essencialmente sua alma, sob influência órfica e pitagórica. Examinam-se a obra em diálogos, o dualismo entre mundo sensível e mundo das ideias, a alma tripartida espelhada na pólis e a ética da justiça como ordem da alma.

    A aula desfaz uma leitura literal do mundo das ideias e explica o jogo de palavras grego por trás da fórmula 'o corpo é o cárcere da alma'.

    Platãomundo das ideiasalma tripartidacorpo e almajustiça
    22 min
  8. Aula 8 Platão: ideia de bem e anel de Giges

    Em Platão, ética e metafísica são inseparáveis: no topo das formas está a ideia de bem, da qual o homem participa assemelhando-se ao divino. Os mitos da caverna, de Er e do anel de Giges expressam essa visão e o ideal, buscado pela Academia, de amar o bem pelo bem.

    O anel que torna o pastor Giges invisível, comparado na aula à capa de Harry Potter, põe à prova a pergunta: seríamos justos se ninguém nos visse?

    ideia de bemtranscendentaisparticipaçãomito da cavernaanel de Giges
    21 min
  9. Aula 9 Platão: República, rei-filósofo, justiça e amor

    Na República, a formação vai da lei externa à interiorizada, e o círculo entre leis justas e homens justos leva ao rei-filósofo. A justiça harmoniza temperança, fortaleza e prudência; é melhor sofrer que praticar injustiça; e o Banquete mostra o eros que sobe da beleza dos corpos ao bem.

    Sem o Banquete, sugere a aula, a filosofia de Platão pareceria fria e legalista; o que está por trás dela, no fundo, é aprender a amar.

    A Repúblicarei-filósofoformas de governojustiçaeros
    23 min
  10. Aula 10 Aristóteles: teleologia, felicidade, prazer e atos voluntários

    Aristóteles, formado na Academia de Platão, vê a realidade como teleológica: tudo tende à própria perfeição. Para o homem, esse fim é a eudaimonia, contemplativa ou prática, que não se confunde com o prazer; a ética examina os atos voluntários, dignos de louvor ou censura.

    Marinheiros que lançam a carga ao mar por briga ou para salvar o barco numa tempestade ilustram a distinção entre ato voluntário e involuntário.

    Aristótelesteleologiaeudaimoniaprazeratos voluntários
    19 min
  11. Aula 11 Aristóteles: amizade, honra, sorte e caráter na felicidade

    Aristóteles examina os bens tidos como necessários à felicidade (vida na pólis, família, trabalho, beleza, amizade, honra e sorte) e conclui que, sendo todos frágeis, o fator decisivo é o caráter, formado por hábitos: virtudes, que aperfeiçoam e trazem deleite no bem, e vícios, que tiram o domínio de si.

    Ao perguntar se o homem feliz precisa de amigos, a aula apresenta as três amizades aristotélicas e explica por que a dor partilhada diminui e a alegria aumenta.

    felicidadeamizadehonra e famahábitovirtude e vício
    24 min
  12. Aula 12 Aristóteles: virtude como meio-termo e virtudes cardeais

    A virtude, para Aristóteles, é o meio-termo excelente entre um vício de excesso e outro de falta. A partir disso se examinam as quatro virtudes cardeais: temperança, fortaleza, justiça (comutativa, legal e distributiva) e prudência, a sabedoria prática que escolhe os meios adequados ao fim.

    O meio-termo aristotélico não é mediocridade, mas o pico de uma montanha; e o prudente, segundo a aula, é lento para refletir e ágil para agir.

    meio-termovirtudes cardeaistemperançajustiçaprudência
    21 min
  13. Aula 13 Helenismo e o estoicismo de Sêneca

    O helenismo, marcado pelo cosmopolitismo de Alexandre, deixa o grego sem sua pólis e faz da filosofia modo de vida e consolo. No estoicismo de Sêneca, a felicidade exige virtude, apatia e ataraxia, proposta com lições valiosas, mas limitada por sufocar paixões que deveriam ser educadas.

    A aula explica por que o estoicismo está tão em voga hoje e lembra a frase de Sêneca a Lucílio: nada nos pertence, só o tempo é nosso.

    helenismocosmopolitismoestoicismoapatiaSêneca
    26 min
  14. Aula 14 Epicurismo: prazer comedido, ataraxia e aponia

    O epicurismo, influenciado pelo atomismo de Demócrito, não é um hedonismo desenfreado: busca o prazer e foge da dor de modo comedido, visando a ataraxia e a aponia, e distingue prazeres naturais e necessários, naturais e não necessários, e os que devem ser evitados, como fama, luxo e poder.

    Embora hoje se fale muito de estoicismo, a aula observa que a cultura vigente tem marca forte do epicurismo, e mostra a diferença entre beber água e beber vinho.

    epicurismohelenismoataraxiaaponiatipos de prazer
    16 min
  15. Aula 15 Mentalidade cristã e as Confissões de Santo Agostinho

    O pensamento medieval traz uma nova mentalidade cristã: criação, providência, pecado original, graça, Escrituras e tempo linear. Em Santo Agostinho, a trajetória do maniqueísmo à conversão desemboca nas Confissões, autobiografia interior que inaugura o método da confissão sincera diante de Deus e formula o problema do mal.

    O menino Agostinho roubava frutas do vizinho só pelo gosto do roubo, episódio que a aula usa para mostrar a sinceridade radical das Confissões.

    Idade Médiamentalidade cristãSanto AgostinhoConfissõesproblema do mal
    20 min
  16. Aula 16 Agostinho: mal, liberdade e ordem do amor

    Santo Agostinho entende o mal como privação de um bem devido, distingue mal físico e moral, nega o mal metafísico dos maniqueus e atribui sua origem ao mau uso da liberdade, dada ao homem para amar. A tarefa humana é ordenar os amores, pois dois amores fundaram duas cidades.

    Até os vilões amam, lembra a aula: para Agostinho, o que distingue santos e pecadores não é amar ou não, mas o que se ama e em que medida.

    mal como privaçãolivre-arbítrioordem do amorCidade de Deusiluminação
    25 min
  17. Aula 17 Tomás de Aquino: ato moral, felicidade e leis

    Tomás de Aquino distingue atos do homem e atos humanos, cuja moralidade depende do objeto, da intenção e das circunstâncias. Com Aristóteles e as Escrituras, situa a felicidade perfeita na bem-aventurança, afirma que a sociedade existe para o homem e classifica as leis em eterna, natural, humana e divina.

    A esmola dada para ser admirado e a mentira que poupa alguém ilustram a regra tomista: má intenção corrompe o ato bom, e boa intenção não salva o mau.

    ato humanofontes da moralidadebem-aventurançalei naturalbem comum
    25 min
  18. Aula 18 Tomás de Aquino: virtudes cardeais e prudência

    Para Tomás de Aquino, a temperança é o governo racional dos desejos em vista da paz interior; a fortaleza, fidelidade à hierarquia dos valores; e a justiça, completada pelo amor, exige desobedecer leis injustas. A prudência, rainha das virtudes, envolve memória, docilidade, solércia, cautela, eubulia, sínese e gnome.

    A pessoa prudente é ousada, e não só cautelosa, sustenta a aula, lembrando que muitas dúvidas não são entre o bem e o mal, mas entre dois bens.

    virtudes cardeaistemperançafortalezaleis injustasprudência
    28 min
  19. Aula 19 Maquiavel: realismo e separação entre ética e política

    Maquiavel separa ética e política: parte do homem como ele é, egoísta e ambicioso, e faz da eficácia o critério do governante. Sua virtù é habilidade, não caráter moral: imprevisibilidade, crueldade ou clemência conforme a utilidade e preferir ser temido a ser amado, embora dependa também da fortuna.

    O caso do general cruel que o próprio governante depois mandou executar mostra, na leitura de Maquiavel, como controlar uma cidade pelo medo e saciar sua sede de vingança.

    Maquiavelrealismo políticovirtù e fortunaética e políticaO Príncipe
    21 min
  20. Aula 20 Descartes: método, cogito e moral provisória

    Descartes inaugura a modernidade com o método inspirado na matemática e a dúvida metódica que leva ao cogito, certeza do indivíduo sobre si. Sem certeza equivalente na moral, propõe uma moral provisória de quatro regras e faz da razão individual, não da tradição, o critério da ação.

    Mudar os próprios desejos antes que a ordem do mundo: a aula mostra como a moral de Descartes prefere reformar o indivíduo a reformar a sociedade.

    Descartesracionalismodúvida metódicacogitomoral provisória
    20 min
  21. Aula 21 Hobbes: egoísmo, contrato social e Leviatã

    Para o empirista Hobbes, o homem é naturalmente egoísta e lobo do homem, pois o bem é o que conserva a própria vida. A paz exige um contrato social que entrega tudo a um soberano absoluto, o Leviatã, e leis da natureza como buscar a paz e cumprir acordos.

    A aula contrapõe o homem egoísta de Hobbes ao bom selvagem de Rousseau, para quem os conflitos começam quando surge a divisão entre o meu e o teu.

    Hobbesempirismoegoísmocontrato socialLeviatã
    18 min
  22. Aula 22 Spinoza: substância única, paixões e amor a Deus

    Racionalista em busca de um saber exato como a geometria, Baruch Spinoza sustenta que só existe uma substância, Deus, da qual tudo é modo ou atributo. Sua Ética propõe libertar-se das paixões pelo conhecimento, ver as coisas sob a perspectiva da eternidade e chegar ao amor intelectual a Deus.

    Há quem compre a Ética de Spinoza num sebo para aprender ética e se desconcerte com seu rigor; a aula apresenta as ideias centrais desse livro.

    Spinozaracionalismosubstâncianecessidade e liberdadeamor a Deus
    12 min
  23. Aula 23 Kant: ética do dever, imperativo categórico e autonomia

    Kant busca conciliar racionalismo e empirismo nos juízos sintéticos a priori e, na moral, rejeita eudaimonismo, hedonismo e utilitarismo em favor de uma ética deontológica: a boa vontade age pelo dever. O imperativo categórico, a autonomia como verdadeira liberdade e os postulados de Deus, imortalidade e liberdade completam sua proposta.

    A ideia corrente de que a ética é um conjunto de normas a cumprir, e não um caminho para a felicidade, é herança de Kant, sustenta a aula.

    Kantteoria do conhecimentoética deontológicaimperativo categóricoautonomia
    23 min
  24. Aula 24 Nietzsche: apolíneo, dionisíaco e crítica da moral

    Nietzsche, um dos filósofos da suspeita, vê em Sócrates o triunfo do apolíneo sobre o dionisíaco e ataca o cristianismo. Lê a moral como moral de escravos, que justifica quem não ousa exercer a vontade de poder, propõe a criança como novo tipo humano e nega que exista verdade.

    Nietzsche dizia não ser um homem, mas uma dinamite; a aula mostra o que ele pretendia explodir, de Sócrates ao cristianismo.

    Nietzscheapolíneo e dionisíacovontade de podermoral de escravosfilósofos da suspeita
    20 min
  25. Aula 25 Nietzsche: morte de Deus, super-homem e niilismo

    Em Assim Falou Zaratustra, Nietzsche anuncia a morte de Deus, fundamento da moral judaico-cristã, abrindo espaço ao super-homem, que realiza a vontade de poder e vive o amor fati diante do eterno retorno. Daí nasce o niilismo, aceitação de que nada tem sentido, proposto como antídoto ao ressentimento.

    Nietzsche escreve muito bem, mas o que sustenta é impraticável, avalia a aula, que vê nele a origem do niilismo que marca a cultura contemporânea.

    morte de Deussuper-homemeterno retornoamor fatiniilismo
    18 min
  26. Aula 26 Ortega y Gasset: razão vital, vocação e circunstância

    Partindo das Meditações do Quixote, semente de sua obra, Ortega y Gasset propõe o perspectivismo e o raciovitalismo: a vida de cada um é a realidade radical, e viver é compreender. Ser homem é responder a uma vocação, reabsorvendo a circunstância, dada ou escolhida, a serviço do projeto vital.

    A aula explica o sentido da célebre frase 'eu sou eu e a minha circunstância' e mostra como até a circunstância mais opressora pode virar trampolim.

    Ortega y Gassetrazão vitalvocaçãocircunstânciaprojeto vital
    22 min
  27. Aula 27 Ortega: projeto vital, homem-massa e homem nobre

    Para Ortega y Gasset, o projeto vital é a tarefa que cada um realiza livremente, respondendo à vocação; abandoná-la é acanalhar-se. A Rebelião das Massas contrapõe o homem nobre, grato e responsável, ao homem-massa formado por circunstâncias fáceis; como saída, Ortega aponta as ideias dos náufragos e o ensimesmamento.

    Até o cientista pode ser homem-massa: a aula explica a 'barbárie do especialismo', de quem, sábio em sua área, opina sobre tudo com a mesma autoridade.

    projeto vitalautenticidadehomem-massaespecialismoensimesmamento
    29 min
  28. Aula 28 Sartre: liberdade, olhar do outro e náusea

    Para Sartre, ateu e existencialista, a existência precede a essência: o homem é autor de si mesmo e está condenado a ser livre. O olhar do outro o objetifica, como em Entre Quatro Paredes, e a gratuidade das coisas gera náusea e angústia: o homem é uma paixão inútil.

    Na peça Entre Quatro Paredes, o inferno é uma sala bem decorada onde ninguém dorme nem pisca; daí vem a célebre frase de Sartre 'o inferno são os outros'.

    existencialismoliberdademá-féangústianáusea
    20 min
  29. Aula 29 MacIntyre: Depois da Virtude e retorno a Aristóteles

    Em Depois da Virtude, Alasdair MacIntyre compara a ética atual a fragmentos de uma ciência perdida: usamos termos como virtude e felicidade sem seu contexto. Contra as alternativas modernas e o emotivismo, propõe retomar o telos aristotélico, entendendo a virtude por prática, narrativa e tradição, vividas em pequenas comunidades.

    Depois da Virtude termina dizendo que não esperamos Godot, mas outro São Bento; a aula liga a imagem aos mosteiros que surgiram na queda de Roma.

    Depois da Virtudeemotivismotelostradiçãocomunitarismo
    28 min
  30. Aula 30 Encerramento: de Homero a MacIntyre

    Encerramento do curso: recapitula o percurso da poesia homérica e da tragédia grega até Nietzsche, Ortega, Sartre e MacIntyre, lembra que se trata de um curso introdutório e reafirma que a ética não é assunto apenas teórico, mas busca real de orientação na vida.

    Útil para quem quer ter uma visão do conjunto antes de começar: em poucos minutos, a aula mostra o arco completo do curso, da Antiguidade aos contemporâneos.

    encerramentorecapitulaçãoética e vidabibliografia
    4 min
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Quanto você já sabe sobre História do Pensamento Ético?

5 perguntas rápidas, sorteadas entre 30. Você vê a resposta na hora, com uma explicação curta. Dá para jogar quantas rodadas quiser.

Você sabia?

Curiosidades sobre o tema

Para pensar

Sócrates nunca escreveu uma linha sequer. Tudo o que sabemos sobre seu pensamento vem de discípulos e adversários — o que significa que o pai da filosofia ocidental é, em grande parte, uma obra de outros.

Da história

A palavra “filosofia” significa literalmente “amor à sabedoria” — e foi Pitágoras quem, segundo a tradição, se recusou a ser chamado de sábio, preferindo o título mais modesto de “amante da sabedoria”.

No dia a dia

A palavra “caráter” vem do grego kharaktér, marca gravada. Na leitura aristotélica apresentada no curso, o caráter é justamente a configuração dos hábitos: a marca que as ações repetidas vão deixando em nós e pela qual os outros nos reconhecem.

Referência

As Confissões de Santo Agostinho (século IV d.C.) são consideradas a primeira autobiografia interior da história — não um relato de viagens ou batalhas, mas o mapa de um coração em busca de sentido.

Para pensar

O vício, lembra o curso, é um prazer que se tornou necessidade: um hábito que tira da pessoa o domínio de si. Por isso Aristóteles dirige a censura às escolhas feitas quando ela ainda era senhora de si, antes que o vício criasse raízes.

Da história

Segundo o biógrafo antigo Diógenes Laércio, Platão teria nascido com o nome de Arístocles, e “Platão” seria um apelido dado por seu professor de ginástica, por causa da constituição robusta — platýs significa “largo” em grego. Muitos estudiosos modernos duvidam da história, já que Platão era um nome usado em Atenas na época.

No dia a dia

O estoicismo está em alta hoje, mas Sêneca, um de seus maiores nomes, foi preceptor de Nero e enriqueceu na corte romana. Criticado por pregar o desapego sendo rico e poderoso, respondia que o problema não são os bens, mas o apego a eles, e que em suas cartas falava de como se deve viver, não do que ele mesmo vivia.

Referência

O título “Leviatã”, dado por Hobbes ao seu tratado político, vem de um monstro marinho que aparece nas Sagradas Escrituras. É o nome que ele dá ao Estado soberano, a quem os indivíduos entregam, pelo contrato social, todos os meios de defesa, para que os proteja uns dos outros.

Para pensar

Segundo Platão, aquele que sofre uma injustiça está em situação melhor do que aquele que a pratica. A razão: a injustiça sofrida não mancha a alma — a injustiça praticada, sim.

Da história

Aristóteles foi tutor de Alexandre Magno durante aproximadamente três anos, quando o futuro conquistador tinha entre 13 e 16 anos. A relação entre o filósofo que pensou a pólis e o jovem que a dissolveu em império é uma das ironias mais ricas da história intelectual.

No dia a dia

A expressão “voto de Minerva” vem da Oresteia, de Ésquilo: no julgamento de Orestes, a deusa Atena, que os romanos chamavam de Minerva, dá o voto que o absolve. Na mesma peça, as Erínias se tornam as Eumênides, e a ideia de justiça deixa de ser só vingança.

Referência

O mito do Anel de Giges, contado na República de Platão, é um dos mais antigos experimentos mentais da filosofia moral: se você pudesse agir de modo totalmente invisível e impune, agiria de forma diferente? A resposta diz muito sobre o que realmente motiva o comportamento humano.

Para pensar

“Eu não sou um homem, sou dinamite”, escreveu Nietzsche em Ecce Homo, pouco antes do colapso mental que o deixou incapacitado nos seus últimos onze anos de vida. A Vontade de Poder, citada no curso, não chegou a ser concluída por ele: o livro com esse título é uma compilação póstuma de anotações, organizada pela irmã, Elisabeth, que manipulou parte do material.

Da história

O termo “estoicismo” vem de Stoá Poikilḗ — “pórtico pintado” —, o local coberto em Atenas onde Zenão de Cítio ensinava por volta de 300 a.C. A escola recebeu o nome do lugar de reunião, não do fundador.

No dia a dia

Ortega y Gasset cunhou a expressão “homem massa” não para criticar os pobres ou os incultos, mas para descrever qualquer pessoa — rica ou pobre, letrada ou não — que vive sem senso de responsabilidade e acredita que as benesses da civilização “dão em árvore”.

Referência

Na cena final de Entre Quatro Paredes, peça de Sartre, o personagem Garcin conclui: “o inferno são os outros” — uma das frases mais citadas e mal-entendidas da filosofia contemporânea. Sartre não quis dizer que as pessoas são más, mas que o olhar alheio nos transforma em objetos, tirando-nos a liberdade de nos definirmos.

Para pensar

A palavra “virtude” vem do latim virtus, que significa força. Por isso, como explica o curso, ser virtuoso não é ser apenas gentil ou inofensivo: é ter a força interior para praticar o bem não uma vez, mas sempre, ou na maior parte das vezes.

Da história

Conta a tradição que na entrada da Academia, a escola fundada por Platão em Atenas, se lia: “Não entre aqui quem não souber geometria”. O curso explica o motivo: sem o treino da abstração dado pela matemática, ninguém chega às questões metafísicas. Ao lado dela, a Academia ensinava música e ginástica, num projeto de formação integral de governantes e cidadãos.

No dia a dia

Conta-se que Kant saía para caminhar todos os dias no mesmo horário, com tal pontualidade que os moradores de Königsberg acertavam os relógios pela sua passagem. O filósofo que teorizou sobre o dever encarnava o dever na própria rotina.

Referência

Para mostrar que o projeto vital de Ortega y Gasset pode ser vivido, o curso lembra Viktor Frankl, psiquiatra que sobreviveu aos campos de concentração nazistas. No livro Em Busca de Sentido, Frankl cita uma frase de Nietzsche que resume a ideia: quem tem um porquê para viver suporta quase qualquer como.

Larissa Nóbrega em gravação
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Larissa Nóbrega

Larissa Nóbrega é professora de filosofia, graduada pela UCP e mestre pela UFF, e pesquisa sobretudo antropologia filosófica e ética.

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