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Patrística: Agostinho e Pseudo-Dionísio

Como Agostinho e o Pseudo-Dionísio transformaram por dentro o neoplatonismo e moldaram o pensamento cristão

Professor Gabriel De Vitto
13 aulas 7h39
Sinopse

Do que trata o curso

Entre os séculos IV e VI, dois autores releram em chave cristã o neoplatonismo, a filosofia mais robusta do seu tempo: Santo Agostinho e o autor conhecido como Pseudo-Dionísio Areopagita. Para entendê-los, o curso começa pelos pressupostos: um cristianismo nascido do judaísmo e perseguido pelo Império, as escolas de Alexandria e Antioquia, a crise ariana e o Concílio de Niceia, a educação latina em gramática e retórica e o neoplatonismo de Plotino, rival e ao mesmo tempo ferramenta do pensamento cristão.

Agostinho aparece primeiro no seu mundo: o Império em crise, a formação de retor, o maniqueísmo, a dupla conversão, ao cristianismo e ao neoplatonismo, ouvindo Ambrósio em Milão, e uma obra escrita sob a pressão da vida de bispo. Depois vêm as grandes linhas do seu pensamento: o “creio para entender e entendo para crer”, a angústia feita alimento da vida interior, o diálogo com Deus nos palácios da memória e a analogia trinitária da alma, com a qual ele reforma Plotino por dentro. Um panorama de sua recepção, de Boécio a Wittgenstein, fecha o bloco.

A segunda metade prepara e expõe o Pseudo-Dionísio. Passa pela patrística grega, de Justino e Orígenes aos padres capadócios, e pelo neoplatonismo tardio de Jâmblico e Proclo; conta como o corpus dionisiano foi lido por quase mil anos como obra do discípulo de São Paulo, até a crítica provar sua dependência de Proclo; e apresenta seu sistema: a tearquia, a processão e o retorno, o homem como ponte entre espírito e matéria, as teologias simbólica, discursiva e mística, as hierarquias e a divinização. Segue-se sua influência, de Máximo Confessor e Tomás de Aquino a João da Cruz e à fenomenologia.

A última aula amplia o quadro: mostra por quais caminhos, o patrístico e o greco-árabe, o platonismo chegou a uma Idade Média que praticamente só conhecia o Timeu, até a tradução completa de Platão por Marsílio Ficino, e defende que a tradição, longe de mutilar os textos, é um diálogo vivo com eles.

Para quem é

  • Estudantes de filosofia e teologia que querem conhecer as raízes patrísticas do pensamento cristão ocidental
  • Leitores de Agostinho, Tomás de Aquino ou dos místicos cristãos que buscam um mapa das fontes que eles herdaram
  • Interessados em Platão e no neoplatonismo que querem ver como Plotino e Proclo foram lidos e transformados pelos cristãos
  • Pessoas de fé que desejam entender como nasceram noções como Trindade, pessoa, graça e mística
  • Quem se reconhece na inquietação de Agostinho e procura um pensador que fez dela caminho de interioridade
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Apresentação do curso
Aprendizados

O que você vai aprender

  • Por que o cristianismo antigo, nascido do judaísmo e perseguido pelo Império, se voltou à exegese e à defesa da fé, e como a crise ariana levou a Niceia
  • Como os cristãos latinos se apropriaram da educação em gramática e retórica e do vocabulário filosófico latino, de Tertuliano a Santo Ambrósio
  • O que são as três hipóstases de Plotino, o retorno ao Uno e a teologia negativa
  • Como o maniqueísmo e a pregação de Ambrósio marcaram a conversão de Agostinho, e o sentido de “creio para entender e entendo para crer”
  • Por que Agostinho fala ao homem de hoje: a angústia como alimento, a reflexividade e o diálogo com Deus na memória
  • A analogia trinitária da alma (memória, inteligência e vontade) e em que ela reforma a união com o Uno proposta por Plotino
  • Como a herança de Agostinho foi recebida com ênfases diferentes, de Boécio e Anselmo aos carmelitas, aos reformadores e a Descartes
  • O que distingue as escolas de Alexandria e Antioquia e como Jâmblico e Proclo fizeram do neoplatonismo uma religião e um sistema
  • Quem foi o Pseudo-Dionísio e como ele relê Proclo em chave cristã: tearquia, processão e retorno, as três teologias, as hierarquias e a divinização
  • Por quais caminhos o Pseudo-Dionísio e o platonismo chegaram à escolástica e ao Renascimento, de Hugo de São Vítor a Tomás de Aquino e Ficino
Por que importa

Por que estudar isso hoje

Boa parte do vocabulário com que ainda pensamos a fé e a vida interior (pessoa, Trindade, graça, interioridade, mística, hierarquia) foi forjada nesses séculos, no encontro, às vezes áspero, entre a mensagem cristã e a filosofia grega. Conhecer Agostinho e o Pseudo-Dionísio é reencontrar a origem dessas categorias e perceber que elas não surgiram prontas: nasceram de disputas reais, de conversões e do trabalho paciente de reler os antigos à luz da fé.

O curso mostra também que esses autores não são peças de museu. Agostinho viveu a angústia que Heidegger viu como a marca do nosso tempo e ensinou a fazer dela caminho para dentro, e não fuga para a distração; sua ideia de que a pessoa se descobre no diálogo com Deus e com os outros responde de frente ao individualismo. O Pseudo-Dionísio vê no homem a ponte entre o espírito e a matéria e, na cultura, um modo de elevar o mundo. Para quem cuida da própria formação e da formação dos filhos, é uma escola de interioridade e de leitura da tradição como diálogo vivo.

Conteúdo

As 13 aulas do curso

Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.

Resumo completo
  1. Aula 1 Cristianismo antigo: das origens judaicas a Niceia

    O cristianismo antigo, nascido do judaísmo, voltado à exegese e à defesa da fé diante de um Império que o perseguia. Distingue as escolas de Alexandria, aberta à filosofia grega, e de Antioquia, apegada à letra da Escritura, e mostra como a crise ariana levou ao Concílio de Niceia, marco para Agostinho e o Pseudo-Dionísio.

    Entender por que Marco Aurélio, estoico de virtude exemplar, perseguiu com dureza os cristãos ajuda a desfazer o mito de uma aliança natural entre cristianismo e Império.

    paleocristianismoperseguiçõesAlexandria e AntioquiaarianismoConcílio de Niceia
    31 min
  2. Aula 2 Patrística latina: educação, vocabulário e Santo Ambrósio

    O pensamento latino, prático e voltado à ética e à política, formava-se na educação em gramática e retórica. Os cristãos assumem essa pedagogia, ideias estoicas e herméticas e o vocabulário filosófico latino; destacam-se Tertuliano, Mário Vitorino, tradutor de Plotino, e Santo Ambrósio, bispo de Milão.

    Palavras que hoje parecem óbvias foram conquistadas: Tertuliano tirou “pessoa” do vocabulário jurídico romano e foi o primeiro a aplicá-la a Deus.

    patrística latinagramática e retóricaestoicismohermetismovocabulário teológico
    34 min
  3. Aula 3 Do platonismo antigo às três hipóstases de Plotino

    Do platonismo antigo ao neoplatonismo: a doutrina oral de Platão, a guinada cética da Academia e a retomada metafísica e religiosa dos médio-platônicos em Alexandria. Plotino, discípulo de Amônio Sacas, propõe as três hipóstases (Uno, espírito e alma do mundo), o retorno ao Uno pelo conhecimento de si e a teologia negativa.

    Um sistema pagão, rival do cristianismo, acabaria se tornando a ferramenta filosófica mais robusta dos pensadores cristãos, e entender Plotino é entender essa virada.

    médio-platonismopaganismo tardo-antigoPlotinotrês hipóstasesteologia negativa
    37 min
  4. Aula 4 Agostinho entre a crise romana e a conversão

    Santo Agostinho no fim da cultura antiga: um Império em crise política, financeira e moral forma o jovem retor. Da adesão ao maniqueísmo à dupla conversão, ao cristianismo e ao neoplatonismo, ouvindo Ambrósio em Milão; o lema “creio para entender e entendo para crer”; o bispo de Hipona e sua obra escrita sob demanda pastoral.

    Conta-se que o bispo Agostinho passava cinco ou seis horas por dia julgando causas como o roubo de uma galinha, e ainda assim deixou quase 50 volumes.

    crise do Impériomaniqueísmoconversãofé e razãoConfissões
    33 min
  5. Aula 5 Agostinho, a angústia e o homem contemporâneo

    Por que ler Agostinho hoje: com Joseph Ratzinger, ele é visto como “o primeiro homem moderno”, cuja vida interior se nutria do “pão da angústia e da aflição”. Percorre a reflexividade, o diálogo com Deus nos palácios da memória, a beleza de uma vida bem narrada e o sentido da história na Cidade de Deus.

    Heidegger via na angústia a tonalidade afetiva do nosso tempo; Agostinho, em vez de fugir dela pelo divertimento de que falava Pascal, fez dela alimento.

    angústiareflexividadememóriabelezaCidade de Deus
    32 min
  6. Aula 6 A analogia trinitária da alma em Agostinho

    A analogia trinitária da alma: memória, inteligência e vontade espelham o Pai, o Filho e o Espírito Santo e buscam a beleza, a verdade e o bem. Do conhecimento de si à necessidade da graça, mostra como Agostinho reforma Plotino por dentro: a união com Deus não dissolve a pessoa, mas afirma sua identidade.

    O simples gesto de se reconhecer no espelho, e o desânimo de quem já não consegue querer a si mesmo, mostram como a Trindade se reflete na vida interior.

    analogia trinitáriafaculdades da almaconhecimento de sigraçaênosis
    32 min
  7. Aula 7 A recepção de Agostinho ao longo dos séculos

    A herança de Agostinho, recebida com ênfases diferentes em cada tradição: o “teologismo” medieval de Boécio a Tomás de Aquino, com Anselmo, os vitorinos e Boaventura; a psicologia conservada pelos carmelitas; a graça entre luteranos e calvinistas; a epistemologia de Descartes; e as leituras contemporâneas, da fenomenologia a Wittgenstein.

    Por que a psicologia agostiniana das três faculdades sumiu das universidades e sobreviveu entre os místicos carmelitas, e por que Descartes pouco admitia o que devia a Agostinho?

    agostinismo medievalfranciscanosmística carmelitacogitorecepção contemporânea
    41 min
  8. Aula 8 Patrística grega: Alexandria, Antioquia e os capadócios

    A patrística oriental: Constantinopla se torna o centro do mundo grego, mas o debate teológico se dá entre Alexandria, helênica, e Antioquia, escriturística. Percorre Justino, Clemente e Orígenes, as grandes heresias como ocasião de precisão doutrinal e os padres capadócios, iniciadores do neoplatonismo cristão oriental.

    Justino passou por estoicos, platônicos e pitagóricos até que, diz a lenda, um velho desconhecido numa praia lhe apresentou o cristianismo como a verdadeira filosofia.

    patrística gregaEscola de Alexandriaheresias cristológicaspadres capadócioshexaemeron
    35 min
  9. Aula 9 Jâmblico, Proclo e o neoplatonismo tardio

    O neoplatonismo tardio: Jâmblico faz dele uma religião centrada na teurgia e abre uma contradição entre filosofia e magia. Proclo, à frente da escola neoplatônica de Atenas, tenta resolvê-la num grande sistema de tríades, cujo ciclo de imanência, processão e retorno será decisivo para o Pseudo-Dionísio e para a Idade Média.

    Proclo, apresentado como o Tomás de Aquino do paganismo, lia Homero como texto sagrado e via no nome verdadeiro de cada coisa uma forma de poder sobre ela.

    Jâmblicoteurgiaescola de AtenasProcloprocessão e retorno
    39 min
  10. Aula 10 Pseudo-Dionísio: da lenda à crítica histórica

    A lenda de Dionísio Areopagita, figura que fundiu o convertido de Paulo no Areópago, o bispo de Atenas e o Saint-Denis de Paris. Narra a autoridade quase apostólica do corpus, as dúvidas de Valla e Erasmo, a prova de sua dependência de Proclo no século XIX e o consenso atual: um autor sírio vindo do neoplatonismo.

    Digna de Indiana Jones, nas palavras do professor, a história do corpus dionisiano passa pelo nacionalismo francês e pela Universidade de Paris, que tinha em Dionísio sua “prata da casa”.

    Pseudo-Dionísioautoriacrítica históricaProcloSaint-Denis
    31 min
  11. Aula 11 Tearquia, hierarquias e divinização no Pseudo-Dionísio

    O sistema do Pseudo-Dionísio, que relê Proclo em chave cristã: a tearquia trinitária cria livremente o mundo e deixa nele a marca que o faz retornar a ela. Com leitura dos Nomes Divinos, articula o homem como ponte entre espírito e matéria, as teologias simbólica, discursiva e mística, as hierarquias e a divinização.

    Por que o Pseudo-Dionísio prefere dizer “tearquia” em vez de “Deus”, e por que mística, para a tradição cristã, é união com Deus e não visões extraordinárias?

    tearquiaprocessão e retornoteologia místicahierarquia celestedivinização
    44 min
  12. Aula 12 A recepção do Pseudo-Dionísio, da Idade Média a hoje

    A recepção do corpus dionisiano como fio da história da espiritualidade cristã: dos escólios de Máximo Confessor e das traduções de Hilduíno e Eriúgena a Hugo de São Vítor, Alberto Magno, Boaventura e Tomás de Aquino; da mística renana a João da Cruz; e daí a Hegel, Heidegger e à fenomenologia.

    Sem o Pseudo-Dionísio, sustenta o professor, Tomás de Aquino não teria feito sua síntese entre Aristóteles e Agostinho; a aula segue também o “raio tenebroso” até João da Cruz.

    corpus dionisianorecepção medievalescolásticamística renanafenomenologia
    38 min
  13. Aula 13 Os caminhos do platonismo até a escolástica

    Como o platonismo chegou a um Ocidente medieval que praticamente só tinha o Timeu: pela via patrística, que assimilava conceitos sem citar fontes, e pela greco-árabe, que fazia passar por Aristóteles textos neoplatônicos como o Livro das Causas. De Alberto Magno e Tomás a Ficino, a tradição enriqueceu a leitura de Platão.

    Sem a noção moderna de direito autoral, um discípulo antigo podia assinar com o nome do mestre, e isso explica por que é tão difícil separar Platão do platonismo.

    platonismo medievalpatrísticatradição greco-árabeLiber de CausisRenascimento
    32 min
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Curiosidades sobre o tema

Para pensar

Marco Aurélio, autor das célebres Meditações e modelo de virtude estoica, foi um perseguidor sanguinário de cristãos. Não por crueldade gratuita: para ele, como para outros imperadores zelosos, o cristianismo era uma chaga, um fator de instabilidade mortal para o Império.

Da história

A primeira vez que os cristãos foram chamados de “cristãos” não foi em Jerusalém nem em Roma, mas em Antioquia — cidade que hoje fica na fronteira da Turquia com a Síria.

Para pensar

Os cristãos chegaram à China muito antes de Marco Polo. As rotas comerciais que ligavam o Império Romano ao Extremo Oriente eram também rotas de disseminação religiosa, e havia colônias cristãs disseminadas ao longo delas.

Referência

A obra completa de Platão só ficou disponível em latim no fim do século XV. Durante toda a Idade Média, o Platão lido no Ocidente era basicamente o Timeu — por isso, para os medievais, Platão era sobretudo um filósofo da natureza.

No dia a dia

A palavra “pessoa” nem sempre teve a dignidade que tem hoje: era um termo do vocabulário romano, de uso jurídico. Tertuliano foi o primeiro a aplicá-la às pessoas da Trindade e ao ser humano, abrindo caminho para o conceito cristão de pessoa.

Da história

Segundo um relato citado no curso, a Alexandria dos séculos II e III abrigava escolas judaicas, cristãs, médio-platônicas, hindus e talvez budistas, que se debatiam, refutavam e influenciavam umas às outras numa cidade de cerca de 500 mil habitantes.

Para pensar

Plotino, o maior filósofo pagão depois de Aristóteles segundo o curso, estudou em Alexandria com Amônio Sacas, mestre que fontes antigas dizem ter sido criado no cristianismo e cujas aulas teria frequentado também Orígenes, um dos maiores padres da Igreja. O grande rival filosófico do cristianismo nasceu muito perto dele.

No dia a dia

Agostinho era tão sensível à beleza que até o canto litúrgico o inquietava: temia que o prazer da melodia o dispersasse e o fizesse “sair de si”, distraindo-o do que era cantado.

Da história

Santo Ambrósio, bispo de Milão, chegou a excomungar o imperador Teodósio por causa de sua violência. No século IV, um bispo era também figura política e social, que cuidava tanto da formação quanto da proteção material do seu povo.

Referência

A obra de Santo Agostinho ocupa quase 50 volumes numa de suas edições completas. Tudo isso foi escrito por um bispo que passava cinco ou seis horas do dia atendendo petições — alguém roubou minha galinha, o que faço? — e escrevia “sob demanda”, conforme as polêmicas chegavam.

Para pensar

Para os antigos, conhecer o nome verdadeiro de uma coisa era ter poder sobre ela. Não é à toa que, nos filmes de exorcismo, o exorcista exige que o demônio diga seu nome: a ideia atravessa milênios de pensamento ocidental.

Da história

Durante cerca de mil anos, os escritos de Pseudo-Dionísio passaram por obra do discípulo de São Paulo. O humanista Lorenzo Valla lançou a dúvida no século XV, mas a prova só veio no fim do século XIX, quando dois estudiosos alemães mostraram, pela análise do vocabulário, que o autor dependia de Proclo.

Referência

Dante, na Divina Comédia, organiza os coros dos anjos segundo a hierarquia celeste de Pseudo-Dionísio — sinal de quanto esse autor penetrou na cultura ocidental, da teologia à literatura.

No dia a dia

A palavra “mística” não significa, originalmente, visões, levitações ou fenômenos paranormais. Significa simplesmente a união do crente com seu Deus — uma vida vivida em consciência permanente dessa relação.

Da história

Carlos Magno sonhava fazer de sua corte uma nova Atenas, capaz de rivalizar com Constantinopla. Foi na corte de seus sucessores, no século IX, que Pseudo-Dionísio ganhou tradução latina — duas vezes, porque a primeira, de Hilduíno, era tão ruim que precisou ser refeita por João Escoto Eriúgena.

Para pensar

Na Idade Média, Aristóteles “ganhou” obras que nunca escreveu. O Livro das Causas, que circulava com o nome dele, é na verdade uma compilação de ideias de Proclo, e Tomás de Aquino, ao lê-lo, percebeu que aquilo não podia ser do autor da Ética a Nicômaco.

No dia a dia

O “penso, logo existo” de Descartes tem raízes em Agostinho, que mais de mil anos antes buscou contra os céticos um ponto de partida seguro para o conhecimento. Descartes pouco admitiu a dívida, mas teve contato com os oratorianos, ordem profundamente agostiniana.

Referência

Segundo o curso, T. S. Eliot, que era anglicano, tinha São João da Cruz por um dos maiores poetas de todos os tempos, admiração que não vinha de afinidade religiosa. A mística carmelita é também alta literatura.

Da história

Na África do tempo de Agostinho, pregar ao povo cabia ao bispo. Agostinho, ordenado padre quase à força, recebeu licença para pregar mesmo assim, algo incomum, graças ao talento de explicar coisas profundas com palavras simples.

Para pensar

Werner Beierwaltes, apontado no curso como talvez o maior historiador do platonismo, defendia que Pseudo-Dionísio não é um mero repetidor de Proclo, mas um pensador original, com vigor próprio diante do neoplatonismo do seu tempo.

Gabriel De Vitto em gravação
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Gabriel De Vitto

Gabriel De Vitto é professor de filosofia no ensino superior, mestre pela PUC-SP e doutorando na Universidade de Navarra.

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