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Resumo do curso · História e Política

Roma

Da loba capitolina à queda do Ocidente: a formação de Roma e o solo em que o cristianismo floresceu.

Com Guilherme Almeida 7 aulas 1h55 de vídeo 7 aulas expositivas de 9 a 23 minutos (cerca de 1h55 no total), em ordem cronológica; panorama introdutório que continua o curso sobre a Grécia, com indicações de livros e pinturas ao longo das aulas.

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Visão geral

Roma deu ao Ocidente códigos de leis, padrões de burocracia, uma arte de fazer política sem igual na Antiguidade e o terreno em que o cristianismo floresceu. É dessa convicção que parte este curso introdutório do professor Guilherme Almeida, continuação do curso sobre a Grécia, ao mostrar como uma pequena cidade cercada por sete colinas se tornou império e romanizou os povos dominados, dando aos portos do Mediterrâneo, o Mare Nostrum, moeda, lei comercial e língua comuns.

O percurso começa nos mitos fundadores, lidos à luz da ideia de herança de Arnold Toynbee: a loba que amamenta Rômulo e Remo, o fratricídio e o rapto das sabinas. Passa pela monarquia, com seus patrícios, seu Senado de anciãos e suas leis orais, e pelo estupro de Lucrécia, que põe fim aos reis e dá origem à República, com seus dois cônsules e as conquistas dos plebeus, das Doze Tábuas à Lei Licínia.

As guerras púnicas contra Cartago fazem de Roma a senhora do Mediterrâneo, mas fortalecem os generais e abrem o declínio da República. Vêm a revolta de Espártaco, o primeiro triunvirato e Júlio César, que cruza o Rubicão, vence Pompeu e é assassinado em 44 a.C. como ditador vitalício, e não como imperador.

A última aula acompanha Otávio Augusto e a Pax Romana e conta a história do cristianismo no Império em três fases: a perseguição, que ganha força com Nero; a tolerância, com o Édito de Milão, de Constantino; e a oficialização, com Teodósio. O curso termina com as invasões germânicas e a queda do Ocidente em 476, lembra que o Oriente sobreviveria por quase mil anos e aponta para o curso seguinte, sobre os francos.

O percurso do curso

Por que estudar Roma

O curso se apresenta como continuação do curso sobre a Grécia e parte de uma tese: estudar Roma é olhar para boa parte do que vemos no espelho. Dela vêm códigos de leis, padrões de burocracia e uma arte política sem igual na Antiguidade, além do terreno em que o cristianismo floresceu. De uma pequena cidade cercada por sete colinas nasce um império que romaniza os povos dominados e dá aos portos do Mare Nostrum moeda, lei comercial e língua comuns. Richard Tarnas e David Abulafia ficam como leituras de apoio.

Três violências na origem

A segunda aula parte de uma frase de Arnold Toynbee, para quem a herança é carma, e lê na origem de Roma três violências: a simbólica, da loba que amamenta Rômulo e Remo; a física, do fratricídio que dá nome à cidade; e a sexual, do rapto das sabinas, do qual teria nascido boa parte da geração seguinte. Para o professor, essa herança arcaica ajuda a entender a ferocidade da república e do império, as “pernas de ferro” da estátua do sonho de Nabucodonosor. A alcateia, guiada pelos mais velhos, antecipa o Senado de anciãos.

A monarquia

Em cerca de dois séculos de reis, Roma se organiza com patrícios e um Senado de cem anciãos no topo e, abaixo deles, comerciantes, estrangeiros e escravos. A escravidão, lembra o professor, vinha de dívidas ou de guerras, e não da etnia, como ocorreria na escravidão moderna. A cidade vira ponto de convergência do comércio, herda os deuses gregos com outros nomes, mistura religião e política e se rege por leis orais que barram os plebeus dos altos cargos e do casamento com patrícios.

A República e as conquistas plebeias

A trama de Túlia e Tarquínio, o Soberbo, e o estupro e suicídio de Lucrécia derrubam a monarquia em 509 a.C. No lugar do rei surge a res publica: dois cônsules, um Senado de trezentos membros, a Assembleia Popular e, mais tarde, os tribunos da plebe. Depois da revolta do Monte Sagrado, os plebeus obtêm leis escritas, as Doze Tábuas, o direito de casar com patrícios, pela Lei Canuleia, e sobretudo a Lei Licínia, que lhes reserva um dos dois consulados. Para o professor, Roma dá aos “mal nascidos” uma voz que nenhuma outra civilização antiga lhes deu.

Cartago e o declínio da República

As três guerras púnicas (264–146 a.C.) disputam o comércio do Mediterrâneo. Aníbal cruza os Alpes com elefantes e vence em Canas, mas Roma ataca Cartago, que acaba destruída e tem os sobreviventes vendidos como escravos. O professor recusa a leitura das conquistas plebeias como luta de classes e aponta o paradoxo da vitória: para manter territórios imensos, o Senado fortalece generais que um dia se voltarão contra ele, enquanto os plebeus perdem espaço e os Gracos fracassam. A aula passa pela revolta de Espártaco e chega ao primeiro triunvirato de César, Pompeu e Crasso.

Júlio César

Enquanto Pompeu ganha o favor do Senado, César combate na Gália e, chamado de volta, cruza o Rubicão com suas legiões: “a sorte está lançada”. Vence Pompeu em Farsalo, recebe em Alexandria a cabeça do rival, morto a mando de Ptolomeu, e põe Cleópatra no trono. De volta a Roma, é feito ditador vitalício, e não imperador, e cai em 44 a.C., numa trama do Senado. No caminho, a aula comenta a ligação da palavra salário com o sal, define o bárbaro como quem está fora da cultura greco-romana e revive as Catilinárias de Cícero.

Augusto, o cristianismo e o fim do Ocidente

Otávio vence Marco Antônio e Cleópatra em Áccio e, como Augusto, inaugura em 27 a.C. o Império e a Pax Romana, tempo de grandes obras sob o qual nasce Cristo. O cristianismo, visto de início como inofensivo, passa a ser perseguido, sobretudo a partir de Nero, porque não reconhece divindade no imperador; nas catacumbas, os fiéis se reconhecem pelo peixe. Vêm depois a tolerância, com o Édito de Milão, de Constantino, e a oficialização, com o Édito de Tessalônica, de Teodósio. Corrupção, fronteiras porosas e invasões germânicas levam à queda do Ocidente em 476, enquanto o Oriente de Justiniano e da Hagia Sofia resiste quase mil anos. O curso fecha com a fusão de instituições romanas e bárbaras que dará no feudalismo e aponta para os francos.

O que você vai aprender

  • As três fases da história romana, monarquia, república e império, e o que muda na política de cada uma
  • Uma leitura dos mitos fundadores (a loba capitolina, o fratricídio de Rômulo e o rapto das sabinas) como marcas do caráter romano
  • Como se organizava a monarquia: patrícios, Senado, leis orais e uma escravidão nascida de dívidas e guerras, não de etnia
  • Por que o estupro de Lucrécia pôs fim à monarquia e o que era a res publica governada por dois cônsules
  • Como os plebeus conquistaram voz política, da revolta do Monte Sagrado às Doze Tábuas e à Lei Licínia
  • O que estava em jogo nas guerras púnicas e por que a vitória sobre Cartago abriu o declínio da República
  • A trajetória de Júlio César, do primeiro triunvirato ao Rubicão e ao assassinato, e por que ele não foi imperador
  • As três fases da relação entre cristianismo e Império: perseguição, tolerância com o Édito de Milão e oficialização com Teodósio
  • O que foi a Pax Romana de Otávio Augusto e como, séculos depois, as invasões germânicas levaram à queda do Ocidente em 476

Aula por aula

  1. Aula 1 Por que estudar a civilização romana

    Roma como continuação da herança grega e chave para entender leis, burocracia e política no Ocidente, além do solo em que o cristianismo floresceu. Mostra como uma pequena cidade cercada por sete colinas virou império e romanizou os povos dominados, dando ao Mare Nostrum moeda, lei comercial e língua comuns.

    Parte de uma tese que guia o curso inteiro: estudar Roma é olhar para boa parte do que vemos no espelho, das leis à maneira de fazer política.

    romanizaçãoMare Nostrumherança gregacristianismoImpério Romano Richard TarnasDavid Abulafia
    9 min
  2. Aula 2 Rômulo, Remo e a violência fundadora de Roma

    Os mitos fundadores de Roma lidos à luz da herança como carma, de Arnold Toynbee: a loba capitolina que cria Rômulo e Remo, o fratricídio e o rapto das sabinas. Três violências, simbólica, física e sexual, que ajudariam a explicar a ferocidade da república e do império.

    Compara a alcateia, em que os lobos mais velhos vão à frente e ditam o ritmo, ao Senado romano, que era uma assembleia de anciãos.

    mitos fundadoresloba capitolinaRômulo e Remorapto das sabinasherança arcaica Arnold ToynbeeVirgílioSigmund FreudJacques-Louis DavidLivro de Daniel
    15 min
  3. Aula 3 A monarquia romana: patrícios, Senado e leis orais

    A organização da monarquia romana: patrícios e um Senado de cem anciãos no topo; abaixo deles, comerciantes, estrangeiros e escravos. Roma vira ponto de convergência comercial, herda a religião grega com outros nomes, mistura religião e política e se rege por leis orais que excluíam os plebeus.

    Explica por que a escravidão antiga, fruto de dívidas ou de guerras, quase nada tinha a ver com etnia, ao contrário da escravidão moderna.

    monarquia romanapatrícios e plebeusSenadoescravidão antigareligião e política Código de Hamurabi
    11 min
  4. Aula 4 Do estupro de Lucrécia à República Romana

    A queda da monarquia, da trama de Túlia e Tarquínio, o Soberbo, ao estupro e suicídio de Lucrécia, abre a República em 509 a.C. Apresenta o consulado, a revolta do Monte Sagrado e as conquistas plebeias, das Doze Tábuas à Lei Licínia, até Cartago surgir no horizonte.

    Sustenta que Roma deu voz política aos chamados “mal nascidos”, camada que na Grécia, no Egito e na Mesopotâmia não tinha participação alguma.

    fim da monarquiaRepública RomanaconsuladoplebeusDoze Tábuas Tarquínio, o SoberboLucréciaBrutusTibério e Caio GracoCatão, o Velho
    16 min
  5. Aula 5 Guerras púnicas e o declínio da República

    As três guerras púnicas (264–146 a.C.) pelo controle do comércio no Mediterrâneo, da travessia dos Alpes por Aníbal à destruição de Cartago. A expansão fortalece os generais e volta a marginalizar os plebeus, abrindo o declínio da República, que passa pela revolta de Espártaco e chega ao primeiro triunvirato.

    Contesta a leitura das conquistas plebeias como luta de classes: para o professor, patrícios e plebeus sabiam que o bem de Roma era o bem de todos.

    guerras púnicasAníbalCartagodeclínio da Repúblicaprimeiro triunvirato AníbalCatão, o VelhoEspártacoCrassoPompeu
    23 min
  6. Aula 6 Júlio César, do Rubicão ao assassinato

    O primeiro triunvirato e a ascensão de Júlio César: as campanhas na Gália, a travessia do Rubicão, a guerra civil contra Pompeu, morto no Egito, e a relação com Cleópatra. Ditador vitalício, e não imperador, César é assassinado em 44 a.C. numa trama do Senado.

    Entre batalhas e intrigas, explica por que o sal valia tanto no mundo antigo e revive a pergunta de Cícero: “Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência?”

    primeiro triunviratoGáliaRubicãoguerra civilassassinato de César Júlio CésarPompeuCleópatraCíceroBrutus
    19 min
  7. Aula 7 Pax Romana, cristianismo e a queda do Ocidente

    Da vitória de Otávio Augusto em Áccio, que inaugura a Pax Romana, à queda do Ocidente em 476, sob as invasões germânicas, enquanto o Oriente resiste. No caminho, o cristianismo passa por três fases no Império: perseguição desde Nero, tolerância com o Édito de Milão e oficialização com Teodósio.

    Mostra por que uma fé tida de início como inofensiva passou a ser perseguida: ao negar divindade ao imperador, o cristianismo desafiava o fundamento do poder romano.

    Pax Romanaperseguição aos cristãosÉdito de Milãoinvasões germânicasqueda do Ocidente Otávio AugustoNeroConstantinoTeodósioJustiniano
    22 min

Autores, obras e figuras discutidos

Richard Tarnas · David Abulafia · Arnold Toynbee · Virgílio · Sigmund Freud · Jacques-Louis David · Livro de Daniel · Código de Hamurabi · Tarquínio, o Soberbo · Lucrécia · Brutus · Tibério e Caio Graco · Catão, o Velho · Aníbal · Espártaco · Crasso · Pompeu · Júlio César · Cleópatra · Cícero · Otávio Augusto · Nero · Constantino · Teodósio · Justiniano