Era Napoleônica
Napoleão do Consulado aos Cem Dias: o carisma, o Estado forte e as guerras que redesenharam a Europa.
Visão geral
Napoleão divide os franceses até hoje, entre paixões contra e a favor. Guilherme Almeida o apresenta como figura de passagem: filho das revoluções burguesas, ele fecha o século XVIII e abre o XIX. O curso parte da Córsega e da escola militar de Brienne e mostra como, desde a ponte de Arcole, o jovem general se tornou um líder a quem os soldados eram mais fiéis do que à própria República. No caos do Diretório, o 18 Brumário o leva ao Consulado, e a dominação carismática de Max Weber ajuda a entender um apelo que atravessava todas as camadas sociais.
A segunda aula acompanha o Consulado como a construção de um Estado forte: o Código Civil, que favorece a propriedade e a burguesia; a concordata, que reaproxima a Igreja, mas a submete ao Estado; o Banco da França, os liceus, o investimento no exército, na marinha e nas ciências; a Paz de Amiens com a Inglaterra. O professor destaca a habilidade de Napoleão para falar a todos os grupos sociais e cercar-se de articuladores como Talleyrand e Fouché, e mostra o caminho até o Império e a escolha do título de imperador, e não de rei.
A última aula vai do apogeu à queda. A autocoroação em Notre-Dame, lida no grande quadro de Jacques-Louis David, põe o poder temporal acima do espiritual. Vêm Austerlitz e Iena e o impasse com a Inglaterra, senhora dos mares: o bloqueio continental leva à invasão de Portugal, que traz a família real ao Brasil, e à desastrosa campanha da Rússia. O percurso termina com a abdicação, Elba, os Cem Dias, Waterloo, lida com a ajuda de Stefan Zweig, o exílio em Santa Helena e o Congresso de Viena.
O percurso do curso
Da Córsega ao Consulado (Apresentação e Aula 1)
O curso apresenta Napoleão como figura de passagem entre a época moderna e a contemporânea, admirado e odiado até hoje pelos franceses. A primeira aula começa pelo nascimento na Córsega, adquirida pela França pouco antes, e pela formação rigorosa na escola militar de Brienne, dirigida por religiosos. Republicano nos anos da Revolução, Napoleão ganha projeção sob o Diretório: em Arcole, em 1796, toma o estandarte caído e conduz a tropa, gesto que, segundo seu biógrafo Max Gallo, marca o nascimento da figura do grande líder.
Os soldados passam a ser fiéis a ele mais do que à República, e o povo, cansado do caos do Diretório, com fome, inflação e conspirações, vê nele uma figura de ordem. Em novembro de 1799, o golpe do 18 Brumário cria o Consulado. O professor recorre à dominação carismática de Max Weber para explicar um apelo que ia dos sans-culottes à nobreza e fecha a aula com a Paz de Amiens e as primeiras reformas: bibliotecas, liceus e a organização das leis.
O Consulado e o Estado forte (Aula 2)
Entre 1799 e 1804, Napoleão fortalece o Estado, a ponto de o professor evocar, com cautela contra o anacronismo, a fórmula de Mussolini: tudo pelo Estado, nada fora do Estado, nada contra o Estado. O Código Civil favorece a propriedade e a burguesia; o loteamento de terras atrai camponeses, inclusive de regiões massacradas pelos jacobinos, como a Vendeia; a concordata devolve à Igreja a liberdade de culto, mas a submete ao Estado. Vêm ainda o Banco da França e o investimento no exército, na marinha e nas ciências exatas.
Napoleão sabe falar a todos os grupos sociais e delegar poder; a seu lado estão Fouché e Talleyrand, articuladores que atravessam regimes. O uso político de um atentado, o fechamento de jornais e o plebiscito de 1804 abrem caminho ao Império. O professor explica por que Napoleão se fez imperador, e não rei, e comenta o papel de Jacques-Louis David, antes pintor da Revolução, na construção da imagem do novo regime.
Apogeu e queda (Aula 3)
A autocoroação em Notre-Dame, analisada no quadro de David, mostra o poder temporal acima do espiritual: o papa assiste de longe, e até a mãe de Napoleão, ausente da cerimônia, aparece pintada. Outro retrato, com um relógio que marca pouco mais de quatro da manhã, cultiva a imagem do governante incansável. Seguem as vitórias de Austerlitz e Iena, parentes e aliados à frente dos territórios conquistados, o casamento com Maria Luísa da Áustria e o nascimento do rei de Roma.
A Inglaterra, dona dos mares desde as vitórias de Nelson, é o obstáculo que Napoleão não consegue vencer. O bloqueio continental proíbe o comércio com ela; Portugal o rompe, é invadido, e a família real parte para o Brasil. A Rússia também o rompe, e a invasão fracassa diante da terra arrasada e do incêndio de Moscou: de cerca de 600 mil homens, voltam 30 mil, segundo o curso.
Vêm então a abdicação, o exílio em Elba, a fuga e os Cem Dias, até Waterloo, onde, na leitura de Stefan Zweig, a obediência cega do marechal Grouchy decide a derrota. Napoleão morre em Santa Helena em 1821. O curso termina com o Congresso de Viena, o túmulo nos Inválidos e a indicação da biografia de Max Gallo e da minissérie Napoléon.
O que você vai aprender
- As três fases do governo napoleônico (Consulado, Império e Cem Dias) e o que marca cada uma.
- Como a ascensão de Napoleão, de Arcole ao 18 Brumário, se explica pelo carisma, à luz da dominação carismática de Max Weber.
- Como o Consulado construiu um Estado forte: Código Civil, concordata com a Igreja, Banco da França, liceus, exército e marinha.
- O papel de articuladores como Talleyrand e Fouché e o caminho do Consulado ao Império, até o plebiscito de 1804.
- Por que Napoleão se fez imperador, e não rei, e o que simboliza a autocoroação em Notre-Dame.
- Como ler o quadro da coroação de Jacques-Louis David e outros retratos como peças de propaganda política.
- O que foi o bloqueio continental e como ele levou a família real portuguesa ao Brasil.
- Por que a campanha da Rússia, diante da tática de terra arrasada, marcou o início do fim.
- Como se deu a queda: abdicação, Elba, Cem Dias, Waterloo, Santa Helena e Congresso de Viena.
Aula por aula
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Apresentação do curso Napoleão entre a era moderna e a contemporânea
Apresentação do curso, que divide o período napoleônico em Consulado, Império e Cem Dias e mostra Napoleão como governante quase absoluto, capaz de dialogar ao mesmo tempo com Igreja, nobreza, burguesia e povo.
A derrota de Napoleão e o Congresso de Viena, sugere o professor, inauguraram de certo modo o direito internacional e as organizações entre nações.
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Aula 1 A ascensão de Napoleão até o Consulado
Da Córsega e da escola militar de Brienne à ponte de Arcole, onde nasce sua lenda, Napoleão conquista soldados mais fiéis a ele que à República. No caos do Diretório, o 18 Brumário cria o Consulado; a dominação carismática de Weber explica seu apelo, reforçado pela Paz de Amiens e por reformas internas.
Um general que desce do cavalo, ergue o estandarte caído e avança à frente da tropa: a cena de Arcole explica a devoção dos soldados a Napoleão.
Napoleão BonaparteDiretório18 BrumárioConsuladoliderança carismática Napoleão BonaparteMax GalloMax Weber17 min -
Aula 2 O Consulado e a construção do Estado napoleônico
No Consulado (1799-1804), Napoleão fortalece o Estado com o Código Civil, a concordata com a Igreja, o Banco da França e o investimento militar e científico. Cercado de articuladores como Talleyrand e Fouché, explora politicamente um atentado, fecha jornais e chega, pelo plebiscito de 1804, ao título de imperador.
Por que imperador, e não rei? Sem sangue real, explica o professor, Napoleão só podia receber do povo o título imperial, enquanto a realeza supõe dinastia.
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Aula 3 Apogeu e queda do Império napoleônico
A autocoroação, analisada no quadro de David, simboliza o poder temporal acima do espiritual. O Império se expande em Austerlitz e Iena, mas esbarra na Inglaterra: o bloqueio continental leva à invasão de Portugal e à campanha da Rússia, seguidas da abdicação, de Elba, dos Cem Dias, de Waterloo e de Santa Helena.
Stefan Zweig ajuda a ler Waterloo: a derrota teria dependido da obediência cega do marechal Grouchy, que preferiu cumprir ordens a marchar contra os prussianos.
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Autores, obras e figuras discutidos
Napoleão Bonaparte · Max Gallo · Max Weber · Talleyrand · Joseph Fouché · Jacques-Louis David · Stefan Zweig · Metternich