O primeiro sistema nacional de ensino moderno nasceu na Prússia, onde mais se espalhavam as novidades filosóficas de Kant e seus sucessores. Era uma novidade completa: escolas a serviço do governo, exame do Estado para certificar professores, controle burocrático e diploma exigido para entrar na universidade.
O Fim da Educação
Da selva escura da escola atual à finalidade da educação: um diagnóstico da crise guiado pela Divina Comédia.
Professor Fausto ZamboniDo que trata o curso
"Fim" tem aqui dois sentidos: a decadência da educação atual e a finalidade que ela deveria ter. Para percorrer os dois, o professor Fausto Zamboni toma como guia a Divina Comédia. Como Dante, que começa perdido numa selva escura e precisa atravessar o inferno antes de subir, o curso parte da situação concreta da escola de hoje, que o professor conheceu por dentro, e só depois procura a saída.
O diagnóstico começa pelos números da escola brasileira (proficiência em leitura, violência, militância em sala) e passa aos problemas que o professor considera estruturais: a instrução obrigatória de massa, que rompeu a relação livre entre mestre e discípulo, os livros didáticos descartáveis e os currículos padronizados. Em seguida vem a selva escura intelectual: o relativismo que nega o conhecimento objetivo e o ativismo que quer refazer o mundo.
A genealogia dessas ideias ocupa o centro do curso: a mentalidade gnóstica descrita por Eric Voegelin, Kant e Fichte, o mito do progresso e a mentalidade revolucionária, o nascimento da escola estatal na Prússia e na França, a massificação, as técnicas de controle do comportamento estudadas no século XX, a ocupação da educação pela intelectualidade marxista, as diretrizes da Unesco e, por fim, a fragmentação do homem e a perda da verdade.
As duas últimas aulas fazem a subida. Com Dante como guia, o curso volta à tradição antiga e medieval: a poesia como primeiro degrau, a vida ativa e a contemplativa figuradas em Lia e Raquel, e a escada do conhecimento de Santo Agostinho e Boécio, dos sentidos ao intelecto. O ponto de chegada é a educação como busca amorosa da sabedoria: esse é o fim, no sentido de finalidade, que dá nome ao curso.
Para quem é
- Pais que se inquietam com o que a escola oferece aos filhos e querem entender por quê
- Famílias que pensam em alternativas à escola convencional e querem saber o que está em jogo
- Professores que sentem que algo vai mal no sistema e querem dar nome às causas
- Interessados em filosofia da educação que querem chegar às raízes das ideias pedagógicas modernas
- Leitores de Dante que querem conhecer a dimensão educativa da Divina Comédia
Veja uma aula antes de decidir
O que você vai aprender
- Distinguir os dois sentidos do título: a decadência da educação atual e a sua finalidade
- Ler a Divina Comédia como percurso educativo, da selva escura à contemplação da verdade
- Examinar dados da escola brasileira e os problemas que o curso considera estruturais no ensino obrigatório de massa
- Reconhecer o relativismo e o ativismo intelectual que, segundo o professor, marcam a cultura universitária
- Identificar a mentalidade gnóstica descrita por Eric Voegelin e seus desdobramentos em Kant, Fichte, na ideia de progresso e na mentalidade revolucionária
- Conhecer a origem da escola estatal na Prússia e na França e o papel da instrução obrigatória na uniformização cultural
- Entender como técnicas de controle do comportamento (Skinner, Asch, Milgram, Festinger) chegaram à sala de aula pela dinâmica de grupo
- Acompanhar a leitura que o curso faz da ocupação da educação pela intelectualidade marxista e das diretrizes da Unesco
- Compreender a escada do conhecimento em Santo Agostinho e Boécio: sentidos, imaginação, razão e intelecto
- Ver a educação como busca amorosa da sabedoria, em que a vida ativa prepara a contemplativa
Por que estudar isso hoje
Quase todo mundo concorda que a educação é importante, e quase ninguém pergunta o que ela é, para que serve e de onde vêm as ideias que hoje organizam a escola. O curso faz essas perguntas a partir de dados concretos: um sistema que ocupa a vida das crianças dos 4 aos 17 anos e, segundo o Saeb de 2017, leva ao fim do ensino médio só 1,6% dos alunos com proficiência em leitura.
Entender como se chegou a esse ponto ajuda pais e professores a fazer escolhas mais conscientes: o que esperar de uma escola, que práticas pedagógicas observar com atenção, como reconhecer quando um discurso sobre educação serve à formação da pessoa e quando serve a outro projeto. E devolve à educação a sua pergunta essencial, que o curso responde com a tradição: educar é ajudar alguém a buscar a verdade e a dar sentido à própria vida.
As 15 aulas do curso
Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.
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Apresentação do curso O percurso de Dante e a educação
Educação como formação da personalidade e busca de sentido: inspirado na Divina Comédia, o curso parte da selva escura da escola atual, rastreia as origens modernas de suas ideias e práticas e chega à educação de outras épocas.
O ponto de partida é pessoal: como professor, Fausto Zamboni encontrou uma escola caótica, com falta de conhecimento e de boas relações humanas.
Divina Comédiaselva escurafilosofia da educaçãocrise da escola7 min -
Aula 1 Os dois sentidos do fim, com Dante
O título tem dois sentidos: a decadência da educação atual e a sua finalidade. Tomando Dante como guia, a aula lê a Divina Comédia como percurso educativo: a selva escura, o inferno como conhecimento do mal, o purgatório como recuperação das virtudes e os céus como as ciências.
Por que Beatriz faz Dante atravessar o inferno, em vez de levá-lo direto ao alto do monte, e o que isso ensina a quem quer entender a escola de hoje?
Divina Comédiafinalidade da educaçãoselva escuraartes liberaisvirtude13 min -
Aula 2 Retrato da escola brasileira em números
A crença de que mais escola é sempre melhor, confrontada com dados do Brasil: proficiência em leitura quase nula ao fim do ensino médio, investimento alto sem melhora nos testes, recorde de violência contra professores, insegurança dos alunos, militância política e o que o professor chama de ideologia de gênero.
Quanto mais tempo na escola, pior a leitura: pelo Saeb de 2017, a proficiência cai de 11% no quinto ano para 1,6% no último ano do ensino médio.
crise escolarproficiência em leituraSaebviolência escolarmilitância política21 min -
Aula 3 Problemas estruturais do sistema escolar
Contra a ideia de que os males da escola são falhas de gestão, a aula sustenta que decorrem da natureza do sistema: a instrução obrigatória de massa rompeu a relação livre entre mestre e discípulo e trouxe professores sem vocação, livros didáticos descartáveis e currículos padronizados.
A pergunta de George Steiner que embaraçou o professor abre a discussão: o que confere a alguém o poder de educar outra pessoa?
sistema escolarmestre e discípulovocação docentelivro didáticopadronização curricular20 min -
Aula 4 Relativismo e ativismo: a selva escura intelectual
A selva escura também é intelectual: da ideia de Wittgenstein de que os limites da linguagem são os do mundo deriva, segundo o professor, um relativismo que nega o conhecimento objetivo e leva ao elogio autocontraditório da diversidade, à tolerância repressiva de Marcuse e à dissolução da identidade.
O exemplo das muitas palavras esquimós para a neve serve para discutir se a língua nos aprisiona ou nasce do contato com a realidade.
relativismolinguagem e realidadejogos de linguagemdiversidadeidentidade24 min -
Aula 5 A mentalidade gnóstica do intelectual moderno
A mentalidade gnóstica descrita por Eric Voegelin une o descontentamento com um mundo tido como estruturalmente mau, a crença numa fórmula salvadora e o imperativo de transformá-lo no futuro. Com Julien Benda, a aula mostra como, desde Maquiavel, intelectuais passaram a justificar o mal em nome de fins práticos.
Como um peixe que saísse da água para julgá-la: a imagem resume a crítica de Voegelin a quem pretende refazer o mundo por inteiro.
gnosticismointelectual modernoativismoideia de progressomentalidade revolucionária15 min -
Aula 6 Kant, Fichte e o primado da ação
A crítica do conhecimento de Kant limita o saber ao fenômeno, mas mantém livre a ação moral; para o professor, isso separa saber e agir e favorece uma educação voltada à ação e ao gosto individual. Em Fichte, o eu que absorve o não eu, restringindo outros eus, prepara a mentalidade revolucionária.
Até o peso do vestibular nas decisões sobre educação é lido como herança da valorização kantiana da ação.
crítica do conhecimentocoisa em siprimado da açãogosto individualeu e não eu14 min -
Aula 7 O mito do progresso e a mentalidade revolucionária
A ideia de progresso, de Schelling e Hegel a Marx e Darwin, desvaloriza o passado, cria a noção de atraso e faz da educação instrumento para moldar as crianças. Com textos de Olavo de Carvalho e Isaiah Berlin, a aula descreve a mentalidade revolucionária, que fala em nome do futuro e, prometendo liberdade, concentra poder.
Para fazer a omelete da sociedade perfeita, não haveria limite de ovos a quebrar: é assim que Isaiah Berlin resume a fé de Lenin, Trotsky e Mao.
ideia de progressonoção de atrasomentalidade revolucionáriaconcentração de podereducação como instrumento22 min -
Aula 8 Prússia, França e o nascimento da escola estatal
O sistema estatal de ensino nasce na Prússia, para uniformizar culturas e unificar a nação, e na França revolucionária serve para mudar a mentalidade das crianças, substituindo escolas religiosas e da sociedade civil. A instrução obrigatória de massa, voltada ao trabalho, conviveu com a educação liberal reservada às elites.
Napoleão resumiu a lógica do novo sistema: se o menino não aprende desde a infância a ser republicano ou monarquista, o Estado nunca formará uma nação.
escola estatalPrússiauniformização culturalinstrução obrigatóriaeducação liberal19 min -
Aula 9 O aluno como matéria-prima
A liberdade moderna se revela paradoxal: políticas de massa, a tábua rasa empirista e o determinismo positivista tratam o aluno como matéria-prima a ser modelada, criando uma classe que manipula e outra manipulada. Grandes homens, argumenta o professor, não se fabricam de fora: a educação só pode ajudá-los a se formar.
Georges Gusdorf resume a crítica: a pedagogia dos organizadores é uma pedagogia de massa, voltada à fabricação em série de produtos humanos semiacabados.
massificaçãotábua rasadeterminismomanipulaçãograndes homens19 min -
Aula 10 Técnicas de controle do comportamento na escola
Técnicas de controle do comportamento estudadas no século XX chegam à escola, sobretudo pela dinâmica de grupo. A aula percorre os planos de ditadura científica que o professor atribui a Bertrand Russell, as máquinas de ensinar de Skinner, os experimentos de Asch, Milgram e Sherif e a dissonância cognitiva de Festinger.
O celular na mão de uma criança é apresentado como a versão atual, portátil e muito mais eficaz, da máquina de ensinar de Skinner.
controle do comportamentodinâmica de grupobehaviorismoconformidade socialdissonância cognitiva31 min -
Aula 11 A intelectualidade marxista e a conquista da educação
Sem a esperada consciência de classe do proletariado, a intelectualidade marxista passa a ver a educação como área-chave da revolução. A aula percorre Horkheimer e a crítica da autoridade familiar, Lukács, a Revolução Cultural chinesa, o capital cultural de Bourdieu e a revolução sexual que, depois de maio de 68, chega à escola.
A aula relembra a revolução sexual tentada na União Soviética dos anos 1920, que fracassou e foi revertida pelo próprio Stalin.
Escola de Frankfurtconsciência de classeautoridade familiarcapital culturalrevolução sexual24 min -
Aula 12 Escola, Unesco e modificação de comportamento
O sistema escolar como instrumento de modificação de comportamento: pedagogia centrada no aluno, dinâmicas de grupo e diretrizes da Unesco que transferem à escola o papel moral da família e propõem um currículo mundial. Reduzida a controle de comportamentos, a educação vira seu contrário, e a resposta terá de ser pessoal.
O caos nas escolas, sustenta a aula, não é mero acidente: planejadores da Unesco já o previam como fase de transição dos valores familiares para outros.
modificação de comportamentopedagogia centrada no alunoUnescocurrículo mundialpapel da família25 min -
Aula 13 A fragmentação do homem e a perda da verdade
A fragmentação do homem moderno, da especialização e da exclusão positivista dos juízos de valor à crítica de Derrida a Husserl e ao "não há fatos, só interpretações" de Nietzsche. Sem verdade objetiva, restam narrativas, subjetivismo e ação revolucionária; como Dante, é preciso sair do inferno e buscar outro guia.
Como uma cultura que confiava nos fatos acabou tratando ciência e filosofia como fábulas, e o que isso tem a ver com a checagem de fatos no noticiário?
fragmentação do homempositivismodesconstruçãonarrativasrelativismo29 min -
Aula 14 Dante como guia: poesia, ação e contemplação
Dante como guia para além da modernidade: os quatro sentidos da leitura, a alegoria de Orfeu como canto civilizador do sábio e a poesia como primeiro degrau da educação, do sensível ao inteligível. O sonho com Lia e Raquel resume a relação entre vida ativa e vida contemplativa.
Por que Jacó precisou casar primeiro com Lia para só depois ter Raquel? A leitura alegórica faz disso o caminho que vai da virtude à contemplação.
Dantepoesiaalegoriavida ativavida contemplativa15 min -
Aula 15 Dos sentidos à sabedoria: o fim da educação
A educação como ascensão do conhecimento, dos sentidos e da imaginação à razão e ao intelecto, segundo Santo Agostinho, Boécio e os vitorinos. A virtude e a ciência, próprias da vida ativa, preparam a sabedoria contemplativa, busca amorosa da verdade que a modernidade perdeu e verdadeiro fim da educação.
O intelecto humano é como uma lente que precisa ser polida para receber a luz: a imagem mostra por que a virtude importa para conhecer.
graus do conhecimentointelectosabedoriavida contemplativafinalidade da educação20 min
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Curiosidades sobre o tema
Quanto mais tempo um aluno brasileiro passa na escola, pior tende a ser sua proficiência em leitura. No 5º ano são cerca de 11% de alunos proficientes; no fim do ensino médio, apenas 1,6%.
Dante começa a Divina Comédia perdido numa selva escura, sem saber como chegou ali. Para o curso, é o símbolo da condição humana: não conhecemos nossa origem nem nosso destino, e educar-se é buscar uma orientação para a própria vida.
Os socialistas fabianos, citados no curso, preferiam transformar a sociedade aos poucos, por uma mudança lenta e profunda, em vez de uma revolução súbita. Não por acaso, o símbolo deles era uma tartaruga.
No experimento clássico de Stanley Milgram, a maioria dos voluntários chegou à carga máxima de choques, que acreditavam ser letal para outra pessoa, só porque um pesquisador de jaleco, num laboratório universitário, pedia com calma que continuassem.
Nos experimentos de Solomon Asch, a maioria dos voluntários deu, ao menos em parte das rodadas, uma resposta visivelmente errada só para não destoar do grupo. Pouco mais de 20% sustentaram sempre a resposta certa.
Sócrates não dava aulas em escolas nem recebia salário: achava indigno cobrar pelo que fazia. Conversava com quem encontrasse e ajudava o interlocutor a chegar sozinho às conclusões.
Os jesuítas, que mantinham uma grande rede de escolas na França, foram expulsos do país no século XVIII e de novo várias vezes no século XIX; em 1904, uma lei francesa proibiu as congregações religiosas de ensinar. Para o professor, foi uma verdadeira guerra pelas mentes e pelos corações das crianças.
Já em 1964, uma publicação da Unesco sobre mudança de atitudes lembrava, no prefácio, o interesse antigo da organização pelo tema e apresentava pesquisas sobre a “modificação de atitudes em escala internacional”.
Para o professor, uma criança hipnotizada pela tela do celular vive uma versão portátil da máquina de ensinar que Skinner projetou nos anos 1950: muito menor, mais eficaz e sempre à mão.
Dante, na sua subida do Purgatório, sonha com duas irmãs: Lia, que colhe flores para se enfeitar, e Raquel, que apenas se contempla no espelho. Vida ativa e vida contemplativa — as duas faces que toda educação séria precisa contemplar.
Na década de 1920, a União Soviética tentou uma ampla revolução sexual. O resultado foi um contingente de mães sozinhas e de crianças abandonadas nas ruas, e o próprio Stálin tratou de restaurar a família hierarquizada.
Heráclito dizia que ninguém se banha duas vezes no mesmo rio. O professor usa a frase contra a pretensão positivista de certeza: os fatos observados pelos sentidos nunca se repetem, e nenhum experimento reproduz exatamente as condições do anterior.
No romance “Admirável Mundo Novo” (1932), de Aldous Huxley, as crianças são condicionadas enquanto dormem, ouvindo mensagens que moldam seus comportamentos e crenças. O curso lembra a obra ao tratar das técnicas de controle do comportamento.
O livro didático moderno tem uma característica curiosa: ele é descartável. Depois de alguns anos, só serve para ser jogado fora. Boa parte da formação intelectual de uma geração inteira passa por um material projetado para não sobreviver à própria geração.
Napoleão escreveu que a instrução pública era talvez o problema político mais importante do Estado. Sem moldar o menino desde a infância — republicano ou monarquista, católico ou livre-pensador — nenhuma nação se sustenta, dizia ele.
Numa pesquisa internacional da OCDE, o Brasil ficou em primeiro lugar em violência contra professores: 12,5% deles relataram sofrer algum tipo de agressão ou intimidação toda semana. E, segundo uma pesquisa da Unesco citada no curso, o aluno brasileiro não está mais seguro na sala de aula do que na rua.
A frase “os filósofos só interpretaram o mundo; importa agora transformá-lo” está gravada no túmulo de Karl Marx, no Cemitério de Highgate, em Londres. É o epitáfio perfeito para o intelectual moderno: a contemplação foi destronada pela militância.
Quando alguém fala em “atraso” (atraso do Brasil, da educação, da cultura), está aceitando sem perceber a ideia moderna de progresso, que o curso remonta a Schelling, Hegel e Marx. Sem ela, “atraso” não significaria nada.
Eric Voegelin, filósofo nascido na Alemanha que teve de fugir do nazismo, fez de sua obra uma tentativa de entender as origens daquele desastre. Sua resposta, a de que a velha gnose reapareceu nas ideologias modernas, é uma das inspirações declaradas deste curso.
Fausto Zamboni
Fausto Zamboni é professor de língua e literatura italiana há mais de 20 anos, com pós-doutorado na USP sobre Dante Alighieri e a Divina Comédia.
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