O nome “Baixa Idade Média” sugere decadência, mas é justamente nesse período que surgem as universidades, se erguem as catedrais góticas e São Tomás de Aquino escreve a Suma Teológica. O “baixa” é cronológico: indica a fase mais tardia da Idade Média, não a pior.
Baixa Idade Média
Das cruzadas a Dante: o auge da cristandade medieval e a crise do século XIV, que abre caminho ao Renascimento.
Professor Guilherme AlmeidaDo que trata o curso
Muita gente ouve “Baixa Idade Média” e imagina um tempo de decadência. Este curso mostra o contrário: entre os séculos X-XI e XV, com o renascimento do comércio e das cidades, a Idade Média vive o seu auge intelectual, arquitetônico e teológico. Continuação direta do curso Alta Idade Média, ele acompanha uma Europa em que a Igreja segue como a grande instituição, mas os reis ganham cada vez mais poder.
O percurso começa pelas cruzadas, convocadas por Urbano II em 1095. Elas não deram terras à nobreza nem grande prestígio à Igreja, mas abriram a Europa a novos saberes, como o Aristóteles que chega pelas mãos de Averróis e passa a ser estudado nas universidades. Na mesma época se erguem as catedrais góticas, de Saint-Denis à Sainte-Chapelle, lidas no curso como um livro aberto em pedra e vitral e como um caminho de elevação espiritual.
Em seguida vêm as tensões entre o poder espiritual e o temporal: os cismas do Oriente e do Ocidente, a querela das investiduras, o século XIII de São Francisco e São Tomás de Aquino e, logo depois, Filipe, o Belo, que destrói os templários, e as coroas da França e da Inglaterra, entrelaçadas até a Guerra dos Cem Anos.
O curso termina no “terrível século XIV” de que fala a historiadora Barbara Tuchman: a Peste Negra mata cerca de um terço da Europa e abala a autoridade da Igreja, às voltas com o papado de Avignon. No mesmo século, a Comédia de Dante, herdeira dos romances de cavalaria, põe um pé no mundo medieval e outro numa nova realidade. A despedida fica com uma tese que o professor toma de Paul Johnson: o Renascimento, tema do curso seguinte, foi a última fase da Idade Média.
Para quem é
- Quem fez o curso Alta Idade Média e quer acompanhar o período até o fim
- Quem quer um panorama curto e bem amarrado da Idade Média em seu auge
- Pais e professores que ensinam história e procuram uma narrativa clara sobre cruzadas, catedrais e Peste Negra
- Leitores de Dante, de São Tomás ou dos romances de cavalaria que querem situar essas obras em seu tempo
- Quem desconfia da ideia de que a Idade Média foi um tempo de atraso e decadência
O que você vai aprender
- Por que a Baixa Idade Média, dos séculos X-XI ao XV, é o auge do período medieval, e não a sua decadência
- O que as cruzadas trouxeram e o que não trouxeram, e por que a nobreza saiu delas enfraquecida diante dos reis
- Como as cruzadas se ligam ao nascimento das universidades e à chegada de Aristóteles pelas mãos de Averróis
- Como ler uma catedral gótica: o contraste com o românico, as gárgulas, os vitrais como livro aberto e a busca de elevação
- O que foram os cismas do Oriente e do Ocidente e a querela das investiduras
- Por que o século XIII, de São Francisco e São Tomás de Aquino, tem grande fôlego teológico, e o que distingue a patrística de Agostinho da escolástica de Tomás
- Como Filipe, o Belo, e o processo contra os templários marcam o avanço do poder temporal sobre o espiritual
- Como a Peste Negra, o papado de Avignon e a Guerra dos Cem Anos abalaram a autoridade da Igreja no século XIV
- Por que a Comédia de Dante, herdeira dos romances de cavalaria e do ideal do cavaleiro, é vista como porta de entrada do Renascimento
Por que estudar isso hoje
Muito do que ainda faz parte da vida ocidental ganhou forma nesses séculos: a universidade, a catedral gótica, o esforço de pensar a fé com as ferramentas da filosofia, a disputa entre o poder dos reis e o da Igreja. Entender a Baixa Idade Média é entender de onde vêm essas instituições e esses debates, e também desfazer a ideia de que o período medieval foi só atraso e estagnação.
O curso ajuda ainda a ver como uma civilização entra em crise. Em poucas décadas, a peste, as guerras e os cismas abalaram certezas que pareciam firmes, e desse abalo saiu um mundo novo. Em cerca de 45 minutos, oferece um mapa claro do período, útil para quem ensina história em casa ou na escola e bom ponto de partida para estudar Dante e o Renascimento.
As 3 aulas do curso
Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.
-
Aula 1 Cruzadas, universidades e catedrais góticas
Com o renascimento do comércio e das cidades, a Baixa Idade Média vive o auge do período medieval. As cruzadas, iniciadas em 1095, não trazem terras nem prestígio, mas abrem a Europa a novos saberes, como o Aristóteles de Averróis, estudado nas universidades; as catedrais góticas traduzem em pedra e vitral a elevação espiritual.
Propõe um exercício de imaginação: entrar na Sainte-Chapelle como um camponês ou um peixeiro medieval e ver a Bíblia contada nos vitrais, do chão ao teto.
renascimento urbanocruzadasuniversidades medievaisAverróis e Aristótelesarquitetura gótica16 min -
Aula 2 Cismas, escolástica e a força dos reis
Os cismas do Oriente e do Ocidente e a querela das investiduras marcam as tensões entre a Igreja e os reis. O século XIII, de São Francisco e São Tomás de Aquino, é o auge teológico, mas Filipe, o Belo, ao destruir os templários, mostra o poder temporal avançando sobre o espiritual.
Do filme Coração Valente à Guerra dos Cem Anos, que durou 116 anos, mostra como as coroas da França e da Inglaterra se entrelaçam rumo ao “terrível século XIV”.
cismas da Igrejaquerela das investiduraspatrística e escolásticatempláriospoder temporal e espiritual15 min -
Aula 3 Peste Negra, o terrível século XIV e Dante
A Peste Negra, que entra pelos portos italianos e se espalha a partir de 1348, mata um terço da Europa e abala a autoridade da Igreja, às voltas com o papado de Avignon, enquanto os reis se fortalecem. No mesmo século, a Comédia de Dante, herdeira dos romances de cavalaria, abre caminho para o Renascimento.
Das máscaras bicudas dos médicos da peste ao cavaleiro que joga xadrez com a Morte em O Sétimo Selo, de Bergman, reconstrói o imaginário do “terrível século XIV”.
Peste Negrapapado de Avignonséculo XIVDante Alighieriromances de cavalaria14 min
Quanto você já sabe sobre Baixa Idade Média?
5 perguntas rápidas, sorteadas entre 30. Você vê a resposta na hora, com uma explicação curta. Dá para jogar quantas rodadas quiser.
Curiosidades sobre o tema
As cruzadas não deram às nobrezas europeias as terras que buscavam, nem grande prestígio à Igreja. Seu fruto mais duradouro, diz o curso, foi outro: os novos saberes que passaram a circular na Europa e chegaram às universidades.
O curso se encerra com uma paráfrase de “O Renascimento”, de Paul Johnson: o Renascimento, em sentido amplo, foi a última fase da Idade Média. É um convite a ver continuidade onde se costuma ver ruptura.
Para o curso, as cruzadas fortaleceram os reis de um jeito indireto: a nobreza, que se lançou de cabeça nas expedições, saiu delas enfraquecida, enquanto o poder das monarquias se manteve de pé.
O filósofo muçulmano Averróis foi o grande comentador de Aristóteles, e seus escritos marcaram a leitura que a Europa cristã, das universidades a São Tomás de Aquino, fez do filósofo grego. Em sua própria terra, porém, acabou perseguido pelos radicais de sua tradição.
As universidades, uma das grandes invenções da Idade Média, nasceram à sombra da Igreja. Em Paris, Oxford ou Salamanca, eram sobretudo clérigos que ensinavam e faziam circular o conhecimento.
A Basílica de Saint-Denis, nos arredores de Paris, é considerada a primeira igreja gótica. Hoje é também necrópole de boa parte dos reis da França.
Notre-Dame de Paris, que hoje vemos na cor da pedra, já foi colorida: os portais e as esculturas da fachada eram pintados. O tempo apagou as cores, e o gótico que conhecemos é uma versão desbotada do original.
Numa sociedade em que quase ninguém sabia ler, os vitrais eram um grande livro aberto. O curso propõe um exercício: entrar na Sainte-Chapelle, em Paris, como um camponês ou um peixeiro da época e ver a Bíblia contada em luz e cor, do chão ao teto.
Luís IX, o São Luís, comprou a relíquia da coroa de espinhos de Cristo e mandou erguer a Sainte-Chapelle, em Paris, para guardá-la: a igreja inteira foi pensada como um relicário. Hoje a relíquia fica na catedral de Notre-Dame.
O Cisma do Oriente, de 1054, separou a Igreja de Roma da de Constantinopla e deu origem à divisão entre católicos e ortodoxos. Até hoje os ortodoxos são maioria em países como a Grécia e a Rússia.
Na querela das investiduras, conta-se que o rei Henrique IV, excomungado, foi pedir perdão ao papa descalço e vestido de penitente. A imagem é forte: naquele momento, o poder temporal ainda se ajoelhava diante do espiritual.
São Francisco de Assis morreu em 1226; poucas décadas depois, São Tomás de Aquino escrevia a Suma Teológica. Humildade radical e profundidade intelectual no mesmo século, que o curso vê como um dos mais fortes da teologia cristã.
Em 1314, Jacques de Molay, último grão-mestre dos templários, morreu na fogueira em Paris. O processo que Filipe, o Belo, moveu contra a ordem e sua fortuna é, para o curso, um sinal claro do poder temporal avançando sobre o espiritual.
O filme “Coração Valente”, de Mel Gibson, tem como pano de fundo o reinado de Eduardo I da Inglaterra e seu filho, o futuro Eduardo II, que se casou com Isabel da França, filha de Filipe, o Belo. É o mesmo enredo de coroas entrelaçadas que o curso acompanha até a Guerra dos Cem Anos.
A Guerra dos Cem Anos, apesar do nome, durou 116: de 1337 a 1453, com longas tréguas no meio. Na raiz do conflito estava a pretensão de Eduardo III da Inglaterra, neto de Filipe, o Belo, por parte de mãe, ao trono francês.
Muitos viam a peste como um castigo que vinha levar os pecadores. Mas a população via morrerem também padres e fiéis devotos, e essa explicação perdeu força. Para o curso, foi também assim que a Peste Negra abalou a autoridade da Igreja.
Em 1348, a peste avançou pela Itália a partir dos portos que comerciavam com o Oriente. Em Florença, estima-se que mais da metade da população tenha morrido em poucos meses.
A máscara bicuda dos “médicos da peste”, que virou símbolo das epidemias, é bem posterior à Peste Negra: só aparece no século XVII. O bico levava ervas aromáticas porque se acreditava que a doença se espalhava pelo ar.
Barbara Tuchman chamou seu livro sobre o século XIV de “Um espelho distante” porque via naquele tempo de peste, guerras e cismas um reflexo das catástrofes do século XX. O subtítulo brasileiro, “o terrível século XIV”, é a expressão que o curso usa para o período.
Guilherme Almeida
Guilherme Almeida é professor há mais de 20 anos, graduado em história e especialista em história geral.
Outros cursos de Guilherme Almeida
Alta Idade Média Guilherme Almeida 4 aulas
Era Napoleônica Guilherme Almeida 3 aulas
Gregos: o Fundamento do Ocidente Guilherme Almeida 6 aulas
Império Bizantino Guilherme Almeida 2 aulas
Início do Século XX: Guerra e Revolução Guilherme Almeida 5 aulas
Mercantilismo Guilherme Almeida 4 aulas
O Grande Século XIX Guilherme Almeida 6 aulas
Os Francos e o Nascimento da Cristandade Guilherme Almeida 5 aulas
Renascimento Guilherme Almeida 5 aulas
Revolução Francesa Guilherme Almeida 16 aulas
Revoluções Burguesas Guilherme Almeida 9 aulas
Roma Guilherme Almeida 7 aulas Cursos relacionados
Temas vizinhos, próximos passos da trilha e cursos da mesma área.
Comece agora
Este curso faz parte do combo Um Passeio pela História. Leve o combo ou escolha o Acesso Completo e estude todos os 37 cursos da Tutora.
Um Passeio pela História
Os 12 cursos de panorama do professor Guilherme Almeida, da Grécia antiga ao início do século XX, num pacote só.
R$ 299,60
à vista ou parcelado no cartão
- 12 cursos, 59 aulas em vídeo (16 horas), incluindo este
- 7 dias de garantia
- Compra segura pela Hotmart
Ver os 12 cursos do combo
Os 37 cursos da Tutora
R$ 598,80
por ano, em até 12x no cartão
- Acesso a todos os 37 cursos do catálogo
- Plano anual: renova até você cancelar
- 7 dias de garantia
- Compra segura pela Hotmart
Na Hotmart, aparece como “Cursos da Tutora”.