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Resumo do curso · Filosofia e Formação do Juízo

História do Pensamento Ético

De Homero a MacIntyre, a ética ocidental lida a partir de uma pergunta: o que preciso fazer para ser feliz?

Com Larissa Nóbrega 30 aulas 11 horas de vídeo 30 aulas expositivas em ordem cronológica, cerca de 10 horas e meia no total: 29 aulas de 12 a 29 minutos e um encerramento de 4 minutos; cada autor é apresentado em seu contexto e avaliado criticamente.

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Visão geral

Este curso parte de uma tese simples: a pergunta central da ética não é o que é permitido ou proibido, mas o que é preciso fazer para ser feliz, isto é, para realizar a própria natureza. Antes dos filósofos, fixa os conceitos de base (o ser humano como unidade de corpo e alma, com inteligência, vontade e afetos; a felicidade como eudaimonia; o mal como privação de um bem devido) e recua à poesia de Homero e à tragédia grega, onde a areté, a híbris, o destino e a justiça aparecem primeiro em forma de narrativa.

Daí segue pelos grandes clássicos. Sócrates dá à virtude um sentido moral e busca a definição das coisas; Platão vê na justiça a ordem da alma e da cidade; Aristóteles entende a virtude como hábito e meio-termo e mostra que o caráter é o fator decisivo da felicidade. O helenismo de Sêneca e Epicuro faz da filosofia um consolo, e o cristianismo traz ideias novas: com Santo Agostinho, o mal como mau uso da liberdade e a tarefa de ordenar os amores; com Tomás de Aquino, as fontes da moralidade, a lei natural e as virtudes cardeais guiadas pela prudência.

Com Maquiavel começa a ruptura: ética e política se separam. Descartes, Hobbes e Spinoza procuram novas bases para a moral, e Kant faz do dever o seu centro. Entre os contemporâneos, Nietzsche anuncia a morte de Deus e está na raiz do niilismo, Ortega y Gasset pensa a vida como vocação e projeto vital, e Sartre descreve um homem condenado a ser livre.

O percurso termina com Alasdair MacIntyre, para quem usamos palavras como virtude e felicidade sem o contexto que lhes dava sentido, e com sua proposta de recuperar a finalidade aristotélica pela prática, pela narrativa e pela tradição, vividas em pequenas comunidades. Cada autor é situado em seu tempo e avaliado com franqueza, no que acerta e no que falha, com o objetivo declarado desde a primeira aula: dar a cada um mais elementos para se orientar na própria vida.

O percurso do curso

Conceitos e pano de fundo grego (aulas 1 a 3)

A ética não pergunta, antes de tudo, o que é proibido, mas o que é preciso fazer para ser feliz, isto é, para realizar a própria natureza. Com essa tese, a aula 1 fixa os conceitos de base: o ser humano como unidade de corpo e alma, com inteligência, vontade e afetos; a felicidade como eudaimonia; o mal como privação de um bem devido. As aulas 2 e 3 recuam ao que preparou a filosofia: os modelos de vida de Homero, com a areté ainda como excelência de uma função e a híbris como desmedida, e a tragédia, que põe em cena destino, responsabilidade e conflito de leis na Oresteia, em Antígona e em Medeia.

Sócrates e Platão (aulas 4 a 9)

Na Atenas democrática dos sofistas, Sócrates responde à confusão conceitual com a pergunta “o que é?” e parte do reconhecimento da própria ignorância. Sua condenação, registrada na Apologia, marca o nascimento da filosofia como atividade mortalmente séria. Seguem o método dialético, a areté como excelência moral, o intelectualismo (que o curso considera falho), a unidade das virtudes e seu ensino pela definição e pelo exemplo. Platão leva adiante a ideia de que o homem é sua alma: a alma tripartida espelha a cidade, a justiça é a ordem de ambas, a ideia de bem orienta a vida, e o Banquete mostra que, no fundo, trata-se de aprender a amar.

Aristóteles (aulas 10 a 12)

Para Aristóteles, tudo tende à própria perfeição, e o fim do homem é a eudaimonia, que não se confunde com o prazer; a ética trata dos atos voluntários, dignos de louvor ou de censura. Ao examinar o que se costuma julgar necessário à felicidade (pólis, família, trabalho, beleza, amizade, honra, sorte), ele conclui que tudo isso é frágil e que o fator decisivo é o caráter, formado por hábitos. A virtude é o meio-termo excelente entre dois vícios, e as quatro virtudes cardeais têm no topo a prudência, sabedoria prática que escolhe os meios adequados ao fim.

O helenismo (aulas 13 e 14)

Com o cosmopolitismo de Alexandre, o grego perde sua pólis e passa a se ver antes como indivíduo do que como cidadão; a filosofia vira modo de vida e consolo. O estoicismo de Sêneca busca a felicidade na virtude, na apatia e na ataraxia, com lições valiosas sobre o tempo, a morte e a amizade, mas esbarra num limite: abafa paixões que deveriam ser educadas. O epicurismo, longe de um hedonismo desenfreado, busca o prazer com medida e distingue prazeres a buscar, a moderar e a evitar, como a fama, o luxo e o poder.

Agostinho e Tomás de Aquino (aulas 15 a 18)

O cristianismo traz ideias novas: criação, providência, pecado original, graça, Escrituras, tempo linear. Nas Confissões, Santo Agostinho inaugura o método da confissão sincera diante de Deus e enfrenta o problema do mal: o mal é privação, não substância, e nasce do mau uso da liberdade, dada ao homem para amar; a tarefa humana é ordenar os amores. Tomás de Aquino distingue atos do homem e atos humanos, mede a moralidade pelo objeto, pela intenção e pelas circunstâncias, situa a felicidade perfeita na bem-aventurança, classifica as leis e relê as virtudes cardeais, com a prudência como rainha.

A ruptura moderna (aulas 19 a 23)

Maquiavel separa ética e política: parte do homem como ele é e faz da eficácia o critério do governante, com uma virtù que é habilidade, não caráter. Descartes encontra no cogito a certeza do indivíduo sobre si e, sem certeza equivalente na moral, propõe uma moral provisória; Hobbes vê o homem como lobo do homem e confia a paz a um soberano absoluto, o Leviatã; Spinoza propõe libertar-se das paixões pelo conhecimento até o amor intelectual a Deus. Kant, chave para entender como hoje se pensa a ética, recusa a busca da felicidade como motivo moral e funda a moral no dever, no imperativo categórico e na autonomia.

Nietzsche, Ortega e Sartre (aulas 24 a 28)

Nietzsche vê em Sócrates e no cristianismo a origem de uma moral de escravos, anuncia a morte de Deus e o super-homem e está na raiz do niilismo que marca a cultura contemporânea; o curso julga impraticável o que ele sustenta. Ortega y Gasset não propõe um sistema ético, mas um diagnóstico: a vida de cada um é a realidade radical, ser homem é responder a uma vocação e reabsorver a circunstância num projeto vital, e o homem-massa é quem vive sem gratidão nem responsabilidade. Sartre, ateu, afirma que a existência precede a essência, que o homem está condenado a ser livre e que o olhar do outro o transforma em objeto.

MacIntyre e o encerramento (aulas 29 e 30)

Em Depois da Virtude, Alasdair MacIntyre compara a ética atual a fragmentos de uma ciência perdida: usamos palavras como virtude e felicidade sem o contexto que lhes dava sentido. Contra o emotivismo e as alternativas modernas, propõe retomar o telos aristotélico e entender a virtude a partir da prática, da narrativa e da tradição, vividas em pequenas comunidades, como os mosteiros que surgiram na queda de Roma. Um breve encerramento recapitula o percurso e reafirma que a ética é busca real de orientação na vida.

O que você vai aprender

  • Distinguir a eudaimonia grega, realização da própria natureza, da ideia atual de felicidade como bem-estar passivo
  • Acompanhar a mudança de sentido da areté: habilidade de uma função em Homero, excelência moral em Sócrates, hábito que aperfeiçoa em Aristóteles
  • Reconhecer os dilemas que a tragédia grega deixou para a filosofia: destino e responsabilidade, lei divina e lei humana, vingança e justiça
  • Entender o intelectualismo de Sócrates, a justiça como ordem da alma em Platão e a virtude como meio-termo em Aristóteles
  • Explicar as virtudes cardeais e o papel da prudência, a reta razão no agir, em Aristóteles e em Tomás de Aquino
  • Comparar o estoicismo de Sêneca e o epicurismo como respostas do helenismo à busca da felicidade
  • Compreender o mal como privação de um bem devido, a liberdade e a ordem do amor em Santo Agostinho
  • Julgar um ato pelo objeto, pela intenção e pelas circunstâncias e distinguir as leis eterna, natural, humana e divina em Tomás de Aquino
  • Reconhecer a ruptura moderna, de Maquiavel, que separa ética e política, a Kant, que funda a moral no dever, passando por Descartes, Hobbes e Spinoza
  • Discutir o niilismo de Nietzsche, o projeto vital de Ortega y Gasset, a liberdade em Sartre e a proposta de MacIntyre de recuperar a ética das virtudes

Aula por aula

  1. Aula 1 Conceitos fundamentais: ser humano, felicidade, bem e mal

    A ética pergunta não pelo proibido, mas pelo que fazer para ser feliz. Seus conceitos de base: o ser humano, unidade de corpo e alma com inteligência, vontade e afetos; a consciência; a felicidade como eudaimonia; o mal como privação de um bem devido; e a dupla raiz grega da palavra ética.

    O exemplo aristotélico do remédio amargo que faz bem ajuda a ver por que bem e mal não se medem pelo que é agradável ou desagradável.

    conceito de éticanatureza humanaeudaimoniabem e malconsciência AristótelesSanto Agostinho
    21 min
  2. Aula 2 Homero, areté e híbris antes da filosofia

    A filosofia nasce do mito e da poesia: a narrativa já ensina a separar o essencial do acidental. Na Ilíada e na Odisseia, Homero oferece modelos de vida, mostra a areté ainda como excelência de uma função, não virtude moral, e a híbris como desmedida que gera tragédias.

    Ulisses, que se apresentara ao Ciclope como Ninguém, cede à híbris ao revelar seu nome na partida, e o episódio mostra como a desmedida atinge também os outros.

    Homeroaretéhíbrisnarrativamodelos de vida Homero, IlíadaHomero, Odisseia
    20 min
  3. Aula 3 Tragédia grega: destino, justiça e responsabilidade

    A tragédia grega, com papel formativo e político e o efeito da catarse, prepara a filosofia ao pôr em cena dilemas éticos: o destino e a responsabilidade, o conflito entre preceitos divinos na Oresteia, entre lei humana e divina em Antígona, e a vingança escolhida por Medeia.

    Ésquilo, avisado de que um teto cairia em sua cabeça, teria morrido atingido por uma tartaruga, lenda que ilustra a ideia grega de que fugir do destino é encontrá-lo.

    tragédia gregacatarsedestinojustiçaresponsabilidade Ésquilo, OresteiaSófocles, Édipo Rei e AntígonaEurípides, MedeiaAristótelesWerner Jaeger
    21 min
  4. Aula 4 Sócrates, os sofistas e o reconhecimento da ignorância

    A virada antropológica da filosofia é situada na Atenas democrática do século V a.C., onde sofistas como Protágoras e Górgias ensinavam retórica para o sucesso. Sócrates responde à confusão conceitual com a pergunta 'o que é?', parte do reconhecimento da própria ignorância e acaba visto como ameaça e condenado.

    O oráculo de Delfos declarou Sócrates o mais sábio dos homens; a aula mostra como, interrogando os tidos por sábios, ele entendeu o sentido da profecia.

    Sócratessofistasvirada antropológicarelativismooráculo de Delfos SócratesProtágorasPlatãoApologia de SócratesAristóteles
    22 min
  5. Aula 5 Morte de Sócrates, método dialético e intelectualismo moral

    O julgamento e a morte de Sócrates, registrados na Apologia, marcam o nascimento da filosofia como atividade mortalmente séria. Seguem-se o método dialético e a maiêutica, a areté como excelência moral do homem e o intelectualismo, para o qual conhecer o bem é praticá-lo, tese que a aula julga falha.

    Condenado à cicuta, Sócrates recusa a fuga proposta por um discípulo e explica por que não faz sentido temer algo que não se conhece, como a morte.

    Apologiamaiêuticaironia socráticaintelectualismo moralareté SócratesPlatãoApologia de SócratesEutífron
    21 min
  6. Aula 6 Sócrates: conhecimento, unidade e ensino das virtudes

    Para Sócrates, virtude e conhecimento são inseparáveis: a opinião revela mais sobre quem fala do que sobre o objeto, o acesso à verdade exige desprendimento dos próprios interesses e ninguém erra voluntariamente. As virtudes formam uma unidade e se ensinam por definição e exemplo, pois conhecer é reconhecer.

    O exemplo do Mênon de procurar um coelho sem nunca ter visto um ilustra por que, para aprender a coragem, é preciso ver alguém sendo corajoso.

    episteme e opiniãounidade das virtudesensino da virtudereminiscênciacuidado da alma SócratesPlatãoMênon
    22 min
  7. Aula 7 Platão: dualismo, alma tripartida e ética da justiça

    Platão radicaliza a tese socrática de que o homem é essencialmente sua alma, sob influência órfica e pitagórica. Examinam-se a obra em diálogos, o dualismo entre mundo sensível e mundo das ideias, a alma tripartida espelhada na pólis e a ética da justiça como ordem da alma.

    A aula desfaz uma leitura literal do mundo das ideias e explica o jogo de palavras grego por trás da fórmula 'o corpo é o cárcere da alma'.

    Platãomundo das ideiasalma tripartidacorpo e almajustiça PlatãoSócratesA Repúblicaorfismopitagóricos
    22 min
  8. Aula 8 Platão: ideia de bem e anel de Giges

    Em Platão, ética e metafísica são inseparáveis: no topo das formas está a ideia de bem, da qual o homem participa assemelhando-se ao divino. Os mitos da caverna, de Er e do anel de Giges expressam essa visão e o ideal, buscado pela Academia, de amar o bem pelo bem.

    O anel que torna o pastor Giges invisível, comparado na aula à capa de Harry Potter, põe à prova a pergunta: seríamos justos se ninguém nos visse?

    ideia de bemtranscendentaisparticipaçãomito da cavernaanel de Giges PlatãoA RepúblicaFileboSócratesTrasímaco
    21 min
  9. Aula 9 Platão: República, rei-filósofo, justiça e amor

    Na República, a formação vai da lei externa à interiorizada, e o círculo entre leis justas e homens justos leva ao rei-filósofo. A justiça harmoniza temperança, fortaleza e prudência; é melhor sofrer que praticar injustiça; e o Banquete mostra o eros que sobe da beleza dos corpos ao bem.

    Sem o Banquete, sugere a aula, a filosofia de Platão pareceria fria e legalista; o que está por trás dela, no fundo, é aprender a amar.

    A Repúblicarei-filósofoformas de governojustiçaeros PlatãoA RepúblicaO BanqueteSócratesDiotima
    23 min
  10. Aula 10 Aristóteles: teleologia, felicidade, prazer e atos voluntários

    Aristóteles, formado na Academia de Platão, vê a realidade como teleológica: tudo tende à própria perfeição. Para o homem, esse fim é a eudaimonia, contemplativa ou prática, que não se confunde com o prazer; a ética examina os atos voluntários, dignos de louvor ou censura.

    Marinheiros que lançam a carga ao mar por briga ou para salvar o barco numa tempestade ilustram a distinção entre ato voluntário e involuntário.

    Aristótelesteleologiaeudaimoniaprazeratos voluntários Aristóteles, Ética a NicômacoPlatão
    19 min
  11. Aula 11 Aristóteles: amizade, honra, sorte e caráter na felicidade

    Aristóteles examina os bens tidos como necessários à felicidade (vida na pólis, família, trabalho, beleza, amizade, honra e sorte) e conclui que, sendo todos frágeis, o fator decisivo é o caráter, formado por hábitos: virtudes, que aperfeiçoam e trazem deleite no bem, e vícios, que tiram o domínio de si.

    Ao perguntar se o homem feliz precisa de amigos, a aula apresenta as três amizades aristotélicas e explica por que a dor partilhada diminui e a alegria aumenta.

    felicidadeamizadehonra e famahábitovirtude e vício AristótelesÉtica a NicômacoC. S. Lewis
    24 min
  12. Aula 12 Aristóteles: virtude como meio-termo e virtudes cardeais

    A virtude, para Aristóteles, é o meio-termo excelente entre um vício de excesso e outro de falta. A partir disso se examinam as quatro virtudes cardeais: temperança, fortaleza, justiça (comutativa, legal e distributiva) e prudência, a sabedoria prática que escolhe os meios adequados ao fim.

    O meio-termo aristotélico não é mediocridade, mas o pico de uma montanha; e o prudente, segundo a aula, é lento para refletir e ágil para agir.

    meio-termovirtudes cardeaistemperançajustiçaprudência AristótelesÉtica a NicômacoTomás de Aquino
    21 min
  13. Aula 13 Helenismo e o estoicismo de Sêneca

    O helenismo, marcado pelo cosmopolitismo de Alexandre, deixa o grego sem sua pólis e faz da filosofia modo de vida e consolo. No estoicismo de Sêneca, a felicidade exige virtude, apatia e ataraxia, proposta com lições valiosas, mas limitada por sufocar paixões que deveriam ser educadas.

    A aula explica por que o estoicismo está tão em voga hoje e lembra a frase de Sêneca a Lucílio: nada nos pertence, só o tempo é nosso.

    helenismocosmopolitismoestoicismoapatiaSêneca SênecaCartas a LucílioAlexandre MagnoDiógenes
    26 min
  14. Aula 14 Epicurismo: prazer comedido, ataraxia e aponia

    O epicurismo, influenciado pelo atomismo de Demócrito, não é um hedonismo desenfreado: busca o prazer e foge da dor de modo comedido, visando a ataraxia e a aponia, e distingue prazeres naturais e necessários, naturais e não necessários, e os que devem ser evitados, como fama, luxo e poder.

    Embora hoje se fale muito de estoicismo, a aula observa que a cultura vigente tem marca forte do epicurismo, e mostra a diferença entre beber água e beber vinho.

    epicurismohelenismoataraxiaaponiatipos de prazer EpicuroDemócrito
    16 min
  15. Aula 15 Mentalidade cristã e as Confissões de Santo Agostinho

    O pensamento medieval traz uma nova mentalidade cristã: criação, providência, pecado original, graça, Escrituras e tempo linear. Em Santo Agostinho, a trajetória do maniqueísmo à conversão desemboca nas Confissões, autobiografia interior que inaugura o método da confissão sincera diante de Deus e formula o problema do mal.

    O menino Agostinho roubava frutas do vizinho só pelo gosto do roubo, episódio que a aula usa para mostrar a sinceridade radical das Confissões.

    Idade Médiamentalidade cristãSanto AgostinhoConfissõesproblema do mal Santo AgostinhoConfissõesmaniqueísmo
    20 min
  16. Aula 16 Agostinho: mal, liberdade e ordem do amor

    Santo Agostinho entende o mal como privação de um bem devido, distingue mal físico e moral, nega o mal metafísico dos maniqueus e atribui sua origem ao mau uso da liberdade, dada ao homem para amar. A tarefa humana é ordenar os amores, pois dois amores fundaram duas cidades.

    Até os vilões amam, lembra a aula: para Agostinho, o que distingue santos e pecadores não é amar ou não, mas o que se ama e em que medida.

    mal como privaçãolivre-arbítrioordem do amorCidade de Deusiluminação Santo AgostinhoO Livre-ArbítrioA Cidade de DeusConfissõesmaniqueísmo
    25 min
  17. Aula 17 Tomás de Aquino: ato moral, felicidade e leis

    Tomás de Aquino distingue atos do homem e atos humanos, cuja moralidade depende do objeto, da intenção e das circunstâncias. Com Aristóteles e as Escrituras, situa a felicidade perfeita na bem-aventurança, afirma que a sociedade existe para o homem e classifica as leis em eterna, natural, humana e divina.

    A esmola dada para ser admirado e a mentira que poupa alguém ilustram a regra tomista: má intenção corrompe o ato bom, e boa intenção não salva o mau.

    ato humanofontes da moralidadebem-aventurançalei naturalbem comum Tomás de AquinoAristótelesSuma Teológica
    25 min
  18. Aula 18 Tomás de Aquino: virtudes cardeais e prudência

    Para Tomás de Aquino, a temperança é o governo racional dos desejos em vista da paz interior; a fortaleza, fidelidade à hierarquia dos valores; e a justiça, completada pelo amor, exige desobedecer leis injustas. A prudência, rainha das virtudes, envolve memória, docilidade, solércia, cautela, eubulia, sínese e gnome.

    A pessoa prudente é ousada, e não só cautelosa, sustenta a aula, lembrando que muitas dúvidas não são entre o bem e o mal, mas entre dois bens.

    virtudes cardeaistemperançafortalezaleis injustasprudência Tomás de AquinoSuma TeológicaAristóteles
    28 min
  19. Aula 19 Maquiavel: realismo e separação entre ética e política

    Maquiavel separa ética e política: parte do homem como ele é, egoísta e ambicioso, e faz da eficácia o critério do governante. Sua virtù é habilidade, não caráter moral: imprevisibilidade, crueldade ou clemência conforme a utilidade e preferir ser temido a ser amado, embora dependa também da fortuna.

    O caso do general cruel que o próprio governante depois mandou executar mostra, na leitura de Maquiavel, como controlar uma cidade pelo medo e saciar sua sede de vingança.

    Maquiavelrealismo políticovirtù e fortunaética e políticaO Príncipe MaquiavelO Príncipe
    21 min
  20. Aula 20 Descartes: método, cogito e moral provisória

    Descartes inaugura a modernidade com o método inspirado na matemática e a dúvida metódica que leva ao cogito, certeza do indivíduo sobre si. Sem certeza equivalente na moral, propõe uma moral provisória de quatro regras e faz da razão individual, não da tradição, o critério da ação.

    Mudar os próprios desejos antes que a ordem do mundo: a aula mostra como a moral de Descartes prefere reformar o indivíduo a reformar a sociedade.

    Descartesracionalismodúvida metódicacogitomoral provisória DescartesAs Paixões da Alma
    20 min
  21. Aula 21 Hobbes: egoísmo, contrato social e Leviatã

    Para o empirista Hobbes, o homem é naturalmente egoísta e lobo do homem, pois o bem é o que conserva a própria vida. A paz exige um contrato social que entrega tudo a um soberano absoluto, o Leviatã, e leis da natureza como buscar a paz e cumprir acordos.

    A aula contrapõe o homem egoísta de Hobbes ao bom selvagem de Rousseau, para quem os conflitos começam quando surge a divisão entre o meu e o teu.

    Hobbesempirismoegoísmocontrato socialLeviatã Thomas HobbesLeviatãRousseau
    18 min
  22. Aula 22 Spinoza: substância única, paixões e amor a Deus

    Racionalista em busca de um saber exato como a geometria, Baruch Spinoza sustenta que só existe uma substância, Deus, da qual tudo é modo ou atributo. Sua Ética propõe libertar-se das paixões pelo conhecimento, ver as coisas sob a perspectiva da eternidade e chegar ao amor intelectual a Deus.

    Há quem compre a Ética de Spinoza num sebo para aprender ética e se desconcerte com seu rigor; a aula apresenta as ideias centrais desse livro.

    Spinozaracionalismosubstâncianecessidade e liberdadeamor a Deus Baruch SpinozaÉtica
    12 min
  23. Aula 23 Kant: ética do dever, imperativo categórico e autonomia

    Kant busca conciliar racionalismo e empirismo nos juízos sintéticos a priori e, na moral, rejeita eudaimonismo, hedonismo e utilitarismo em favor de uma ética deontológica: a boa vontade age pelo dever. O imperativo categórico, a autonomia como verdadeira liberdade e os postulados de Deus, imortalidade e liberdade completam sua proposta.

    A ideia corrente de que a ética é um conjunto de normas a cumprir, e não um caminho para a felicidade, é herança de Kant, sustenta a aula.

    Kantteoria do conhecimentoética deontológicaimperativo categóricoautonomia Immanuel KantCrítica da Razão PuraCrítica da Razão PráticaFundamentação da Metafísica dos CostumesO que é o Esclarecimento?
    23 min
  24. Aula 24 Nietzsche: apolíneo, dionisíaco e crítica da moral

    Nietzsche, um dos filósofos da suspeita, vê em Sócrates o triunfo do apolíneo sobre o dionisíaco e ataca o cristianismo. Lê a moral como moral de escravos, que justifica quem não ousa exercer a vontade de poder, propõe a criança como novo tipo humano e nega que exista verdade.

    Nietzsche dizia não ser um homem, mas uma dinamite; a aula mostra o que ele pretendia explodir, de Sócrates ao cristianismo.

    Nietzscheapolíneo e dionisíacovontade de podermoral de escravosfilósofos da suspeita NietzscheO Nascimento da TragédiaGenealogia da MoralVontade de Poder
    20 min
  25. Aula 25 Nietzsche: morte de Deus, super-homem e niilismo

    Em Assim Falou Zaratustra, Nietzsche anuncia a morte de Deus, fundamento da moral judaico-cristã, abrindo espaço ao super-homem, que realiza a vontade de poder e vive o amor fati diante do eterno retorno. Daí nasce o niilismo, aceitação de que nada tem sentido, proposto como antídoto ao ressentimento.

    Nietzsche escreve muito bem, mas o que sustenta é impraticável, avalia a aula, que vê nele a origem do niilismo que marca a cultura contemporânea.

    morte de Deussuper-homemeterno retornoamor fatiniilismo NietzscheAssim Falou Zaratustra
    18 min
  26. Aula 26 Ortega y Gasset: razão vital, vocação e circunstância

    Partindo das Meditações do Quixote, semente de sua obra, Ortega y Gasset propõe o perspectivismo e o raciovitalismo: a vida de cada um é a realidade radical, e viver é compreender. Ser homem é responder a uma vocação, reabsorvendo a circunstância, dada ou escolhida, a serviço do projeto vital.

    A aula explica o sentido da célebre frase 'eu sou eu e a minha circunstância' e mostra como até a circunstância mais opressora pode virar trampolim.

    Ortega y Gassetrazão vitalvocaçãocircunstânciaprojeto vital Ortega y GassetMeditações do QuixoteMiguel de Unamuno
    22 min
  27. Aula 27 Ortega: projeto vital, homem-massa e homem nobre

    Para Ortega y Gasset, o projeto vital é a tarefa que cada um realiza livremente, respondendo à vocação; abandoná-la é acanalhar-se. A Rebelião das Massas contrapõe o homem nobre, grato e responsável, ao homem-massa formado por circunstâncias fáceis; como saída, Ortega aponta as ideias dos náufragos e o ensimesmamento.

    Até o cientista pode ser homem-massa: a aula explica a 'barbárie do especialismo', de quem, sábio em sua área, opina sobre tudo com a mesma autoridade.

    projeto vitalautenticidadehomem-massaespecialismoensimesmamento Ortega y GassetA Rebelião das MassasO Homem e a GenteViktor FranklAleksandr Soljenítsin
    29 min
  28. Aula 28 Sartre: liberdade, olhar do outro e náusea

    Para Sartre, ateu e existencialista, a existência precede a essência: o homem é autor de si mesmo e está condenado a ser livre. O olhar do outro o objetifica, como em Entre Quatro Paredes, e a gratuidade das coisas gera náusea e angústia: o homem é uma paixão inútil.

    Na peça Entre Quatro Paredes, o inferno é uma sala bem decorada onde ninguém dorme nem pisca; daí vem a célebre frase de Sartre 'o inferno são os outros'.

    existencialismoliberdademá-féangústianáusea Jean-Paul SartreO Existencialismo é um HumanismoEntre Quatro ParedesA NáuseaHeidegger
    20 min
  29. Aula 29 MacIntyre: Depois da Virtude e retorno a Aristóteles

    Em Depois da Virtude, Alasdair MacIntyre compara a ética atual a fragmentos de uma ciência perdida: usamos termos como virtude e felicidade sem seu contexto. Contra as alternativas modernas e o emotivismo, propõe retomar o telos aristotélico, entendendo a virtude por prática, narrativa e tradição, vividas em pequenas comunidades.

    Depois da Virtude termina dizendo que não esperamos Godot, mas outro São Bento; a aula liga a imagem aos mosteiros que surgiram na queda de Roma.

    Depois da Virtudeemotivismotelostradiçãocomunitarismo Alasdair MacIntyreDepois da VirtudeAristótelesKantNietzsche
    28 min
  30. Aula 30 Encerramento: de Homero a MacIntyre

    Encerramento do curso: recapitula o percurso da poesia homérica e da tragédia grega até Nietzsche, Ortega, Sartre e MacIntyre, lembra que se trata de um curso introdutório e reafirma que a ética não é assunto apenas teórico, mas busca real de orientação na vida.

    Útil para quem quer ter uma visão do conjunto antes de começar: em poucos minutos, a aula mostra o arco completo do curso, da Antiguidade aos contemporâneos.

    encerramentorecapitulaçãoética e vidabibliografia
    4 min

Autores, obras e figuras discutidos

Aristóteles · Santo Agostinho · Homero, Ilíada · Homero, Odisseia · Ésquilo, Oresteia · Sófocles, Édipo Rei e Antígona · Eurípides, Medeia · Werner Jaeger · Apologia de Sócrates · Protágoras · Platão · Eutífron · Mênon · A República · orfismo · pitagóricos · Filebo · Trasímaco · O Banquete · Diotima · Aristóteles, Ética a Nicômaco · C. S. Lewis · Tomás de Aquino · Sêneca · Cartas a Lucílio · Alexandre Magno · Diógenes · Epicuro · Demócrito · Confissões · maniqueísmo · O Livre-Arbítrio · A Cidade de Deus · Suma Teológica · Maquiavel · O Príncipe · Descartes · As Paixões da Alma · Thomas Hobbes · Leviatã · Rousseau · Baruch Spinoza · Ética · Immanuel Kant · Crítica da Razão Pura · Crítica da Razão Prática · Fundamentação da Metafísica dos Costumes · O que é o Esclarecimento? · Nietzsche · O Nascimento da Tragédia · Genealogia da Moral · Vontade de Poder · Assim Falou Zaratustra · Ortega y Gasset · Meditações do Quixote · Miguel de Unamuno · A Rebelião das Massas · O Homem e a Gente · Viktor Frankl · Aleksandr Soljenítsin · Jean-Paul Sartre · O Existencialismo é um Humanismo · Entre Quatro Paredes · A Náusea · Heidegger · Alasdair MacIntyre · Depois da Virtude