Início do Século XX: Guerra e Revolução
Como a Primeira Guerra, a Revolução Russa e a paz de Versalhes prepararam as tragédias do século XX
Visão geral
Continuação do curso O Grande Século XIX, este curso introdutório acompanha a convergência de dois acontecimentos que mudaram a história da Europa: a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. O ponto de partida são as tensões acumuladas no fim do século XIX: o nacionalismo e a partilha da África e da Ásia, o revanchismo francês pela Alsácia-Lorena, a rivalidade entre austríacos e russos em torno dos povos eslavos, a indústria alemã que tomou da Inglaterra o título de “oficina do mundo” e a disputa pelos estreitos que ligam o Mar Negro ao Mediterrâneo.
Somadas às duas grandes alianças, a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança, essas crises fazem do atentado de Sarajevo, em 1914, uma guerra continental. O professor Guilherme Almeida divide o conflito em três fases: a guerra de movimento, com a célebre trégua de Natal de 1914; a guerra de trincheiras, com metralhadoras, gás e aviões; e a entrada dos Estados Unidos em 1917, que ele explica pelos empréstimos feitos à Entente.
A Revolução Russa ocupa o centro do curso: a Rússia atrasada de Nicolau II, a derrota para o Japão em 1905, o Domingo Sangrento e a figura de Rasputin corroendo a imagem do czar; a divisão entre mencheviques e bolcheviques; a revolução de fevereiro de 1917, a volta de Lenin com a ajuda alemã, as Teses de Abril e a tomada do poder em outubro; depois, a saída da guerra, a guerra civil, o partido único, a NEP e a luta entre Stalin e Trotsky.
A última aula fecha os dois processos com o Tratado de Versalhes, analisado em suas dimensões política, militar e econômica, e com os demais tratados que redesenharam a Europa e o Oriente Médio. Termina nos “loucos anos 20”, entre a euforia de Paris e a Lei Seca americana, com a crise de 1929 e os totalitarismos já no horizonte.
O percurso do curso
O caminho até a guerra (aula 1)
O curso parte do nacionalismo das potências, movido pela busca de matérias-primas, mão de obra e mercados, que levou à partilha da África e da Ásia. Sobre esse fundo surgem cinco crises: o revanchismo francês pela Alsácia-Lorena, perdida na Guerra Franco-Prussiana; a rivalidade entre a Áustria-Hungria e a Rússia, guardiã dos povos eslavos; a indústria alemã, que tirou da Inglaterra o título de “oficina do mundo”; a aliança da Alemanha com o Império Otomano e a disputa russa pelos Dardanelos; e o domínio austríaco sobre a Bósnia, cobiçada pela Sérvia.
Somadas às alianças, a Tríplice Entente (Rússia, França e Inglaterra) e a Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e, até 1915, Itália), essas crises fazem do assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando por um membro da Mão Negra o início de um efeito dominó: a declaração de guerra austríaca à Sérvia arrasta, uma após outra, Rússia, Alemanha, França e Inglaterra para o conflito.
A guerra (aula 2)
A guerra de movimento mobiliza uma geração formada por uma escola nacionalista e por cartazes que demonizavam o inimigo. É nesse quadro que acontece a trégua de Natal de 1914: um “Noite Feliz” cantado na trincheira alemã, acompanhado por uma gaita de foles escocesa, leva inimigos a confraternizar na terra de ninguém. Depois vem a guerra de trincheiras, com metralhadoras, granadas, gás e aviões, e por fim a entrada dos Estados Unidos em 1917, que o professor atribui ao risco de não receber de volta os empréstimos feitos à Entente.
A Rússia e a revolução (aulas 3 e 4)
A Rússia de Nicolau II entra no século XX atrasada e desigual, exportando trigo enquanto o povo passava fome. A derrota para o Japão em 1905, o Domingo Sangrento e a presença de Rasputin junto ao czar corroem a imagem do “paizinho”, e a oposição se divide entre mencheviques, adeptos de um socialismo gradual, e bolcheviques, que queriam a ruptura. Para Lenin, bastavam dois elementos para a revolução: governo enfraquecido e líderes.
Em fevereiro de 1917 o czar abdica e forma-se um governo provisório, que terá Kerensky à frente; a Alemanha devolve Lenin à Rússia, ele lança as Teses de Abril (“paz, terra e pão”) e, em outubro, os bolcheviques tomam o poder. Seguem-se a saída da guerra em Brest-Litovsk, o assassinato da família imperial, a guerra civil entre brancos e vermelhos, o partido único, a perseguição religiosa, a NEP e, com a morte de Lenin, a disputa entre Stalin e Trotsky, que termina com o exílio e o assassinato deste no México.
Versalhes e os anos 20 (aula 5)
O Tratado de Versalhes, assinado em 1919 na mesma Sala dos Espelhos onde a França fora humilhada em 1871, impõe à Alemanha perdas territoriais, um exército reduzido e pesadas indenizações, o que Keynes denunciou como a criação de um problema para a Europa. Saint-Germain desmonta o Império Austro-Húngaro, Sèvres e Lausanne encerram o Império Otomano, a Palestina passa ao domínio inglês e nasce a Iugoslávia. Na Alemanha humilhada, dependente do dinheiro americano, crescem as ideias nazistas e comunistas.
O curso termina nos “loucos anos 20”: Paris, com câmbio favorável, atrai escritores e artistas numa euforia que esconde o medo do futuro, enquanto os Estados Unidos vivem a Lei Seca e o consumo acelerado que desemboca na crise de 1929, que atingiria em cheio a Alemanha.
O que você vai aprender
- Quais crises entre as potências europeias, da Alsácia-Lorena à Bósnia, prepararam a Primeira Guerra Mundial
- Como a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança transformaram o atentado de Sarajevo numa guerra continental
- As três fases da guerra (movimento, trincheiras e entrada dos Estados Unidos) e o que foi a trégua de Natal de 1914
- Por que a Rússia de Nicolau II, atrasada e abalada pela derrota para o Japão e pelo Domingo Sangrento, ficou vulnerável à revolução
- O que separava mencheviques e bolcheviques e como Lenin chegou ao poder, da revolução de fevereiro à de outubro de 1917
- Como se formou a União Soviética: Brest-Litovsk, guerra civil, partido único, NEP e a disputa entre Stalin e Trotsky
- O que o Tratado de Versalhes impôs à Alemanha nos planos político, militar e econômico, e por que Keynes o criticou
- Como os tratados do pós-guerra redesenharam a Europa e o Oriente Médio, com o fim dos impérios austro-húngaro e otomano
- Por que os “loucos anos 20” oscilaram entre a euforia de Paris e a Lei Seca americana, à sombra da crise de 1929
Aula por aula
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Apresentação do curso Primeira Guerra, Revolução Russa e anos 20
Primeira Guerra Mundial, Revolução Russa e loucos anos 20: o convite para um curso introdutório que continua O Grande Século XIX.
Uma guerra de 9 milhões de mortos e uma revolução que criou a União Soviética: o professor mostra por que os dois acontecimentos precisam ser estudados juntos.
Primeira Guerra MundialRevolução RussaUnião Soviéticaanos 203 min -
Aula 1 As crises e alianças que levaram à guerra
As origens da Primeira Guerra Mundial: o nacionalismo e a partilha da África e da Ásia, as cinco crises entre as potências, da Alsácia-Lorena à Bósnia, e as duas grandes alianças, a Tríplice Entente e a Tríplice Aliança, que transformaram o atentado de Sarajevo numa guerra continental.
Um atentado em Sarajevo bastou para arrastar Rússia, Alemanha, França e Inglaterra à guerra em poucas semanas, e a aula mostra o efeito dominó que tornou isso possível.
nacionalismocrises pré-guerraTríplice EntenteTríplice AliançaPrimeira Guerra Mundial José Ortega y GassetFrancisco FerdinandoGavrilo Princip21 min -
Aula 2 Da trégua de Natal à entrada dos EUA
As três fases da Primeira Guerra: a de movimento, com soldados formados pela escola nacionalista e a trégua de Natal de 1914; a de trincheiras, com metralhadoras, granadas, aviões e gás; e a entrada dos Estados Unidos em 1917, explicada pelo risco de perder os empréstimos feitos à Entente.
Um “Noite Feliz” cantado na trincheira alemã e acompanhado por uma gaita de foles escocesa fez inimigos saírem para celebrar juntos o Natal na terra de ninguém.
Primeira Guerra Mundialtrégua de Natalguerra de trincheirasentrada dos EUAarmas químicas Feliz Natal (Joyeux Noël)18 min -
Aula 3 A Rússia dos czares rumo à revolução
A Rússia atrasada de Nicolau II, que exportava trigo enquanto o povo passava fome: a derrota para o Japão em 1905 e seus efeitos, a divisão entre mencheviques e bolcheviques, Rasputin e o Domingo Sangrento, que corroem a imagem do czar, e a fórmula de Lenin para a revolução: governo enfraquecido e líderes.
A origem da foice e do martelo, ferramentas de camponeses e operários, ajuda a entender quem formava os sovietes, a base social dos bolcheviques.
Revolução RussaGuerra Russo-Japonesamencheviques e bolcheviquesRasputinDomingo Sangrento Nicolau IIRasputinLeninTrotskyKerensky18 min -
Aula 4 De fevereiro de 1917 ao poder de Stalin
A revolução de fevereiro de 1917 derruba o czar e leva Kerensky ao governo provisório, mas Lenin, trazido de volta pela Alemanha, lança as Teses de Abril, e os bolcheviques vencem em outubro. Seguem-se Brest-Litovsk, a guerra civil, o partido único, a NEP, o isolamento soviético e a disputa entre Stalin e Trotsky.
A aula explica por que os livros ora falam em fevereiro, ora em março, para a primeira revolução russa: a Rússia ainda seguia um calendário diferente do ocidental.
Revolução RussaTeses de AbrilbolcheviquesNEPstalinismo LeninKerenskyTrotskyStalinWinston Churchill21 min -
Aula 5 Versalhes, os novos tratados e os loucos anos 20
O Tratado de Versalhes, assinado na Sala dos Espelhos, impõe à Alemanha perdas políticas, militares e econômicas que Keynes denunciou e que alimentariam nazismo e comunismo. Outros tratados redesenham a Europa e o Oriente Médio; nos loucos anos 20, a euforia de Paris contrasta com a Lei Seca americana.
Por que, segundo o professor, a crise de 1929 atingiu a Alemanha ainda mais duramente que os Estados Unidos, apenas dez anos depois de Versalhes?
Tratado de VersalhesRepública de WeimarLiga das NaçõesDeclaração Balfourloucos anos 20 John Maynard KeynesWoodrow WilsonArthur BalfourAtatürkErnest Hemingway24 min
Autores, obras e figuras discutidos
José Ortega y Gasset · Francisco Ferdinando · Gavrilo Princip · Feliz Natal (Joyeux Noël) · Nicolau II · Rasputin · Lenin · Trotsky · Kerensky · Stalin · Winston Churchill · John Maynard Keynes · Woodrow Wilson · Arthur Balfour · Atatürk · Ernest Hemingway