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Início do Século XX: Guerra e Revolução

Como a Primeira Guerra, a Revolução Russa e a paz de Versalhes prepararam as tragédias do século XX

Professor Guilherme Almeida
5 aulas 1h45
Sinopse

Do que trata o curso

Continuação do curso O Grande Século XIX, este curso introdutório acompanha a convergência de dois acontecimentos que mudaram a história da Europa: a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. O ponto de partida são as tensões acumuladas no fim do século XIX: o nacionalismo e a partilha da África e da Ásia, o revanchismo francês pela Alsácia-Lorena, a rivalidade entre austríacos e russos em torno dos povos eslavos, a indústria alemã que tomou da Inglaterra o título de “oficina do mundo” e a disputa pelos estreitos que ligam o Mar Negro ao Mediterrâneo.

Somadas às duas grandes alianças, a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança, essas crises fazem do atentado de Sarajevo, em 1914, uma guerra continental. O professor Guilherme Almeida divide o conflito em três fases: a guerra de movimento, com a célebre trégua de Natal de 1914; a guerra de trincheiras, com metralhadoras, gás e aviões; e a entrada dos Estados Unidos em 1917, que ele explica pelos empréstimos feitos à Entente.

A Revolução Russa ocupa o centro do curso: a Rússia atrasada de Nicolau II, a derrota para o Japão em 1905, o Domingo Sangrento e a figura de Rasputin corroendo a imagem do czar; a divisão entre mencheviques e bolcheviques; a revolução de fevereiro de 1917, a volta de Lenin com a ajuda alemã, as Teses de Abril e a tomada do poder em outubro; depois, a saída da guerra, a guerra civil, o partido único, a NEP e a luta entre Stalin e Trotsky.

A última aula fecha os dois processos com o Tratado de Versalhes, analisado em suas dimensões política, militar e econômica, e com os demais tratados que redesenharam a Europa e o Oriente Médio. Termina nos “loucos anos 20”, entre a euforia de Paris e a Lei Seca americana, com a crise de 1929 e os totalitarismos já no horizonte.

Para quem é

  • Quem quer entender o início do século XX para além das datas e batalhas
  • Estudantes que precisam de uma visão organizada da Primeira Guerra e da Revolução Russa
  • Alunos do curso O Grande Século XIX que querem seguir adiante na mesma linha
  • Quem quer entender como a paz de 1919 preparou o terreno para os totalitarismos
  • Famílias educadoras que procuram uma introdução clara ao período para estudar junto com os filhos
Aprendizados

O que você vai aprender

  • Quais crises entre as potências europeias, da Alsácia-Lorena à Bósnia, prepararam a Primeira Guerra Mundial
  • Como a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança transformaram o atentado de Sarajevo numa guerra continental
  • As três fases da guerra (movimento, trincheiras e entrada dos Estados Unidos) e o que foi a trégua de Natal de 1914
  • Por que a Rússia de Nicolau II, atrasada e abalada pela derrota para o Japão e pelo Domingo Sangrento, ficou vulnerável à revolução
  • O que separava mencheviques e bolcheviques e como Lenin chegou ao poder, da revolução de fevereiro à de outubro de 1917
  • Como se formou a União Soviética: Brest-Litovsk, guerra civil, partido único, NEP e a disputa entre Stalin e Trotsky
  • O que o Tratado de Versalhes impôs à Alemanha nos planos político, militar e econômico, e por que Keynes o criticou
  • Como os tratados do pós-guerra redesenharam a Europa e o Oriente Médio, com o fim dos impérios austro-húngaro e otomano
  • Por que os “loucos anos 20” oscilaram entre a euforia de Paris e a Lei Seca americana, à sombra da crise de 1929
Por que importa

Por que estudar isso hoje

Boa parte do mundo em que vivemos nasceu entre 1914 e 1929: a queda de quatro impérios, o primeiro Estado comunista, fronteiras que ainda hoje geram conflitos nos Bálcãs e no Oriente Médio e uma paz desenhada para punir, e não para reconciliar, que deixou a Alemanha pronta para ouvir teorias de ódio. Estudar esse período ajuda a entender como governos se enfraquecem, como grupos organizados ocupam as brechas do poder e como a humilhação de um povo se converte em ressentimento político.

O curso mostra também como a escola do fim do século XIX, posta a serviço do nacionalismo, formou as crianças que em 1914 foram à guerra para defender a pátria contra um inimigo pintado como demônio, e o que ainda resistia a essa máquina: na trégua de Natal, soldados inimigos cantaram juntos na terra de ninguém. Para quem pensa a formação dos filhos, é uma introdução clara, que não exige formação prévia e ajuda a ler com mais atenção as grandes narrativas do século XX.

Conteúdo

As 5 aulas do curso

Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.

Resumo completo
  1. Apresentação do curso Primeira Guerra, Revolução Russa e anos 20

    Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa e loucos anos 20: o convite para um curso introdutório que continua O Grande Século XIX.

    Uma guerra de 9 milhões de mortos e uma revolução que criou a União Soviética: o professor mostra por que os dois acontecimentos precisam ser estudados juntos.

    Primeira Guerra MundialRevolução RussaUnião Soviéticaanos 20
    3 min
  2. Aula 1 As crises e alianças que levaram à guerra

    As origens da Primeira Guerra Mundial: o nacionalismo e a partilha da África e da Ásia, as cinco crises entre as potências, da Alsácia-Lorena à Bósnia, e as duas grandes alianças, a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança, que transformaram o atentado de Sarajevo numa guerra continental.

    Um atentado em Sarajevo bastou para arrastar Rússia, Alemanha, França e Inglaterra à guerra em poucas semanas, e a aula mostra o efeito dominó que tornou isso possível.

    nacionalismocrises pré-guerraTríplice EntenteTríplice AliançaPrimeira Guerra Mundial
    21 min
  3. Aula 2 Da trégua de Natal à entrada dos EUA

    As três fases da Primeira Guerra: a de movimento, com soldados formados pela escola nacionalista e a trégua de Natal de 1914; a de trincheiras, com metralhadoras, granadas, aviões e gás; e a entrada dos Estados Unidos em 1917, explicada pelo risco de perder os empréstimos feitos à Entente.

    Um “Noite Feliz” cantado na trincheira alemã e acompanhado por uma gaita de foles escocesa fez inimigos saírem para celebrar juntos o Natal na terra de ninguém.

    Primeira Guerra Mundialtrégua de Natalguerra de trincheirasentrada dos EUAarmas químicas
    18 min
  4. Aula 3 A Rússia dos czares rumo à revolução

    A Rússia atrasada de Nicolau II, que exportava trigo enquanto o povo passava fome: a derrota para o Japão em 1905 e seus efeitos, a divisão entre mencheviques e bolcheviques, Rasputin e o Domingo Sangrento, que corroem a imagem do czar, e a fórmula de Lenin para a revolução: governo enfraquecido e líderes.

    A origem da foice e do martelo, ferramentas de camponeses e operários, ajuda a entender quem formava os sovietes, a base social dos bolcheviques.

    Revolução RussaGuerra Russo-Japonesamencheviques e bolcheviquesRasputinDomingo Sangrento
    18 min
  5. Aula 4 De fevereiro de 1917 ao poder de Stalin

    A revolução de fevereiro de 1917 derruba o czar e leva Kerensky ao governo provisório, mas Lenin, trazido de volta pela Alemanha, lança as Teses de Abril, e os bolcheviques vencem em outubro. Seguem-se Brest-Litovsk, a guerra civil, o partido único, a NEP, o isolamento soviético e a disputa entre Stalin e Trotsky.

    A aula explica por que os livros ora falam em fevereiro, ora em março, para a primeira revolução russa: a Rússia ainda seguia um calendário diferente do ocidental.

    Revolução RussaTeses de AbrilbolcheviquesNEPstalinismo
    21 min
  6. Aula 5 Versalhes, os novos tratados e os loucos anos 20

    O Tratado de Versalhes, assinado na Sala dos Espelhos, impõe à Alemanha perdas políticas, militares e econômicas que Keynes denunciou e que alimentariam nazismo e comunismo. Outros tratados redesenham a Europa e o Oriente Médio; nos loucos anos 20, a euforia de Paris contrasta com a Lei Seca americana.

    Por que, segundo o professor, a crise de 1929 atingiu a Alemanha ainda mais duramente que os Estados Unidos, apenas dez anos depois de Versalhes?

    Tratado de VersalhesRepública de WeimarLiga das NaçõesDeclaração Balfourloucos anos 20
    24 min
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Curiosidades sobre o tema

Para pensar

Na noite de Natal de 1914, um “Noite Feliz” cantado na trincheira alemã foi acompanhado por uma gaita de foles escocesa, e soldados alemães, franceses e escoceses saíram para a terra de ninguém. Trocaram presentes, bebidas e canções numa trégua que, em alguns trechos da frente, durou até o Ano-Novo.

Da história

Na Primeira Guerra, parentes se enfrentaram: o rei inglês Jorge V e o Kaiser Guilherme II eram netos da rainha Vitória, e o czar Nicolau II, primo de Jorge V, era casado com uma neta dela.

Referência

Paris é uma festa, de Hemingway, parece celebrar a euforia dos anos 1920. Para o professor, o livro diz o contrário: por trás das festas estava o medo de um futuro incerto, que levava cada um a viver o dia como se fosse o último.

Para pensar

Na leitura do curso, o que levou os EUA à Primeira Guerra não foi a defesa da democracia nem o ataque a navios, mas o medo do calote: se a Alemanha vencesse, os empréstimos americanos à Inglaterra e à França virariam pó.

Da história

Lenin estava exilado na Suíça quando a Revolução de Fevereiro derrubou o czar. A Alemanha, em guerra com a Rússia, o fez atravessar seu território num vagão lacrado, apostando que ele tiraria o país da guerra. Acertou.

No dia a dia

O símbolo da foice e do martelo não é decorativo. A foice é a ferramenta pequena dos camponeses para colher trigo; o martelo, o instrumento dos operários que moldavam chapas vindas das caldeiras. Cada peça desenhava um trabalhador real.

Referência

O termo “bolchevique” vem da palavra russa para “maioria”, e “menchevique”, da palavra para “minoria”. Os nomes nasceram de uma votação no congresso do partido em 1903 e ficaram para sempre, mesmo quando as proporções mudaram.

Da história

O Tratado de Versalhes não foi assinado em qualquer lugar. Os franceses escolheram a Sala dos Espelhos, onde em 1871 haviam sido humilhados pelos alemães. A geografia da vingança levou quase cinquenta anos para se cumprir.

Para pensar

Rasputin, místico semianalfabeto e considerado por muitos um bruxo, era conselheiro íntimo do czar de toda a Rússia. Para um povo majoritariamente ortodoxo, ver o líder simbólico cristão acompanhado por uma figura assim foi corrosivo.

Da história

Na guerra de trincheiras, a tecnologia avançou a passos largos: metralhadoras, granadas de longo alcance, gás e aviões ainda simples, que, quando acabavam as bombas, chegavam a lançar grandes agulhas de ferro sobre os soldados entrincheirados.

Referência

A frase “a religião é o ópio do povo” foi publicada por Marx em 1844. Com os bolcheviques no poder, virou política de Estado: líderes religiosos foram perseguidos, ícones destruídos e muitas igrejas fechadas ou transformadas para outros usos.

Da história

“Não comeremos o bastante, mas exportaremos”: a frase, atribuída a um ministro das Finanças da Rússia czarista no fim do século XIX, resume a política de exportar trigo, mesmo com fome no campo, para financiar a industrialização. O curso mostra como essa penúria alimentou a revolta contra o czar.

Para pensar

Segundo o curso, Lenin resumia as condições de uma revolução em dois elementos: governo enfraquecido e líderes. Sem o primeiro, não há brecha; sem o segundo, a brecha se fecha. A Rússia czarista ofereceu os dois.

No dia a dia

Enquanto a Paris dos anos 1920 era a capital da libertinagem artística, os EUA viviam a Lei Seca. Duas formas opostas de loucura, uma por excesso, outra por repressão, separadas apenas pelo Atlântico.

Referência

O filme Feliz Natal (Joyeux Noël, 2005), coprodução europeia indicada pelo professor, reconstrói a trégua de Natal de 1914 a partir de relatos de soldados que viveram o episódio.

Da história

A Declaração Balfour, de 1917, apoiou a criação de um “lar nacional” para o povo judeu na Palestina. Exatamente trinta anos depois, em 1947, a ONU aprovou o plano de partilha, e em 1948 nasceu o Estado de Israel.

Para pensar

Para o professor, a União Soviética não aboliu o capitalismo: apenas trocou o dono dos meios de produção, da burguesia para o Estado. O próprio Lenin usou a expressão “capitalismo de Estado” ao defender a Nova Política Econômica, a NEP.

Da história

A sala de aula preparou as trincheiras: segundo o curso, o ensino nacionalista do fim do século XIX formou crianças que, adultas em 1914, se alistaram para defender a pátria contra um inimigo pintado como demônio nos cartazes de propaganda.

No dia a dia

Trotsky foi assassinado no México, em 1940, por um agente de Stalin, com uma picareta de quebrar gelo. No exílio mexicano, chegou a morar na casa de Diego Rivera e Frida Kahlo, mas nem a distância o livrou do antigo rival.

Guilherme Almeida em gravação
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Guilherme Almeida

Guilherme Almeida é professor há mais de 20 anos, graduado em história e especialista em história geral.

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