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Resumo do curso · Literatura e Cultura

Literatura Brasileira e de Língua Portuguesa

De Marília de Dirceu a Dois Irmãos, com Pessoa e Honwana: nove obras em português lidas de perto, três aulas para cada uma.

Com Fabio Ulanin 27 aulas 12 horas de vídeo 27 aulas, três por obra, que alternam exposição do contexto e leitura comentada de trechos lidos em voz alta, de 19 a 35 minutos (cerca de 12 horas no total), mais uma apresentação de 2 minutos.

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Visão geral

O curso percorre nove obras escritas em português, sete delas brasileiras, das liras árcades de Tomás Antônio Gonzaga aos contos do moçambicano Luís Bernardo Honwana. Cada obra recebe três aulas, com o mesmo método: primeiro o contexto histórico, estético e biográfico; depois, a leitura em voz alta de poemas e trechos escolhidos, comentados de perto.

Não é um roteiro de resumos. Fabio Ulanin compara e relaciona: aproxima o humanitismo de Quincas Borba do pessimismo de Schopenhauer, lê a memória de Miguilim em Campo Geral com Santo Agostinho e a cadeia de obediência nos contos de Honwana com a banalidade do mal de Hannah Arendt. E avisa quando uma interpretação é pessoal ou quando usa um conceito só como ferramenta de análise.

Entre um extremo e outro estão Quincas Borba, de Machado de Assis; Mensagem, de Fernando Pessoa; Alguma Poesia, estreia de Carlos Drummond de Andrade; Angústia, de Graciliano Ramos; o Romanceiro da Inconfidência, de Cecília Meireles; Campo Geral, de Guimarães Rosa; e Dois Irmãos, de Milton Hatoum. As obras conversam entre si: Marília de Dirceu reaparece no Romanceiro, Quincas Borba volta na leitura de Angústia, e o engajamento de Graciliano serve de contraponto aos contos de Honwana.

As aulas nasceram como preparação para a FUVEST, mas foram gravadas como uma explicação de cada obra que serve a qualquer leitor, em qualquer época. O curso parte de uma convicção: literatura se aprende lendo, e ler bem pede contexto, comparação e tempo.

O percurso do curso

O curso lê nove obras escritas em português, sete delas brasileiras, três aulas para cada uma. O método se repete: panorama histórico, estético e biográfico; depois, leitura em voz alta de poemas e trechos, comentados com o apoio de outras obras, da filosofia e da história.

Gonzaga e Machado (aulas 1 a 6)

Marília de Dirceu abre o percurso com o arcadismo, resposta ao barroco inspirada no Iluminismo e no bom selvagem de Rousseau, e com a vida de Tomás Antônio Gonzaga, do noivado com Maria Doroteia à prisão e ao degredo. As liras mostram a natureza como modelo do amor, a mitologia como alegoria e, aos poucos, o projeto de casamento, o carpe diem e a passagem do tempo.

Quincas Borba vem em seguida: o realismo como crítica ao espírito romântico, o humanitismo aproximado do darwinismo social e de Schopenhauer, as relações de poder herdadas da escravidão e o jogo calculado de Sofia e Palha, que leva Rubião à ruína e à loucura.

Pessoa e Drummond (aulas 7 a 12)

Mensagem é apresentada a partir dos heterônimos e lida como um único poema em três partes: o Brasão, com os fundadores e D. Sebastião; o Mar Português, cuja chave é o poema do Infante; e O Encoberto, profecia mística que desemboca em “Nevoeiro”. Alguma Poesia situa Drummond na geração de 30, entre a poesia do cotidiano, o anjo torto do “Poema de sete faces”, a ironia contra a poesia oficial e a face política de “Europa, França e Bahia”.

Graciliano e Cecília (aulas 13 a 18)

Angústia parte do debate sobre literatura engajada, com a diferença entre neorrealismo e realismo socialista, e lê o romance pela pessoa transformada em mercadoria, pelo valor de troca e pela hipótese de que tudo seja delírio de Luís da Silva. O Romanceiro da Inconfidência reencontra Gonzaga e Marília: a tradição medieval dos romances, os ecos barrocos e simbolistas, a “Fala inicial”, o “Cenário” em tercetos e a palavra que liberta e condena em “Das palavras aéreas”.

Guimarães Rosa e Hatoum (aulas 19 a 24)

Campo Geral é lido pela oralidade, pela memória segundo Santo Agostinho, pela epígrafe de Plotino e pela relação entre Miguilim e Dito, até a morte do irmão e os óculos que encerram a infância. Dois Irmãos pede outra chave, a obra aberta de Umberto Eco: a rivalidade de Yaqub e Omar, com ecos de Caim e Abel e de Esaú e Jacó, e a casa como mapa da hierarquia social e da decadência de Manaus.

Honwana (aulas 25 a 27)

O curso termina em Moçambique, com os contos de Luís Bernardo Honwana: a hierarquia colonial no conto-título, lida com a banalidade do mal de Hannah Arendt, o micropoder do capataz em “Dina” e as explicações racistas desmontadas em “As mãos dos pretos”. A comparação com Graciliano Ramos mostra outra forma de engajamento, em que ninguém é herói ou vilão por definição.

O que você vai aprender

  • Situar cada obra em seu momento histórico e estético, do arcadismo à literatura contemporânea, e ler um romance recente quando as escolas literárias já não servem de apoio
  • Ler Marília de Dirceu pela idealização da natureza, pela mitologia usada como alegoria, pelo carpe diem e por um lirismo amoroso que caminha para o projeto de casamento
  • Reconhecer a ironia de Machado de Assis e o papel do humanitismo em Quincas Borba, aproximado do darwinismo social e do pessimismo de Schopenhauer
  • Entender os heterônimos de Fernando Pessoa e a estrutura de Mensagem em três partes, com o sebastianismo e o Quinto Império
  • Ler Alguma Poesia pelo gauche drummondiano, pela poesia do cotidiano e pela ironia contra o nacionalismo romântico e a poesia oficial
  • Distinguir neorrealismo, realismo socialista e literatura engajada a partir de Angústia, e ler o romance pela pessoa transformada em mercadoria e pelo delírio do narrador
  • Reconhecer no Romanceiro da Inconfidência a tradição medieval, barroca e simbolista e o tema do poder da palavra, que liberta e condena
  • Analisar Campo Geral pela oralidade, pela memória segundo Santo Agostinho e pelas dualidades entre belo e feio, bem e mal
  • Ler Dois Irmãos como história de rivalidade e decadência familiar, com a casa como mapa da hierarquia social de Manaus
  • Compreender como os contos de Honwana mostram a hierarquia colonial reproduzida no cotidiano, até entre crianças, à luz da banalidade do mal de Hannah Arendt

Aula por aula

  1. Apresentação do curso Nove obras da literatura em português

    Convite para o percurso pelas nove obras, do arcadismo ao pós-modernismo, cada uma estudada em profundidade.

    Pensado para estudantes, mas também para pais que acompanham os filhos e para professores que querem aprofundar a leitura dessas obras.

    literatura brasileiraliteraturas de língua portuguesaleitura comentada
    2 min
  2. Aula 1 Tomás Antônio Gonzaga e a estética árcade

    Vida de Tomás Antônio Gonzaga, do noivado com Maria Doroteia à prisão pela Inconfidência Mineira e ao degredo em Moçambique, percurso que se reflete nas três partes de Marília de Dirceu. O arcadismo surge como resposta ao barroco, inspirado no Iluminismo e no bom selvagem de Rousseau, com a idealização da vida pastoril.

    Explica por que um magistrado de Vila Rica escreve como o pastor Dirceu: o sonho árcade de uma vida simples, em harmonia com a natureza, contra os excessos do barroco.

    arcadismoMarília de DirceuInconfidência MineiraIluminismobom selvagem Tomás Antônio GonzagaMarília de DirceuMaria Doroteia Joaquina de SeixasJean-Jacques Rousseau
    20 min
  3. Aula 2 Política, mitologia e natureza em Marília de Dirceu

    O arcadismo tem também um sentido político, ligado à independência americana e à Revolução Francesa, e troca a religião pela mitologia grega, usada como alegoria. Nas liras de Marília de Dirceu, a amada aparece como natureza encarnada, e o amor, como lei natural a que ninguém escapa.

    Destaca a lira em que Dirceu pergunta se só Marília quer ficar isenta da lei da natureza e compara esse amor árcade à Ilha dos Amores de Camões.

    arcadismomitologianaturezalirismo amorosoRevolução Francesa Tomás Antônio GonzagaMarília de DirceuLuís de CamõesOs Lusíadas
    20 min
  4. Aula 3 Tempo, casamento e prisão em Marília de Dirceu

    Nas liras de Marília de Dirceu, o amor natural se converte em projeto de casamento pequeno-burguês: as liras 14, 18 e 22 tratam da passagem do tempo, do carpe diem e da velhice ao lado da amada. Na segunda parte, escrita na prisão, Dirceu proclama inocência e só teme perder Marília.

    Ouve no “tudo passa” de uma das liras um eco de Heráclito e um prenúncio do romantismo, que o professor liga à dor e à morte, não ao amor eterno.

    carpe diempassagem do tempocasamentoprisão de Dirceupré-romantismo Tomás Antônio GonzagaMarília de DirceuHeráclito
    25 min
  5. Aula 4 Machado, o realismo e Quincas Borba

    Quincas Borba, segundo romance realista de Machado de Assis, é apresentado a partir do realismo como crítica social e ao espírito romântico, com Flaubert, Zola e o determinismo de Taine. Seguem a biografia do autor e o enredo: a ruína de Rubião, explorado pela elite carioca até a loucura.

    Retrata um Machado que tinha tudo para não dar certo, gago, epilético, descendente de escravos alforriados, e pergunta: Quincas Borba é o homem ou o cão?

    realismodeterminismobiografia de Machadoenredo de Quincas Borbaelite carioca Machado de AssisGustave FlaubertÉmile ZolaHippolyte TaineRaymundo Faoro
    30 min
  6. Aula 5 Humanitismo e relações sociais em Quincas Borba

    O humanitismo de Quincas Borba, resumido em “ao vencedor, as batatas”, é aproximado do darwinismo social, de Freud e do pessimismo de Schopenhauer. Nos capítulos iniciais, Rubião oscila entre culpa e sentimento de posse, e o criado espanhol cedido por Palha expõe relações de poder herdadas da escravidão.

    Mostra por que as estatuetas de bronze de Mefistófeles e Fausto na sala de Rubião resumem o pacto que ele faz para ser aceito na sociedade da corte.

    humanitismodarwinismo socialSchopenhauerescravidãorelações de poder Machado de AssisArthur SchopenhauerSigmund FreudO EspelhoMemórias Póstumas de Brás Cubas
    31 min
  7. Aula 6 Sofia, Palha e a sedução em Quincas Borba

    O suposto triângulo entre Rubião, Sofia e Cristiano Palha é lido como jogo calculado: Sofia, mulher realista como Virgília, contrasta com heroínas de temperamento romântico, como Emma Bovary e Luísa. A declaração no jardim, a dívida de Palha e a loucura final de Rubião mostram a sociedade ficando com as batatas.

    Até os nomes contam: Rubião remete ao vermelho da vergonha e da ingenuidade, e Sofia, à sabedoria com que ela usa a própria beleza.

    Sofia e Palhaseduçãopersonagens femininascrítica ao romantismoloucura de Rubião Machado de AssisMadame BovaryHonoré de BalzacMemórias Póstumas de Brás Cubas
    31 min
  8. Aula 7 Fernando Pessoa, os heterônimos e Mensagem

    Fernando Pessoa, da infância na África do Sul aos heterônimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis, com a distinção entre poeta e voz poética e a lenda do dia triunfal. Mensagem aparece como um único poema em três partes, de grafia arcaica e horizonte profético ligado ao Quinto Império.

    Conta como o menino Pessoa mandava pelo correio cartas a dois amigos imaginários, um inglês e um francês, inimigos entre si, e depois respondia por eles.

    heterônimosvoz poéticaestrutura de MensagemQuinto Impériobiografia de Pessoa Fernando PessoaAlberto CaeiroÁlvaro de CamposRicardo ReisRichard Zenith
    21 min
  9. Aula 8 Ulisses, Dom Sebastião e o Infante em Mensagem

    Poemas do Brasão apresentam a Europa com o rosto de Portugal, as figuras fundadoras Ulisses, Viriato e o conde D. Henrique, e D. Sebastião como ruína e origem do sebastianismo. Em Mar Português, o poema “O Infante”, que diz faltar cumprir-se Portugal, é lido como chave de todo o livro.

    Mostra como o verbo sagrou-te, no poema do Infante, junta a ideia de consagração divina e o nome de Sagres, ligado às navegações.

    BrasãoMar Portuguêssebastianismomito fundadornavegações Fernando PessoaUlissesViriatoDom SebastiãoInfante Dom Henrique
    21 min
  10. Aula 9 O Encoberto: profecia e misticismo em Mensagem

    A terceira parte de Mensagem é lida como profecia mística: a rosa e a cruz do Encoberto, o Desejado como Galaaz em busca do Graal e os avisos de Bandarra, de Vieira e do próprio Pessoa, até “Nevoeiro”, que proclama ter chegado a hora de cumprir-se Portugal.

    Termina com uma tese pessoal do professor: Mensagem é um único grande poema, e o império que ela anuncia talvez seja a própria língua portuguesa.

    O EncobertosebastianismomisticismoprofeciaQuinto Império Fernando PessoaGalaazBandarraAntônio VieiraDom Sebastião
    23 min
  11. Aula 10 Drummond, modernismo e a poesia do cotidiano

    Alguma Poesia (1930), estreia de Carlos Drummond de Andrade, é situada na geração de 30, entre a ruptura da Semana de 22 e as crises políticas da época. Poemas como “Cidadezinha qualquer”, “Quadrilha” e “Anedota búlgara” mostram a busca da poesia na linguagem simples do cotidiano.

    Conta a reação de Manuel Bandeira ao soneto que pediu ao jovem Drummond e o dia em que o poeta fugiu com as atas de um congresso comunista.

    Alguma Poesiageração de 30modernismocotidianometalinguagem Carlos Drummond de AndradeManuel BandeiraJoão Cabral de Melo NetoEzra Pound
    23 min
  12. Aula 11 Drummond gauche e a crítica à poesia oficial

    O “Poema de sete faces” é lido como guia do livro: o anjo torto que manda o poeta ser gauche, o simbolismo do número sete e a angústia de não se ajustar ao mundo. “Também já fui brasileiro” e “Política literária” ironizam o nacionalismo romântico e a poesia oficial parnasiana.

    Traz a anedota de Lima Barreto zombando da retórica pomposa de Coelho Neto num discurso no Fluminense, retrato do estilo que o modernismo rejeitou.

    Poema de sete facesgauchenacionalismoparnasianismopoema-piada Carlos Drummond de AndradeJosé de AlencarLima BarretoCoelho Neto
    23 min
  13. Aula 12 Política e identidade em Europa, França e Bahia

    Em versos quase taquigráficos, “Europa, França e Bahia” passa pelo império britânico, pela guerra anunciada, pelo fascismo e pela Rússia bolchevique até a voz poética perceber que esqueceu a “Canção do exílio”. “Sentimental”, poema sobre um país onde sonhar é proibido, completa a face política de Drummond.

    Lê o poema como alerta sobre a antropofagia modernista: de tanto devorar França, Inglaterra e Rússia, o brasileiro esqueceu o próprio sabiá.

    poesia engajadaidentidade nacionalantropofagiaCanção do exílioera Vargas Carlos Drummond de AndradeGonçalves DiasBenito Mussolini
    22 min
  14. Aula 13 Graciliano Ramos, engajamento e o delírio de Angústia

    Graciliano Ramos, neorrealista e comunista, faz a ideologia sustentar a narrativa sem virar propaganda, ao contrário da trilogia engajada de Jorge Amado. Angústia (1936) é resumido como triângulo entre Luís da Silva, Marina e Julião Tavares, talvez delírio do narrador, cuja moral pequeno-burguesa aparece já nas primeiras páginas.

    Conta como Lenin e Trotsky, leitores de Goethe e Shakespeare, resistiram a impor uma estética oficial, e explica por que o professor desconfia de rótulos literários.

    neorrealismoliteratura engajadarealismo socialistapequena burguesiaenredo de Angústia Graciliano RamosJorge AmadoLeninTrotskyMassaud Moisés
    29 min
  15. Aula 14 Angústia e a pessoa transformada em mercadoria

    A cena da livraria, em que Luís da Silva vê pessoas exibindo títulos e preços, revela a pessoa feita mercadoria, lida à luz de Walter Benjamin e da “Teoria do medalhão”, de Machado. Seguem o delírio contra Julião Tavares, o contraste social visto do bonde e a atração reprimida por Marina.

    Usa o dândi parisiense que passeava com uma lagosta na coleira e o visual punk vendido em shopping para mostrar como o capitalismo converte tudo em produto.

    mercadoriacapitalismodândi e flâneurcontraste socialLuís da Silva Graciliano RamosWalter BenjaminCharles BaudelaireTeoria do MedalhãoEdgar Allan Poe
    30 min
  16. Aula 15 Valor de troca, vingança e delírio em Angústia

    Os conceitos marxistas de valor de uso e valor de troca explicam como Julião Tavares compra e descarta Marina. A fantasia de execução pós-revolucionária e o enforcamento na bruma sustentam a hipótese de que o romance inteiro seja delírio de Luís da Silva, lida à luz da sombra de Jung.

    Para explicar o valor de troca, conta o caso de uma primeira edição de Machado de Assis com erro tipográfico que o autor corrigiu à mão em parte dos exemplares.

    valor de trocadelírionarrador não confiávelsombra junguianaliteratura engajada Graciliano RamosKarl MarxCarl Gustav JungMassaud MoisésMachado de Assis
    28 min
  17. Aula 16 Romanceiro da Inconfidência: tradição, simbolismo e forma

    O Romanceiro da Inconfidência (1953) é situado no neossimbolismo ligado à revista Festa e lido como obra que fala do próprio tempo. Romances de forma medieval, redondilhas, paradoxos barrocos e sinestesias somam séculos de tradição em dois ciclos: o do ouro e de Tiradentes, e o de Gonzaga e Marília.

    Cita a provocação de Ruy Castro de que o Rio de Janeiro dispensou uma Semana de 22 porque já era moderno, ao contrário da provinciana São Paulo.

    neossimbolismorevista Festaromance medievalsinestesiaInconfidência Mineira Cecília MeirelesTomás Antônio GonzagaTiradentesRuy CastroAristóteles
    19 min
  18. Aula 17 Fala inicial, Cenário e o poder das palavras

    A “Fala inicial” constrói com sons e imagens de morte o labirinto da Inconfidência e pergunta quem julga e quem é culpado. “Cenário”, em tercetos à maneira de Dante, nasce da viagem de Cecília a Ouro Preto, e o “Romance LIII ou Das palavras aéreas” mostra a palavra que cria e destrói.

    Compara o poeta ao historiador: chamar de sinistro o 21 de abril já é um julgamento que nenhum relato histórico frio faria.

    musicalidadeterza rimapalavra poéticaTiradentespoesia e história Cecília MeirelesDante AlighieriTiradentesAristóteles
    22 min
  19. Aula 18 Das palavras aéreas à inconformada Marília

    “Das palavras aéreas” mostra a palavra que liberta e resiste à censura, mas também condena, exila e ergue a forca de Tiradentes. “Da inconformada Marília” dá voz à noiva abandonada, e o Romanceiro é lido como reflexo das tensões e esperanças do Brasil dos anos 1950.

    Lembra que Gonzaga se casou em Moçambique, o que dá peso ao refrão em que Marília só admite ser esquecida se o noivo tiver perdido o juízo.

    palavra poéticacensuraTiradentesMaríliaanos 1950 Cecília MeirelesTomás Antônio GonzagaTiradentesGetúlio Vargas
    25 min
  20. Aula 19 Campo Geral: Miguilim, o Mutum e as dualidades

    Campo Geral, novela de Corpo de Baile, é apresentada pela linguagem oral que mistura o erudito e o sertanejo e pelo enredo: Miguilim, o bilhete do tio Terêz, a morte de Dito, a miopia descoberta. A abertura revela um narrador distante, um tempo posterior à escravidão e dualidades como belo e feio.

    Sugere ler Guimarães Rosa em voz alta, como quem ouve causos ao redor da fogueira, porque a leitura silenciosa perde o ritmo e a graça da história.

    oralidadeMiguilimCorpo de Bailedualidadesnarrador Guimarães RosaCorpo de BaileGrande Sertão: VeredasRiobaldo
    29 min
  21. Aula 20 Santo Agostinho e a memória em Campo Geral

    As lembranças esgarçadas de Miguilim são lidas pelos quatro níveis de memória de Santo Agostinho, dos sentidos à consciência de si, até os óculos revelarem que o Mutum era bonito. A epígrafe de Plotino e a hipótese de que o narrador seja o médico, uma espécie de proto-Guimarães Rosa, completam a leitura.

    Ilustra a memória agostiniana com uma lembrança do próprio professor: a última noite na casa antiga, vendo TV com o pai sobre um cobertor azul.

    memóriaSanto AgostinhoPlotinonarradoróculos de Miguilim Guimarães RosaSanto AgostinhoPlotinoJorge Luis Borges
    32 min
  22. Aula 21 Infância, morte e fé em Campo Geral

    A relação entre Miguilim e o irmão Dito guia a leitura de cenas de mentira, castigo, medo da morte e fé popular, como as rezas na tempestade e a simpatia do osso de galinha. A definição de bem e mal dada por Dito e os óculos selam a perda da inocência.

    Quando Miguilim inventa que os presentes caíram num córrego com jacaré, Dito diz que prefere a história com jacaré: de novo, a tensão entre literatura e realidade.

    infânciamorte de Ditoreligiosidade popularbem e malperda da inocência Guimarães RosaSão JerônimoSanta Bárbara
    34 min
  23. Aula 22 Dois Irmãos: intertexto, família e história do Brasil

    Sem o apoio das escolas literárias, a leitura de Dois Irmãos se orienta pela obra aberta e pelos limites da interpretação de Umberto Eco. A rivalidade de Yaqub e Omar ecoa Caim e Abel e Esaú e Jacó, e a decadência da família libanesa em Manaus pode espelhar a do Brasil.

    Explica como a compra da órfã Domingas a uma madre superiora, em pleno século XX, remete à tradição brasileira dos agregados e da família estendida.

    obra abertaintertextualidadeimigração libanesaagregadosManaus Milton HatoumUmberto EcoCaim e AbelEsaú e JacóHannah Arendt
    29 min
  24. Aula 23 Yaqub e Omar: retorno, rivalidade e a cicatriz

    A volta de Yaqub do Líbano, em 1945, rústico e sem falar português, contrasta com o audacioso Omar, preferido de Zana. Da infância à disputa por Lívia, a rivalidade leva à garrafada que deixa em Yaqub uma cicatriz, eco da marca de Caim, e à vingança depois do golpe de 1964.

    Mostra como um gesto mínimo, Lívia alisando um selo raro entre os gêmeos, basta para acender o ciúme de Omar e selar a rivalidade.

    rivalidadeciúmemarca de CaimZanaManaus Milton HatoumCaim e AbelEsaú e Jacó
    31 min
  25. Aula 24 A geografia da casa em Dois Irmãos

    A distribuição dos espaços da casa espelha a hierarquia social: quartos iguais para os gêmeos, um aposento à parte para Rânia e o quintal para Domingas e Nael, que raramente se senta à mesa. A modernização de Manaus, com a Zona Franca, arrasta a família e a cultura local para a ruína.

    Mostra como, na casa dos Reinoso, os macacos enjaulados parecem valer mais que as empregadas caboclas, que os patrões nem se dão ao trabalho de educar.

    hierarquia socialagregadosespaço da casaZona Francaidentidade cultural Milton HatoumAmar, Verbo Intransitivo
    35 min
  26. Aula 25 Honwana, o Cão-Tinhoso e a hierarquia colonial

    Nós Matamos o Cão-Tinhoso (1964), de Luís Bernardo Honwana, militante da Frelimo, reúne contos de testemunho que buscam descolonizar mentes sem cair no panfleto. No conto-título, a morte do cão sarnento e os cargos grafados com maiúscula revelam a hierarquia entre colonizadores, “não pretos” e pretos.

    Contrasta Honwana com Graciliano Ramos: em Angústia o marxismo estrutura o romance, enquanto nos contos moçambicanos ninguém é herói ou vilão por definição.

    literatura moçambicanacolonialismodescolonizaçãoliteratura engajadahierarquia colonial Luís Bernardo HonwanaGraciliano RamosAntónio Lobo AntunesHistória Geral da África
    29 min
  27. Aula 26 O Cão-Tinhoso e a banalidade do mal

    A marcha das crianças no conto-título reproduz a hierarquia colonial: a vontade do administrador vira ordem do veterinário, que Quim impõe ao narrador, e os meninos negros são enxotados com insultos. Essa cadeia de obediência é lida à luz da banalidade do mal de Hannah Arendt.

    Um detalhe diz muito: o narrador não sabe se deve se levantar cada vez que a professora passa atrás dele no intervalo, retrato da obediência subserviente.

    colonialismoobediênciabanalidade do malracismohierarquia Luís Bernardo HonwanaHannah ArendtAdolf EichmannRaymundo Faoro
    30 min
  28. Aula 27 Micropoder e linguagem nos contos de Honwana

    Em “Dina”, o capataz branco retarda o almoço dos trabalhadores, se aproveita da filha do velho Madala e, bêbado, os rebaixa de rapazes a cachorros: é o micropoder colonial. “As mãos dos pretos” reúne explicações racistas para as palmas claras, desmontadas pela mãe do narrador.

    Mostra como uma mesma frase, sobre a impossibilidade de trabalhar de joelhos, passa do murmúrio submisso ao sibilo de raiva na boca de Madala.

    micropoderlinguagem e poderracismocolonização mentalliteratura moçambicana Luís Bernardo HonwanaHannah ArendtMacunaíma
    34 min

Autores, obras e figuras discutidos

Tomás Antônio Gonzaga · Marília de Dirceu · Maria Doroteia Joaquina de Seixas · Jean-Jacques Rousseau · Luís de Camões · Os Lusíadas · Heráclito · Machado de Assis · Gustave Flaubert · Émile Zola · Hippolyte Taine · Raymundo Faoro · Arthur Schopenhauer · Sigmund Freud · O Espelho · Memórias Póstumas de Brás Cubas · Madame Bovary · Honoré de Balzac · Fernando Pessoa · Alberto Caeiro · Álvaro de Campos · Ricardo Reis · Richard Zenith · Ulisses · Viriato · Dom Sebastião · Infante Dom Henrique · Galaaz · Bandarra · Antônio Vieira · Carlos Drummond de Andrade · Manuel Bandeira · João Cabral de Melo Neto · Ezra Pound · José de Alencar · Lima Barreto · Coelho Neto · Gonçalves Dias · Benito Mussolini · Graciliano Ramos · Jorge Amado · Lenin · Trotsky · Massaud Moisés · Walter Benjamin · Charles Baudelaire · Teoria do Medalhão · Edgar Allan Poe · Karl Marx · Carl Gustav Jung · Cecília Meireles · Tiradentes · Ruy Castro · Aristóteles · Dante Alighieri · Getúlio Vargas · Guimarães Rosa · Corpo de Baile · Grande Sertão: Veredas · Riobaldo · Santo Agostinho · Plotino · Jorge Luis Borges · São Jerônimo · Santa Bárbara · Milton Hatoum · Umberto Eco · Caim e Abel · Esaú e Jacó · Hannah Arendt · Amar, Verbo Intransitivo · Luís Bernardo Honwana · António Lobo Antunes · História Geral da África · Adolf Eichmann · Macunaíma