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Educação Personalizada

Um estilo educativo que parte do conceito de pessoa: educar é ajudar cada filho, único e livre, a crescer.

Professor Evandro Faustino
20 aulas 7h11
Sinopse

Do que trata o curso

Educação personalizada não é aula particular nem um método com resultado garantido: é um estilo educativo, praticado há cerca de 70 a 80 anos no mundo e há uns 30 no Brasil, em colégios e também no homeschooling. Como no impressionismo, há princípios comuns, mas cada obra é única. O fundamento é o conceito de pessoa: cada filho é único, livre e tem um ideal próprio, que Deus, os pais e ele mesmo vão descobrindo. Educar, na definição de Tomás Alvira, é ajudar a crescer.

Evandro Faustino parte da missão dos pais e dos critérios, muitas vezes enganosos, com que se escolhe um colégio, e contrapõe ao planejamento do Estado o ideal único de cada criança. Com a famosa palestra de Ken Robinson, discute a criatividade que a escola sufoca ao estigmatizar o erro, a hierarquia das disciplinas e a diversidade da inteligência. Com o filósofo Ricardo Yepes Stork, trata de ensinar a pensar: renunciar aos slogans, recuperar a leitura e a conversa, buscar a visão de conjunto e voltar aos clássicos e aos heróis.

A parte final é dedicada à formação e à liberdade. Com José María Barrio, mostra que educar na liberdade é um pleonasmo e não se confunde com permissividade; com Javier Aranguren, distingue os sentidos da palavra formação e critica a educação utilitária, voltada só ao vestibular; com Jutta Burggraf e a lenda do Grande Inquisidor, de Dostoiévski, questiona as escolas que preferem o temor, as regras supérfluas e a manipulação do saber.

As aulas alternam a leitura desses autores com casos da experiência do professor com pais e alunos, de entrevistas de matrícula à leitura de Dom Casmurro com adolescentes. O ponto de chegada é uma tese simples e exigente: não existe educação sem liberdade, e ninguém pode crescer no lugar de outro.

Para quem é

  • Pais que querem critérios sólidos para escolher a escola dos filhos e acompanhar o que ela ensina
  • Professores e coordenadores insatisfeitos com uma escola voltada só ao vestibular
  • Educadores que querem conhecer os fundamentos da educação personalizada antes de aplicá-la
  • Famílias que educam em casa e procuram fundamentos para o que fazem
  • Quem se pergunta por que a escola parece formar mais para o vestibular do que para a vida
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Apresentação do curso
Aula grátis
Aprendizados

O que você vai aprender

  • A diferença entre método e estilo educativo, e por que a educação personalizada é um estilo
  • O conceito de pessoa, única e livre, e a definição de educar como ajudar a crescer
  • Os critérios enganosos na escolha do colégio (proximidade, preço, modernidade, status, lista de aprovados) e o que de fato importa
  • Por que nenhum ideal coletivo, do Estado ou do mercado, substitui o ideal próprio de cada filho
  • As críticas de Ken Robinson à escola que hierarquiza as disciplinas, estigmatiza o erro e sufoca a criatividade
  • Caminhos para ensinar a pensar: renunciar aos slogans, despertar o gosto pela leitura, buscar a visão de conjunto e conversar
  • O lugar dos clássicos e dos heróis na formação, a partir de Ricardo Yepes Stork
  • Por que educar na liberdade, segundo José María Barrio, não é deixar fazer o que se quer, e o valor pedagógico do erro
  • Os três sentidos de formação em Javier Aranguren (biológica, social e segundo um ideal) e por que não existe educação neutra
  • Como o temor, as regras supérfluas e a manipulação do saber cerceiam a liberdade na escola, com Jutta Burggraf e o Grande Inquisidor
Por que importa

Por que estudar isso hoje

Quase todo pai, perguntado sobre o que quer para o filho, responde: que seja feliz. A dificuldade vem logo depois, quando é preciso dizer o que está fazendo para isso, como quem vê o mar do alto da Serra do Mar, mas não enxerga o caminho até ele. O curso ajuda a traçar esse caminho, pondo no centro a pessoa concreta, e não o ranking de aprovados, a moda pedagógica ou o plano do Estado.

Num tempo em que o diploma já não garante emprego e ninguém sabe prever o trabalho de daqui a vinte anos, o professor defende que a melhor preparação é uma formação humana completa: criatividade, capacidade de pensar, convivência com os clássicos, liberdade bem educada. Para pais e professores, é um convite a acompanhar cada filho e cada aluno como alguém único, que precisa de ajuda para crescer, e não de um molde.

Conteúdo

As 20 aulas do curso

Uma descrição e um breve comentário de cada aula, a partir do que é dito nelas.

Resumo completo
  1. Apresentação do curso Educação personalizada: estilo, não método

    A educação personalizada apresentada como estilo educativo, não como método: como no impressionismo, há princípios comuns e obras sempre únicas, com fundamentos filosóficos, pedagógicos e sobretudo antropológicos, a partir do conceito de pessoa.

    Por que não é possível escrever um manual de educação personalizada, e o que se pode oferecer no lugar de uma receita?

    educação personalizadaestilo educativométodoconceito de pessoahomeschooling
    5 min
  2. Aula 1 Missão dos pais e escolha do colégio

    A educação como missão dos pais, que começa no nascimento e dura a vida toda. Partindo da ideia de que os filhos são o maior tesouro, distingue método e estilo e mostra por que a escolha do colégio, parceiro da família, exige critério.

    Termina com a imagem da Serra do Mar: os pais veem o mar lá embaixo, a felicidade dos filhos, mas não o caminho até ele.

    método e estilomissão dos paisescolha do colégiofelicidade dos filhos
    22 min
  3. Aula 2 Critérios enganosos na escolha do colégio

    Proximidade, preço, modernidade, status, tradição, uma proposta pedagógica dita moderna e a lista de aprovados no vestibular: nenhum desses critérios basta para escolher uma escola. Descartadas as escolas massificantes, defende que um bom colégio deve oferecer verdadeira formação, e não apenas preparar para o vestibular.

    Entre os exemplos, um avô deslumbrado com a loja do McDonald's na cantina do colégio do neto e escolas que compram alunos para inflar listas de aprovados.

    escolha do colégiocritérios equivocadosescola massificantevestibularformação
    21 min
  4. Aula 3 Educar como ajudar a pessoa a crescer

    Educar como “ajudar a crescer”, na definição de Tomás Alvira: a educação personalizada parte do conceito de pessoa, única e livre, com um ideal próprio que Deus, os pais e ela mesma vão descobrindo. Daí o peso das tutorias com os pais e o dever de acompanhar o colégio.

    Um afresco de Giotto, em que Maria entrega o Menino ao sacerdote sem tirar as mãos de baixo, vira conselho aos pais que confiam o filho à escola.

    conceito de pessoaajudar a crescerunicidadetutoriapapel dos pais
    26 min
  5. Aula 4 Planejamento estatal versus ideal pessoal de educação

    Do ideal grego de formar cidadãos úteis à pólis aos programas que querem soldados ou técnicos, nenhum projeto coletivo substitui o ideal único de cada filho. Uma formação humana completa prepara melhor para um mercado de trabalho imprevisível.

    Um pai perguntou a um educador para qual país deveria se mudar para educar bem a filha e ouviu: por que não funda você mesmo uma escola?

    planejamento estatalpaideiamercado de trabalhoformação humanísticaKen Robinson
    21 min
  6. Aula 5 Criatividade e o medo de errar na escola

    A criatividade como traço da pessoa, a partir da palestra de Ken Robinson “As escolas matam a criatividade”: diante de um futuro imprevisível, educar na criatividade prepara mais do que acumular conteúdos, e a escola que estigmatiza o erro ensina o medo e produz pessoas padronizadas.

    No desafio do marshmallow, crianças da educação infantil vencem quase todos os adultos, perdendo só para engenheiros, porque experimentam sem medo de errar.

    criatividademedo do erroKen Robinsondesafio do marshmallowintimidade
    23 min
  7. Aula 6 A hierarquia das disciplinas e os bonsais humanos

    Ken Robinson critica a escola que põe matemática e linguagem no topo e artes e dança na rabeira, numa educação “da cintura para cima”. Herdada da Revolução Industrial, essa lógica utilitarista forma “bonsais humanos” e aposta em diplomas que a inflação acadêmica desvalorizou.

    Traz a história da coreógrafa de Cats, tida como problemática na escola até um psicólogo perceber, ao deixá-la sozinha com música, que ela era dançarina.

    hierarquia das disciplinasdançabonsais humanosutilitarismoinflação acadêmica
    27 min
  8. Aula 7 Diversidade e unicidade da inteligência

    Os programas escolares esquecem que cada pessoa percebe a realidade por uma via própria, e o ensino padronizado limita o entendimento da maioria dos alunos. Com o diploma desvalorizado, a aposta passa a ser a criatividade e o encontro pessoal com a verdade.

    Um grande ceramista brasileiro modela um anjinho barroco diante de crianças e as leva a fazer o seu, descobrindo em si capacidades que desconheciam.

    diversidade da inteligênciapadronizaçãodiplomacriatividadeencontro pessoal
    20 min
  9. Aula 8 A escola precisa ensinar a pensar

    Ensinar a pensar, a partir de uma entrevista do filósofo Ricardo Yepes Stork: a pressa tira o tempo de observar e de se maravilhar, onde o pensamento começa. Critica a decoreba, os slogans e o relativismo e propõe descrever imagens e explorar a etimologia das palavras.

    Compara a escola a quem tenta ensinar a andar de bicicleta com manuais e vídeos, sem nunca pôr a criança na bicicleta.

    ensinar a pensarassombroslogansrelativismoetimologia
    25 min
  10. Aula 9 Slogans, leitura e o gosto pelos clássicos

    Renunciar aos slogans e recuperar a conversa e a leitura como passos para ensinar a pensar. Com os direitos do leitor de Daniel Pennac, defende que crianças e adolescentes gostam de ler quando alguém lhes mostra a beleza dos livros e lhes dá liberdade.

    Conta como fez meninas adolescentes mergulharem em Dom Casmurro lendo com elas a cena do primeiro beijo, e crianças se encantarem com uma Divina Comédia ilustrada em italiano.

    sloganshábito da leituradireitos do leitorclássicosDom Casmurro
    21 min
  11. Aula 10 Especialização e visão de conjunto

    Educar é ajudar o aluno a elaborar o próprio conhecimento, não só despejá-lo. Diante da massa de saber acumulado, a especialização é necessária, mas isola um campo do todo; a parábola da tapeçaria vista por três observadores mostra a falta que faz a visão de conjunto.

    Um seminarista confessa ouvir os livros da biblioteca chamá-lo de burro e ignorante, lembrando-o de tudo o que ainda não sabe.

    transmissão de conhecimentoespecializaçãovisão de conjuntocore curriculum
    21 min
  12. Aula 11 Pensar e devolver: opiniões que se complementam

    Formar opinião é receber a informação, elaborá-la na própria intimidade e devolvê-la aos outros. Com o exemplo de uma taça de cristal, mostra que visões diferentes da mesma verdade se complementam sem relativismo e propõe uma escola desse diálogo, que exige generosidade e humildade.

    Para Santo Agostinho e São Tomás, lembra o professor, o céu é como um grande coral em que cada um conta aos outros o que vê de belo em Deus.

    intimidadeformação de opiniãocomplementaridadehumildadegenerosidade
    18 min
  13. Aula 12 Harmonia dos clássicos contra o culto da velocidade

    O culto da velocidade e o excesso de racionalismo, a partir do capítulo “Harmonia dos clássicos”, de Ricardo Yepes Stork: a abstração despoja as coisas de sua realidade, e a escola privilegiou a lógica mais que a harmonia e a visão de conjunto. Para conhecer o mundo humano, é preciso conhecer pessoas.

    Parte de uma frase atribuída a São Tomás de Aquino e citada no livro: há mais realidade numa mosca do que na mente de todos os filósofos.

    clássicosculto da velocidaderacionalismoharmoniahemisférios cerebrais
    22 min
  14. Aula 13 Heróis e a atualidade dos clássicos

    Heróis e clássicos como via para conhecer o ser humano: seguindo Ricardo Yepes Stork, defende que a história é feita de pessoas, não de estatísticas, e que os clássicos continuam atuais porque exprimem a alma humana; por isso suas histórias devem ser contadas aos alunos.

    Recomenda A Ilustre Casa de Ramires, de Eça de Queiroz, em que um herdeiro de vida mesquinha se inspira no heroísmo dos antepassados.

    heróisclássicosbiografiahistóriaEça de Queiroz
    19 min
  15. Aula 14 Educar na liberdade, segundo José María Barrio

    Um artigo de José María Barrio serve de guia: se Deus criou o homem livre e correu o risco dessa liberdade, pais e escolas também devem corrê-lo. Critica o dirigismo estatal e propõe, com a imagem do tutor que ampara a planta, unir suavidade e firmeza.

    Sugere começar cedo: pedir à criança que opine sobre a cor da roupa e sempre perguntar por quê, para que aprenda a justificar o próprio gosto.

    liberdadedirigismo estatalbonsais humanostutorJosé María Barrio
    21 min
  16. Aula 15 Educar na liberdade: correção, confiança e erro

    Educar na liberdade não é deixar o aluno fazer o que quer: como a do treinador, a correção serve ao fim que o próprio aluno busca. Discute ainda a confiança entre educador e educando, a diferença entre educar e adestrar e o valor pedagógico do erro.

    Traz uma proposta prática: pedir ao aluno que pesquise algo novo sobre um tema de seu gosto, como o rock numa aula de história, e o apresente à turma.

    educar na liberdadecorreçãoconfiançaerro escolaradestramento
    20 min
  17. Aula 16 A ideia de formação e o ideal educativo

    Formar pessoas não é moldar argila: a partir do texto “A ideia de formação”, de Javier Aranguren, distingue a formação biológica, a social e a formação segundo um ideal, como a paideia grega. Toda educação pressupõe um fim, e não existe educação neutra.

    Abre com o encontro com Aranguren num colégio espanhol e a resposta ao autor, que via o texto sem novidades: “não tem nada de novo, mas tem tudo do velho”.

    formaçãopaideiaideal educativoeducação neutracrescimento
    23 min
  18. Aula 17 Conhecimento, serviço e paciência na formação

    Educação não é acúmulo de conhecimentos: distingue erudição, cultura e sabedoria e percorre as finalidades do saber, da prova ao serviço dos outros, e a formação como semelhança com Deus. A formação existe para servir e exige tempo e paciência, contra a tentação de adestrar para o vestibular.

    Aos colégios cobrados por aprovação no vestibular, a aula oferece o conselho de um amigo do professor: “não venda gato por lebre, venda lebre por gato”.

    erudição e sabedoriamagnanimidadesemelhança com Deuspaciênciavestibular
    21 min
  19. Aula 18 Contra a educação utilitária: bom gosto e autoconhecimento

    Educar de forma utilitária, visando só resultados imediatos, é para Aranguren falta de bom gosto e burrice. Com o “conhece-te a ti mesmo” socrático, defende formar pessoas que se descubram, cultivando silêncio, beleza e boas leituras, e ajudar cada aluno, pessoa única, a crescer sem substituí-lo.

    A menina que trocou a sala barulhenta pela janela do corredor para pensar na redação, e a diretora que saiu na ponta dos pés, ilustram o valor do silêncio.

    educação utilitáriabom gostoautoconhecimentomaiêuticasilêncio
    18 min
  20. Aula 19 O Grande Inquisidor e a liberdade na escola

    A partir do artigo “Criar ambientes livres”, de Jutta Burggraf, e da lenda do Grande Inquisidor, de Dostoiévski, rebate a ideia de que os alunos não sabem usar a liberdade e critica escolas que infundem temor e multiplicam regras supérfluas, como pedir licença para ir ao banheiro ou tocar sinal.

    Se Deus concedeu a liberdade sabendo que o homem abusaria dela, por que tantas escolas preferem agir como o Grande Inquisidor?

    liberdade na escolaGrande Inquisidorautoridaderegras supérfluastemor
    23 min
  21. Aula 20 Pequenos tiranos, manipulação do saber e liberdade

    Além das regras supérfluas, a liberdade escolar é cerceada pela manipulação do conhecimento: o professor que só aceita seu método ou isola ideias divergentes é um pequeno tirano. Com Jutta Burggraf e Bento XVI, defende que Deus quer amigos, não robôs, e que a escola deve ser lugar de liberdade.

    Para Dom Bosco, o primeiro sinal de que uma escola vai bem é simples: todos estão contentes, de cara aberta e sorrindo.

    manipulação do conhecimentopequenos tiranosliberdade e amorambiente escolar
    14 min
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5 perguntas rápidas, sorteadas entre 30. Você vê a resposta na hora, com uma explicação curta. Dá para jogar quantas rodadas quiser.

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Curiosidades sobre o tema

Para pensar

Muitos pais escolhem a escola dos filhos pequenos como quem procura um depósito de crianças, onde bastariam higiene e segurança. O professor alerta que, assim, sacrificam no altar da comodidade o período mais rico e precioso do aprendizado.

Referência

Em A Ilustre Casa de Ramires, Eça de Queiroz alterna a vida heroica dos antepassados medievais de Gonçalo com a vida banal do próprio Gonçalo — até que o exemplo do passado o transforma. O professor lamenta que seja tão pouco lido: para ele, é uma das obras-primas da língua portuguesa.

No dia a dia

Caneta quer dizer pequena cana (do latim canna): as primeiras canetas eram pedacinhos de bambu oco que se enchiam de tinta. Saber a origem das palavras que usamos todo dia é um dos modos mais simples de começar a pensar.

Da história

A palavra escola vem do grego scholé, que significava lazer, ócio, tempo livre. Para os gregos, só o homem que não precisava trabalhar o dia inteiro podia dedicar-se ao saber. Curioso pensar nisso quando se associa escola a obrigação.

Para pensar

Picasso afirmava que toda criança nasce artista. O problema, dizia ele, é como permanecer artista depois de crescer. Para Ken Robinson, que cita a frase, a escola tem sido eficiente exatamente em arrancar esse dom inicial.

Referência

Em O Jogo das Contas de Vidro, de Hermann Hesse, Nobel de Literatura de 1946, os membros de uma ordem intelectual do futuro praticam um jogo que relaciona música, matemática, filosofia e poesia. O professor recomenda o livro como imagem da ideia de que tudo tem a ver com tudo.

No dia a dia

A descoberta da penicilina, em 1928, aconteceu por acaso: Fleming notou que um mofo havia contaminado uma placa de bactérias e, em vez de descartar o experimento perdido, perguntou-se por que ali as bactérias não cresciam. O erro foi a pista.

Para pensar

O educador português José Pacheco, lembrado no curso ao lado de Ken Robinson, fala em “bonsais humanos”: crianças podadas, amarradas e torcidas até caberem no formato que o adulto decidiu para elas, sem que ninguém lhes pergunte como querem crescer.

Referência

O capítulo do Grande Inquisidor, em Os Irmãos Karamazov de Dostoiévski, é considerado por muitos o ponto mais alto da literatura sobre a liberdade humana. Cristo, preso, responde ao inquisidor não com palavras, mas com um beijo.

Da história

Sócrates não escreveu uma única linha. O que sabemos de seu método — perguntar até que o interlocutor descubra por si — chegou a nós sobretudo pelos diálogos de Platão, que o usou como personagem em quase todas as suas obras.

Para pensar

Ricardo Yepes Stork abre um capítulo com uma frase atribuída a São Tomás de Aquino: há mais realidade numa mosca do que na mente de todos os filósofos. O professor imagina Tomás, ele próprio filósofo, sorrindo ao escrevê-la — um aviso, dado de dentro, contra os excessos da abstração.

No dia a dia

Diante de uma foto da cúpula de Brunelleschi, em Florença, o professor viu um pequeno grupo reagir de modos diferentes: uns admiravam a engenharia, outros a beleza da curva, outros o modo como ela eleva o espírito. Para ele, é um retrato da diversidade da inteligência.

Para pensar

Ken Robinson, comentado no curso, lembrava que, segundo a UNESCO, nos trinta anos seguintes mais gente se formaria do que em toda a história anterior. O efeito colateral é a inflação acadêmica: o diploma, que antes garantia emprego, vale cada vez menos. A formação humana, cada vez mais.

Referência

A palavra paideia, central na filosofia grega da educação, intitula a obra monumental de Werner Jaeger — três volumes que ainda hoje são referência incontornável para quem quer entender o que os gregos entendiam por formar um homem.

No dia a dia

A palavra estilo vem do latim stilus: um pequeno bastão de metal ou madeira, pontudo de um lado e chato do outro, usado para escrever em tabuinhas de cera. Daí dizer que cada escritor tem o seu estilo — sua marca pessoal sobre a cera.

Da história

Winston Churchill assumiu como primeiro-ministro em maio de 1940, em plena ofensiva alemã sobre a Europa ocidental. Em seu primeiro discurso no cargo, disse ao Parlamento que não tinha nada a oferecer senão sangue, trabalho, lágrimas e suor. O curso o cita como herói: não por uma vida modelo, mas porque naquele momento simbolizou a Inglaterra.

Evandro Faustino em gravação
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Evandro Faustino

Evandro Faustino é educador há mais de 50 anos, mestre e doutor em história social e autor de livros sobre educação personalizada e história do Brasil.

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