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Resumo do curso · História e Política

Renascimento

Muito além das artes: como o Renascimento mudou a política, a economia, a religião e a ciência da Europa.

Com Guilherme Almeida 5 aulas 1h10 de vídeo 5 aulas expositivas de 9 a 23 minutos (cerca de 1h10 no total), organizadas por frentes: comércio e cidades, literatura, política, economia, religião, ciência e arte; é a continuação do curso Baixa Idade Média.

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Visão geral

Os materiais didáticos costumam tratar o Renascimento de forma nebulosa, quase só como um capítulo da história da arte. Este curso, continuação direta do curso Baixa Idade Média, propõe um panorama mais amplo: um movimento que, entre os séculos XIV e XVI, com um pé na Idade Média e outro na Modernidade, transformou ao mesmo tempo a política, a economia, a religião, a ciência e as artes. O fio condutor é a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, que o curso vê reaparecer, de formas diferentes, em cada uma dessas frentes.

O percurso começa no “terrível século XIV”, com o renascimento do comércio e das cidades puxado pelas repúblicas italianas e com a literatura de Dante, Petrarca e Boccaccio, que passa a narrar o homem e suas condutas. Com o individualismo, as obras passam a ser assinadas, e o contato com o Oriente, de Marco Polo à pólvora e à bússola, abre a Europa ao novo.

Em seguida, o homem-medida ganha forma política no rei absoluto, pensado por Maquiavel, Bodin e Hobbes, e forma econômica no mercantilismo, que impulsiona as grandes navegações e a colonização do Brasil e fortalece uma burguesia freada pela condenação católica da usura. A Reforma de Lutero, alimentada pela “insensatez” dos papas renascentistas, abre caminho para essa burguesia, numa leitura apoiada em Max Weber, e a Igreja responde com o Concílio de Trento e com os jesuítas na América.

O curso termina com Galileu e o heliocentrismo, a passagem do teocentrismo ao antropocentrismo e os mestres da arte, de Brunelleschi a Michelangelo e Rafael, a serviço da burguesia e da Igreja. A dica final de leitura é o pequeno livro de Paul Johnson sobre o Renascimento, que o resume como obra de indivíduos e, até certo ponto, do individualismo.

O percurso do curso

Um movimento em cinco frentes

A primeira aula parte da frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, que o curso toma como norte de todo o período. Na leitura do professor, os renascentistas a retomam sem a dimensão divina que ela tinha na Grécia, e com o humanismo abrem o primeiro furo no “manto da cristandade” de que falava Christopher Dawson. O Renascimento não é só artístico: é político, econômico, científico, religioso e artístico, e ocupa sobretudo os séculos XIV, XV e XVI, com um pé na Idade Média e outro na Modernidade. Paul Johnson o resume como obra de indivíduos e, até certo ponto, do individualismo: as obras passam a ser assinadas, e a coletividade anônima do corpo de Cristo cede lugar ao indivíduo.

O renascimento do comércio e das cidades

O terrível século XIV, da Peste Negra, da Guerra dos Cem Anos e do Cisma do Ocidente, é o caldo em que o movimento nasce, e a Comédia de Dante é tomada pelo curso como sua obra inaugural. O nome também se explica pela economia: depois do encolhimento feudal, as repúblicas italianas, com Veneza à frente, reativam o grande comércio no Mediterrâneo, o antigo Mare Nostrum dos romanos, e as cidades voltam a crescer, agora com um êxodo rural.

Literatura, ateliês e o Oriente

A segunda aula começa pela transformação artística e literária. Dante, Petrarca, Boccaccio e Cavalcanti deixam para trás a honra cavaleiresca e a pura teologia para narrar o homem, suas condutas e seu meio, e Dante escolhe Virgílio como guia. Para o professor, o saber passa a circular também fora das universidades, com mestres particulares e ateliês; e o contato com o Oriente, de Marco Polo, a serviço de Kublai Khan, à pólvora, à bússola e ao papel, abre a Europa ao novo. Depois de um século tão convulsionado, o que vem a seguir não podia ser manso.

O rei no centro

A terceira aula mostra o homem-medida na política. Com a Igreja enfraquecida desde as cruzadas, a peste e, sobretudo, a Guerra dos Cem Anos, o poder se concentra no rei absoluto, cabeça do corpo social, de quem saem a lei e a fé. Maquiavel, inspirado em César Bórgia, ensina que o príncipe precisa da astúcia da raposa e da força do leão; Jean Bodin liga o poder do rei a Deus; Hobbes, no Leviatã, justifica um soberano forte diante do homem que é lobo do homem. O rei toma dos nobres os exércitos, e o Estado passa a deter o monopólio da violência de que fala Max Weber.

Mercantilismo e grandes navegações

Na quarta aula, a riqueza deixa de ser sinônimo de terra e passa a ser comércio. Com a queda de Constantinopla, em 1453, a busca de novas rotas para o Oriente impulsiona as grandes navegações, das quais o Brasil é fruto. Os reis criam as regras do mercantilismo (balança comercial favorável, protecionismo e metalismo), e a burguesia as executa: é a cobra que um dia morderá o próprio absolutismo. A Espanha larga na frente, porque suas colônias já tinham ouro e prata, e a Igreja, que condena a usura, freia a burguesia católica.

Reforma, Contrarreforma e ciência

A quinta aula chega à religião. A “insensatez” dos papas renascentistas, tema de Barbara Tuchman, com a venda de indulgências e de cargos, alimenta as críticas de Savonarola e, em 1517, a Reforma de Lutero. Com a salvação pela fé, diz o curso, a burguesia se liberta das amarras católicas, e as regiões protestantes prosperam, como na tese de Max Weber sobre a ética protestante e o capitalismo. A Igreja responde com o Concílio de Trento e os jesuítas, que ganham na América os fiéis perdidos na Europa, enquanto Galileu defende o heliocentrismo e o antropocentrismo toma o lugar do teocentrismo.

A arte a serviço da burguesia e da Igreja

O curso fecha com os mestres da arte, de Giotto e Masaccio a Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael e Brunelleschi, que estudam a fundo o corpo humano e trabalham para mecenas burgueses e para os papas: a cúpula de Santa Maria del Fiore, o teto da Capela Sistina, a Escola de Atenas. A última palavra é uma dica de leitura para começar: O Renascimento, pequeno livro de Paul Johnson.

O que você vai aprender

  • Por que o Renascimento, entre os séculos XIV e XVI, tem um pé na Idade Média e outro na Modernidade, e por que o curso o analisa em cinco frentes: política, economia, religião, ciência e arte
  • Como a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, serve de fio condutor para o período
  • Por que o individualismo, com as obras assinadas, rompe com a coletividade medieval
  • Como o renascimento do comércio e das cidades, as repúblicas italianas e o contato com o Oriente abriram a Europa ao novo
  • Como o absolutismo concentrou o poder no rei e o que Maquiavel, Bodin e Hobbes pensaram sobre ele, à luz da definição de Estado de Max Weber
  • Quais eram as regras do mercantilismo e como elas se ligam às grandes navegações e à colonização do Brasil
  • Por que, segundo o curso, a Reforma Protestante favoreceu a burguesia, e o que Max Weber disse sobre a ética protestante e o capitalismo
  • Como a Igreja respondeu com o Concílio de Trento e a Companhia de Jesus, e por que a América Latina se tornou tão católica
  • Como Galileu, Brunelleschi, Michelangelo e Rafael expressam a passagem do teocentrismo ao antropocentrismo

Aula por aula

  1. Aula 1 O homem como medida: renascimento comercial e urbano

    Entre os séculos XIV e XVI, o Renascimento toma como norte a frase de Protágoras, “o homem é a medida de todas as coisas”, e com o individualismo abre o primeiro furo no manto da cristandade. O nome evoca também o renascimento do comércio e das cidades, puxado pelas repúblicas italianas.

    Explica por que, no Renascimento, as obras passam a ser assinadas: a coletividade anônima do corpo de Cristo cede lugar ao indivíduo.

    Renascimentohumanismoindividualismorenascimento comercialrepúblicas italianas ProtágorasChristopher DawsonPaul JohnsonDante AlighieriMarco Polo
    13 min
  2. Aula 2 Literatura renascentista, ateliês e a abertura ao Oriente

    Com Dante, Petrarca e Boccaccio, a literatura passa a narrar o homem em sociedade, para além da honra cavaleiresca e da teologia. Ateliês e mestres particulares atraem alunos antes destinados às universidades, e o contato com o Oriente, de Marco Polo à pólvora e à bússola, abre a Europa ao novo.

    Traça um paralelo entre o século XIV e o XIX: depois de séculos tão convulsionados como vulcões em erupção, o que vem a seguir não pode ser manso.

    literatura renascentistahumanismoateliês e universidadesMarco Polonovidades do Oriente Dante AlighieriPetrarcaBoccaccioVirgílioMarco Polo
    9 min
  3. Aula 3 Absolutismo: Maquiavel, Hobbes e o rei no centro

    Com a Igreja enfraquecida, sobretudo após a Guerra dos Cem Anos, o poder se concentra no rei absoluto, versão política do homem como medida de todas as coisas. Maquiavel, Bodin e Hobbes, entre outros, ajudam a pensar esse poder, que tira dos nobres os exércitos e centraliza a lei e a fé.

    Conta que O Príncipe se inspira em César Bórgia, filho do papa Alexandre VI, o mesmo que dividiu entre Portugal e Espanha as terras a descobrir.

    absolutismoEstado modernodireito divinoO PríncipeLeviatã MaquiavelCésar BórgiaJean BodinThomas HobbesMax Weber
    14 min
  4. Aula 4 Mercantilismo, grandes navegações e a ascensão da burguesia

    Com a queda de Constantinopla, a busca de novas rotas ganha força e leva às grandes navegações, e a riqueza passa da terra ao comércio. Os reis absolutistas criam as regras do mercantilismo, como balança favorável e metalismo, mas é a burguesia que as executa, freada pela condenação católica da usura.

    Explica por que a Espanha largou na frente de Portugal: suas colônias já tinham ouro e prata, e Portugal precisava converter especiarias, pau-brasil e cana em metais preciosos.

    mercantilismograndes navegaçõesmetalismoburguesiausura Karl MarxVasco da GamaAlexandre VI
    11 min
  5. Aula 5 Reforma, Contrarreforma e a arte do Renascimento

    A “insensatez” dos papas renascentistas, com a venda de indulgências, alimenta a Reforma de Lutero, que para o curso liberta a burguesia das amarras católicas, na linha de Max Weber. A Igreja responde com Trento e os jesuítas na América, enquanto Galileu e os mestres da arte consagram o antropocentrismo.

    Traz a ironia atribuída a Francisco I da França: onde, no testamento de Adão, estaria escrito que seu reino não tinha direito às terras do Novo Mundo?

    Reforma ProtestanteContrarreformaética protestanteantropocentrismoarte renascentista Barbara TuchmanSavonarolaMartinho LuteroMax WeberPaul Johnson
    23 min

Autores, obras e figuras discutidos

Protágoras · Christopher Dawson · Paul Johnson · Dante Alighieri · Marco Polo · Petrarca · Boccaccio · Virgílio · Maquiavel · César Bórgia · Jean Bodin · Thomas Hobbes · Max Weber · Karl Marx · Vasco da Gama · Alexandre VI · Barbara Tuchman · Savonarola · Martinho Lutero