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Resumo do curso · História e Política

Revoluções Burguesas

Como a burguesia, rica e sem poder político, refez o Ocidente nas revoluções Inglesa, Americana, Industrial e Francesa.

Com Guilherme Almeida 9 aulas 2h15 de vídeo 9 aulas expositivas e curtas, de 8 a 18 minutos, somando pouco mais de 2 horas; curso introdutório e panorâmico, que remete aos cursos de Renascimento e de Revolução Francesa para aprofundamento.

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Visão geral

Por séculos, a burguesia teve dinheiro sem ter voz. Nascida nos burgos medievais, não era nobre, nem clero, nem camponesa, e cresceu executando o mercantilismo que os próprios reis absolutistas criaram, até derrubá-los. Neste curso introdutório, Guilherme Almeida parte das novas crenças do homem renascentista, lidas com a ajuda de Ortega y Gasset, e do pensamento político de Maquiavel, Bodin, Bossuet e Hobbes para mostrar como essa camada social ganhou força.

O percurso passa pelas invenções que favoreceram a burguesia (bússola, pólvora, relógio e prensa) e pelo protestantismo, que, sem a condenação católica à usura, a atraiu, como sustenta Max Weber. Na Inglaterra, de Henrique VIII e Elizabeth I aos Stuart, burguesias mercantil e financeira, gentry e puritanos entram em choque com Carlos I; seguem a execução do rei, a ditadura de Cromwell, a restauração e a Revolução Gloriosa, cujo Bill of Rights funda a monarquia parlamentar.

Da Revolução Inglesa nasce, com John Locke, o iluminismo, que os colonos americanos levariam à independência e à república presidencialista inspirada em Montesquieu. A mesma Inglaterra, livre dos entraves à burguesia, inaugura a Revolução Industrial, do artesanato à manufatura e à máquina a vapor. O curso termina na Revolução Francesa, dos três estados e da Bastilha ao Terror jacobino e ao 18 Brumário de Napoleão: depois dela, os valores burgueses e iluministas passam a fazer parte do DNA do Ocidente.

O percurso do curso

Raízes: o homem renascentista e a burguesia (aulas 1 a 3)

O curso parte da palavra revolução, que vem de revolver, remexer o que está estabelecido, e de uma frase de Ortega y Gasset: para entender uma época, é preciso identificar o sistema de suas crenças. As do homem renascentista mudam: o antropocentrismo supera o teocentrismo, e o progresso material passa a valer mais que o espiritual. Na política, Maquiavel, Bodin, Bossuet e Hobbes dão forma ao poder absoluto dos reis.

A burguesia nasce nos burgos medievais, entre os intermediários do comércio das feiras; chamar de burgueses os mercadores da Mesopotâmia ou do Egito seria anacronismo. Rica, mas sem voz política, ela cresce ao executar o mercantilismo criado pelos reis absolutistas, que assim alimentam a força que os derrubaria. Quatro invenções (bússola, pólvora, relógio e prensa) favorecem sua ascensão, e o protestantismo, que retira o peso da condenação católica à usura, a atrai, como sustenta Max Weber em A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo.

A Revolução Inglesa (aulas 4 a 6)

Henrique VIII rompe com Roma em 1534 menos pelo divórcio do que para ampliar seu poder: reparte entre nobres e parlamentares as terras da Igreja, cerca de um quinto do reino. O Parlamento, lembra o professor, é medieval, com raízes na Magna Carta de 1215. Elizabeth I vende monopólios, transforma piratas em corsários e fortalece as burguesias mercantil e financeira; com sua morte, sobem os Stuart.

Carlos I fecha o Parlamento e reserva os monopólios à burguesia financeira, afastando a burguesia mercantil, a gentry e os puritanos de Oliver Cromwell, enquanto o continente vive a Guerra dos Trinta Anos, que não foi apenas religiosa. O rei é preso e, em 1649, decapitado, gesto que separa simbolicamente a cabeça do corpo social. Cromwell governa como ditador, cria o Ato de Navegação e persegue antigos aliados, como niveladores e escavadores. Depois da restauração dos Stuart, a Revolução Gloriosa de 1688-1689 impõe o Bill of Rights e funda a monarquia parlamentar.

Iluminismo, América e indústria (aulas 7 e 8)

Para o professor, o iluminismo nasce na Inglaterra, depois da revolução, com os Dois Tratados sobre o Governo Civil, de John Locke. Os impostos do rei George sobre os colonos levam à independência americana, que adapta O Espírito das Leis, de Montesquieu, na república presidencialista; o apoio francês, porém, sai caro, porque ingleses e americanos logo retomam o comércio.

A Revolução Industrial é a terceira revolução burguesa e começa na Inglaterra porque a Revolução Inglesa removera os entraves à burguesia. O curso distingue produção artesanal, manufatura e indústria e mostra o salto trazido pelo vapor de James Watt, o nascimento do marketing diante do excesso de produtos e a expansão do imperialismo britânico, em que o sol nunca se punha. Portugal, Espanha e Itália ficam para trás.

A Revolução Francesa (aula 9)

A última aula trata da França dos três estados, em que clero e nobreza eram uma pequena minoria cheia de privilégios. Guerras, luxo da corte, fome e a exclusão política do Terceiro Estado, sob os ideais de Rousseau e Montesquieu, levam à queda da Bastilha, à fase constitucional, ao Terror jacobino de Robespierre e ao Diretório, até o golpe do 18 Brumário, com que Napoleão encerra a revolução. Depois das quatro revoluções, conclui o curso, a burguesia já não precisa fazê-las: seus valores e os do iluminismo passam a fazer parte do DNA do Ocidente.

O que você vai aprender

  • Por que só se pode falar em burguesia a partir dos burgos medievais, e não entre os mercadores da Antiguidade
  • Como o mercantilismo criado pelos reis absolutistas fortaleceu a burguesia que acabaria por derrubá-los
  • Como bússola, pólvora, relógio e prensa favoreceram a ascensão burguesa
  • Por que o protestantismo atraiu os burgueses e o que diz a tese de Max Weber sobre a ética protestante
  • Os interesses políticos por trás da ruptura de Henrique VIII com Roma e o papel de Elizabeth I no fortalecimento das burguesias
  • As fases da Revolução Inglesa, de Carlos I e Cromwell à Revolução Gloriosa e ao Bill of Rights
  • Por que, para o professor, o iluminismo nasce na Inglaterra com John Locke, e como chega à Revolução Americana
  • O que distingue produção artesanal, manufatura e indústria, e por que a Revolução Industrial começou na Inglaterra
  • As causas e as três fases da Revolução Francesa, com o papel de jacobinos e girondinos, até o 18 Brumário

Aula por aula

  1. Aula 1 Do homem renascentista às revoluções burguesas

    As revoluções burguesas decorrem das novas crenças do homem renascentista, analisadas à luz de Ortega y Gasset, como o antropocentrismo e o progresso material acima do espiritual, e do pensamento político de Maquiavel, Bodin, Bossuet e Hobbes. Nesse processo, a burguesia ganha força até a Revolução Inglesa.

    Da etimologia de 'revolução', que vem de revolver, ao lema absolutista 'um rei, uma fé, uma lei', a introdução oferece conceitos básicos para acompanhar o curso.

    revoluções burguesasRenascimentoabsolutismoantropocentrismoburguesia Ortega y GassetMaquiavel (O Príncipe)Jean BodinBossuetThomas Hobbes
    8 min
  2. Aula 2 A burguesia entre o mercantilismo e o absolutismo

    Panorama das quatro revoluções burguesas (Inglesa, Americana, Industrial e Francesa) a partir da origem medieval da burguesia nos burgos. Mostra como essa camada, rica mas sem poder político, ganhou força ao executar o mercantilismo criado pelos reis absolutistas, que acabariam derrubados por ela.

    Inclui um alerta sobre anacronismo: comerciantes existiam na Mesopotâmia e no Egito, mas só se pode falar em burguesia a partir da Idade Média europeia.

    burguesiamercantilismoabsolutismoanacronismorevoluções burguesas Luís XIVKarl MarxProtágorasPedro Álvares Cabral
    15 min
  3. Aula 3 Protestantismo, invenções e a ascensão burguesa

    Bússola, pólvora, relógio e prensa favorecem a burguesia, ilustrando a frase associada a McLuhan: “os homens criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens”. Com Weber, o protestantismo aparece como a religião que, sem a condenação católica à usura, atrai os burgueses e se expande até a Inglaterra anglicana.

    Explica por que, na visão do professor, o anglicanismo é o protestantismo mais próximo do catolicismo: Henrique VIII precisou transformar aos poucos a fé de um reino católico havia séculos.

    protestantismousuraMax Weberanglicanismoinvenções Marshall McLuhanMartinho LuteroMax WeberHenrique VIII
    16 min
  4. Aula 4 Dos Tudor aos Stuart: parlamento e burguesias inglesas

    Henrique VIII rompe com Roma menos pelo divórcio do que para ampliar seu poder, repartindo terras da Igreja entre nobres e parlamentares. Elizabeth I vende monopólios e protege corsários, fortalecendo as burguesias mercantil e financeira, até a chegada dos Stuart com Jaime I.

    O parlamento inglês não nasceu com a Revolução Inglesa: tem raízes na Magna Carta de 1215, imposta a João Sem Terra para conter os gastos e os poderes da Coroa.

    Henrique VIIIMagna Cartaparlamento inglêsElizabeth Imonopólios Henrique VIIIElizabeth IMaria I, a SangrentaJaime IFrancis Drake
    17 min
  5. Aula 5 Carlos I, puritanos e a Revolução Inglesa

    Carlos I fecha o parlamento e vende monopólios só à burguesia financeira, afastando a burguesia mercantil, a gentry e os puritanos de Oliver Cromwell. Em paralelo à Guerra dos Trinta Anos, o conflito leva à prisão do rei e à ascensão de Cromwell.

    A Guerra dos Trinta Anos não foi apenas de católicos contra protestantes, lembra o professor: a França católica saiu vencedora ao lado de potências protestantes.

    Carlos IOliver Cromwellpuritanosgentrydiggers e levellers Carlos IOliver Cromwell
    16 min
  6. Aula 6 Cromwell, restauração e Revolução Gloriosa

    A execução de Carlos I em 1649, lida como separação simbólica da cabeça do corpo social, abre a ditadura de Cromwell, com o Ato de Navegação e a perseguição a antigos aliados. Seguem a restauração dos Stuart e a Revolução Gloriosa, cujo Bill of Rights funda a monarquia parlamentar.

    Antes de subir ao cadafalso, Carlos I pediu uma peça de roupa a mais, para que o povo não confundisse seu tremor de frio com medo.

    Oliver CromwellAto de NavegaçãoRevolução GloriosaBill of Rightsmonarquia parlamentar Carlos IOliver CromwellCarlos IIGuilherme de OrangeBill of Rights
    15 min
  7. Aula 7 Iluminismo inglês e a Revolução Americana

    O iluminismo nasce na Inglaterra, defende o professor, com os Dois Tratados sobre o Governo Civil de John Locke, depois da revolução. Os impostos do rei George sobre os colonos levam à independência americana, que adapta Montesquieu na república presidencialista, e o apoio francês sai caro.

    Cita a frase atribuída ao rei George, “matem alguns, mas não matem os líderes”, para mostrar o pragmatismo inglês que manteve o comércio com os novos Estados Unidos.

    iluminismoJohn LockeRevolução AmericanapresidencialismoMontesquieu John LockeMontesquieuBenjamin FranklinJorge III
    13 min
  8. Aula 8 Revolução Industrial: do artesanato à máquina a vapor

    A Revolução Industrial, revolução no modo de produção, começa na Inglaterra porque a Revolução Inglesa removeu os entraves à burguesia. A aula distingue produção artesanal, manufatura e indústria e mostra o salto trazido pelo vapor de James Watt, o nascimento do marketing e o imperialismo britânico.

    Abre com uma provocação: o século XVIII, tão fértil em economia, teria sido árido em beleza artística depois de Caravaggio e Velázquez.

    Revolução Industrialmanufaturamáquina a vaporimperialismo britânico Christopher DawsonNiall FergusonJames WattCaravaggioVelázquez
    17 min
  9. Aula 9 Revolução Francesa: panorama da Bastilha ao Brumário

    Panorama da Revolução Francesa: sociedade de três estados, ideais iluministas de Rousseau e Montesquieu e causas econômicas e políticas da crise. Percorre a tomada da Bastilha, a fase constitucional, o Terror jacobino de Robespierre, o Diretório e o golpe do 18 Brumário, com que Napoleão encerra a revolução.

    Desfaz um equívoco: a Inconfidência Mineira, desbaratada meses antes da queda da Bastilha, não poderia ter se inspirado na Revolução Francesa, embora ambas bebam do iluminismo.

    Revolução Francesatrês estadosTerrorDiretório18 Brumário RousseauMontesquieuLuís XVIRobespierreNapoleão Bonaparte
    18 min

Autores, obras e figuras discutidos

Ortega y Gasset · Maquiavel (O Príncipe) · Jean Bodin · Bossuet · Thomas Hobbes · Luís XIV · Karl Marx · Protágoras · Pedro Álvares Cabral · Marshall McLuhan · Martinho Lutero · Max Weber · Henrique VIII · Elizabeth I · Maria I, a Sangrenta · Jaime I · Francis Drake · Carlos I · Oliver Cromwell · Carlos II · Guilherme de Orange · Bill of Rights · John Locke · Montesquieu · Benjamin Franklin · Jorge III · Christopher Dawson · Niall Ferguson · James Watt · Caravaggio · Velázquez · Rousseau · Luís XVI · Robespierre · Napoleão Bonaparte