Músicas, Contos e Lendas de Natal
Canções, lendas e contos de Natal lidos como retrato do modo como cada povo contempla Deus feito criança.
Visão geral
O Natal desperta ternura, aquele olhar de mãe, de pai ou de Deus diante de algo maravilhoso, e nos devolve à infância. Por isso produz tantas canções simples, que qualquer criança canta, e tantas lendas e contos repetidos todo ano. Evandro Faustino aplica aqui o mesmo método do seu curso de História das Mentalidades: tomar essas músicas e histórias populares como documentos do modo como cada povo percebe a festa em que Deus se fez criança.
O percurso começa pelo Menino do Tambor, canção de origem incerta que o professor chama de fruto da cristandade, e pela história de Noite Feliz, composta numa aldeia austríaca na véspera de Natal de 1818, separando o que é documentado do que é lenda. Seguem Tu scendi dalle stelle, de Santo Afonso Maria de Ligório, e duas canções francesas, Minuit, chrétiens e Entre le bœuf et l'âne gris, com as letras comentadas verso a verso: a ternura italiana, de adultos que se fazem crianças, diante da solenidade francesa, de crianças que cantam como adultos.
Depois vêm as histórias: a lenda da misteriosa visitante que deixa no berço do Menino uma maçã mordida, a dos quatro P's, órfãos que planejam roubar a coroa do Menino Jesus e acabam arrependidos, e um breve trecho sobre como se recolhiam os contos populares.
O ponto de chegada é o Brasil, com a leitura comentada de Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, auto de Natal pernambucano em que o nascimento de uma criança no mangue do Recife responde à pergunta do retirante sobre se vale a pena viver. Das canções europeias ao auto nordestino, o professor encontra a mesma convicção: o Natal transforma as pessoas.
O percurso do curso
O método e o Menino do Tambor
Na abertura, Evandro Faustino explica a proposta: como no seu curso de História das Mentalidades, reunir músicas, lendas e contos de Natal para entender como cada povo percebe a data máxima da cristandade, ao lado da Páscoa. O Natal desperta ternura e nos devolve à infância; por isso suas canções parecem ingênuas, mas se prendem à alma. A primeira é o Menino do Tambor, de origem incerta, que o professor prefere chamar de fruto da cristandade: o menino pobre que segue a caravana dos reis magos e, sem ter o que dar, toca seu tambor para o Menino, que lhe sorri.
Três canções, três modos de cantar o Natal
A Aula 1 conta a história de Noite Feliz: em 1818, em Oberndorf, na Áustria, com os foles do órgão furados pelos ratos, o padre Mohr leva um poema seu ao músico Franz Gruber, que o transforma numa melodia simples para violão, cantada naquela mesma Missa do Galo. Vêm depois a lenda de sua difusão, com os quatro irmãos que vendiam luvas de lã, um capitão da guarda e o imperador em busca dos autores, e o comentário das letras em português e alemão, com a “Lapa” que é a gruta de Belém.
Na Aula 2, Tu scendi dalle stelle, de Santo Afonso Maria de Ligório, é comentada verso a verso como exemplo da “soma das idades”: a sabedoria de um grande jurista e moralista unida à inocência de quem vê o Menino tremer de frio e se pergunta quanto lhe custou nos amar. A Aula 3 passa à França: Minuit, chrétiens, quase uma aula de teologia, com a Luz nascida na hora mais escura, o presépio como cátedra de Deus e o escravo reconhecido como irmão; e Entre le bœuf et l’âne gris, em que animais, flores, pastores e os braços de Maria cercam, em ordem ascendente, o Menino adormecido.
Lendas e contos: o Natal que transforma
Depois de um breve fragmento sobre como os coletores românticos recolhiam contos populares (Aula 4), o professor narra com suspense a lenda da velhíssima visitante que deixa no berço uma maçã com duas mordidas e se transfigura: era Santa Eva, sinal da humanidade redimida, acolhida pelo sorriso de Maria, a Nova Eva (Aula 5). Na Aula 6, a história dos quatro P’s, órfãos que planejam roubar a coroa do Menino Jesus e se arrependem ao ver o diretor rezando por eles, aparece ao lado da versão dos marinheiros “K Malvados”: o Natal muda as pessoas.
Um auto de Natal brasileiro
A última aula lê Morte e Vida Severina, que João Cabral de Melo Neto subintitulou Auto de Natal Pernambucano. Severino não consegue dizer quem é, segue o Capibaribe até o rio secar e só encontra morte: o defunto carregado na rede, a rezadeira que vive dos mortos, a cova no latifúndio, os coveiros do Recife. Quando ele pensa em se matar, o nascimento do filho do mestre carpina transforma a paisagem, traz presentes dos pobres e profecias de ciganas e responde, com a própria vida, à sua pergunta: mesmo severina, a vida vale a pena.
O que você vai aprender
- A história de Noite Feliz, composta em Oberndorf, na Áustria, em 1818, e a lenda de como ela chegou ao imperador
- O que significa a “Lapa” de “eis na Lapa Jesus nosso bem” e a antiga tradição brasileira das lapinhas
- A lenda do Menino do Tambor e sua lição: Deus olha o amor com que o presente é dado, não o seu valor
- Como Santo Afonso Maria de Ligório une a sabedoria do adulto e a inocência da criança em Tu scendi dalle stelle
- A pequena aula de teologia de Minuit, chrétiens: a Luz que nasce na hora mais escura, o presépio como cátedra de Deus e o escravo visto como irmão
- A ordem ascendente de Entre le bœuf et l'âne gris, em que todo o universo cerca o Menino adormecido
- A lenda de Santa Eva no presépio e o sentido de Maria como Nova Eva
- A história dos quatro P's e a convicção que atravessa os contos do curso: o Natal transforma as pessoas
- Por que Morte e Vida Severina é um auto de Natal e como seu desfecho afirma que vale a pena viver
- Como ler canções, lendas e contos populares como documentos da mentalidade de um povo
Aula por aula
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Introdução ao curso Apresentação do curso e o Menino do Tambor
Apresentação do curso, que busca a mentalidade dos povos nas músicas e lendas de Natal, ligadas à ternura e à infância, e a lenda do Menino do Tambor: o menino pobre que segue a caravana dos reis magos e oferece ao Menino Jesus a única coisa que tem, uma música no seu tambor.
Rastreia os caminhos incertos da canção, da Tchecoslováquia aos vilancicos espanhóis, e prefere a uma origem documentada a resposta de que ela é fruto da cristandade.
história das mentalidadesternurainfânciaMenino do Tamborreis magos Little Drummer Boy (O Menino do Tambor)17 min -
Aula 1 A história da canção Noite Feliz
História de Noite Feliz (Stille Nacht), composta na véspera de Natal de 1818 em Oberndorf, na Áustria, pelo padre Mohr e pelo músico Franz Gruber depois que ratos furaram os foles do órgão. Segue a lenda de sua difusão até o imperador e o comentário das letras em português e alemão.
Esclarece um verso que muitos cantam sem entender: a “Lapa” de “eis na Lapa Jesus nosso bem” é a gruta de Belém.
Noite FelizÁustriaMissa do GaloFranz Gruberlapinha Noite Feliz (Stille Nacht)Franz GruberJoseph Mohr24 min -
Aula 2 Tu scendi dalle stelle, de Santo Afonso
Tu scendi dalle stelle, canção de Natal de Santo Afonso Maria de Ligório, jurista e moralista que unia a sabedoria do adulto à inocência da criança. A letra italiana, comentada verso a verso, e a versão cantada nas novenas do Nordeste exprimem a ternura diante do Menino que o amor fez pobre.
Um presépio de monges bávaros em Anápolis, com o Menino enrolado numa pele para não sentir frio, mostra o olhar de criança que a canção propõe.
Santo Afonsocanção napolitanasoma das idadesinocência infantilpresépio Santo Afonso Maria de LigórioTu scendi dalle stelle17 min -
Aula 3 Duas canções de Natal da França
Duas canções natalinas francesas: Minuit, chrétiens, lida como pequena aula de teologia sobre a Luz que nasce na hora mais escura, o presépio como cátedra de Deus e o escravo visto como irmão, e Entre le bœuf et l'âne gris, em que todo o universo, em ordem ascendente, cerca o Menino adormecido.
Compara o encanto francês, de crianças que cantam com solenidade de adultos, ao italiano de Santo Afonso, de adultos que se fazem crianças.
canções francesasMinuit, chrétienspresépiodignidade do escravoSão Francisco Minuit, chrétiensEntre le bœuf et l'âne grisSão Francisco de AssisSão Paulo15 min -
Aula 4 Como se coletavam os contos populares
Breve fragmento sobre a coleta de contos populares no romantismo: como as velhas contadoras não queriam contar histórias a homens adultos, os coletores punham crianças diante delas e anotavam escondidos. O trecho não chega a apresentar um conto de Natal.
O professor confessa que certas histórias ele só sabe contar direito com uma criança de oito anos à sua frente.
contos popularesromantismotradição oralcontação de histórias Charles Perrault3 min -
Aula 5 A misteriosa visitante do presépio
Lenda de Natal pouco conhecida: ao fim do dia na gruta, uma mulher velhíssima pede para ver o Menino, deixa no berço uma maçã com duas mordidas e se transfigura. Era Santa Eva, e o gesto simboliza a humanidade redimida pelo nascimento de Jesus, com Maria como a Nova Eva.
Mostra, com humor, um São José desconfiado, de cajado na mão, que só se tranquiliza ao ver Nossa Senhora sorrir para a estranha visitante.
lenda de NatalSanta EvaNova EvaredençãoSão José EvaSão JoséNossa Senhora11 min -
Aula 6 Os quatro P's e a coroa do Menino
História dos quatro P's, órfãos bagunceiros de um colégio de padres no interior do Brasil que, às vésperas do Natal, planejam roubar a coroa do Menino Jesus e acabam arrependidos, contada junto com a versão dos marinheiros da Segunda Guerra, lida como verídica: o Natal transforma as pessoas.
Os meninos amaciavam o diretor austríaco cantando Strauss e Mozart na sala de espera, e o desfecho traz lágrimas que brilham na coroa no lugar das pedras que faltavam.
conto de Natalarrependimentocolégio de padresconversãoNoite Feliz Os K Malvados20 min -
Aula 7 Morte e Vida Severina, auto de Natal pernambucano
Morte e Vida Severina, de João Cabral de Melo Neto, lida como auto de Natal pernambucano: a travessia do retirante Severino, que só encontra morte do sertão ao Recife, até o nascimento do filho do carpinteiro, que responde à sua dúvida sobre se vale a pena viver.
Defende que o famoso trecho da cova no latifúndio, usado em protestos pela reforma agrária, não é a ênfase principal de uma peça que termina afirmando a vida.
auto de NatalJoão Cabralretirantesentido da vidaNatal nordestino João Cabral de Melo NetoMorte e Vida Severina39 min
Autores, obras e figuras discutidos
Little Drummer Boy (O Menino do Tambor) · Noite Feliz (Stille Nacht) · Franz Gruber · Joseph Mohr · Santo Afonso Maria de Ligório · Tu scendi dalle stelle · Minuit, chrétiens · Entre le bœuf et l'âne gris · São Francisco de Assis · São Paulo · Charles Perrault · Eva · São José · Nossa Senhora · Os K Malvados · João Cabral de Melo Neto · Morte e Vida Severina