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Resumo do curso · História e Política

Alta Idade Média

Uma visão de conjunto da Alta Idade Média: nobreza e vassalagem, a vida no feudo e o nascimento da burguesia.

Com Guilherme Almeida 4 aulas 45 min de vídeo 4 aulas expositivas de 10 a 12 minutos (cerca de 45 minutos no total): uma visão panorâmica da Alta Idade Média, pensada como primeira parte do estudo do período medieval, com comparações com o presente.

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Visão geral

A Idade Média costuma ser confundida com o feudalismo, e o servo, com o escravo. O curso começa desfazendo essas confusões: a Idade Média é um marco cronológico, de 476 a 1453; o feudalismo é uma forma de organização social, nascida da fusão das instituições germânicas com as romanas, que marcou boa parte da Europa, mas não todo o mundo medieval, e sobreviveu em alguns lugares ao fim do período. Sobre tudo isso se estende o manto da cristandade, e a Igreja Católica é a grande instituição da época.

Guilherme Almeida percorre então a estrutura da Alta Idade Média, entre cerca de 500 e 1100: o êxodo urbano provocado pelas invasões bárbaras, a terra como base da riqueza e do poder, a hierarquia nobiliárquica e os laços de suserania e vassalagem, que deixavam o rei com poder limitado. Dentro do feudo, o manso senhorial e o manso servil, os servos presos à terra e suas obrigações, como a talha, a corveia e as banalidades, e uma economia fechada, com o Mediterrâneo em mãos bizantinas e islâmicas.

O percurso termina na virada que abre a Baixa Idade Média: o arado puxado por animais gera excedentes, os excedentes vão às feiras dos burgos, e dos intermediários dessas trocas nasce a burguesia, camada social que ganhará cada vez mais força. Pelo caminho aparecem as três ordens da sociedade medieval, as iluminuras, as igrejas românicas e comparações com o presente, como as nossas feiras de bairro.

O percurso do curso

Idade Média não é sinônimo de feudalismo (aula 1)

O curso começa quebrando “cláusulas pétreas”. A Idade Média é um marco cronológico, de 476, fim do Império Romano do Ocidente, a 1453, tomada de Constantinopla pelos otomanos. O feudalismo é outra coisa: uma organização social, econômica, política e cultural nascida da fusão das instituições germânicas com as romanas, que não existiu em toda parte e, em alguns lugares, sobreviveu ao período; o professor cita a Rússia até 1917. Tudo se dá sob o manto da cristandade. A Alta Idade Média vai de cerca de 500 a 1100, e Henri Pirenne, em Maomé e Carlos Magno, propõe outro começo: a expansão islâmica.

Nobreza, vassalagem e descentralização (aula 2)

As invasões bárbaras provocam êxodo urbano e ruralização, e a terra passa a ser a base da riqueza e do poder. A organização nobiliárquica, que o curso remonta a Carlos Magno, gradua os nobres pela extensão de seus domínios, do principado ao baronato, e os une por laços de suserania e vassalagem, relações entre nobres e não entre nobre e servo. Cada senhor governa suas terras com grande autonomia, e o rei tem poder limitado, como mostra a Magna Carta imposta a João Sem Terra pelos barões ingleses. Enquanto isso, os impérios Bizantino e Islâmico florescem, mas não são feudais.

O feudo por dentro (aula 3)

O feudo é uma área murada, com castelo, igreja e moradias, cercada por terras agrícolas: o manso senhorial, cuja produção é do senhor, e o manso servil, entregue aos cuidados dos servos. O servo está preso à terra, mas não é escravo, e deve ao senhor a talha, a corveia, as banalidades e a mão morta. A economia é de subsistência e o comércio se retrai: o Mediterrâneo está nas mãos de bizantinos e islâmicos, não há excedentes e as estradas são inseguras. Ainda assim, a vida tinha cor nas roupas tingidas, e a Igreja erguia suas pesadas construções românicas.

Do arado à burguesia (aula 4)

A sociedade se divide em três ordens, os que oram, os que guerreiam e os que trabalham, retratadas sobretudo em iluminuras, numa época de pouca escrita; o livro de horas do Duque de Berry, já da Baixa Idade Média, mostra mês a mês o cotidiano do campo. A virada vem com o arado puxado por animais: mais terras cultivadas, mais alimento, mais gente e, com os excedentes, as feiras nos burgos, parecidas com as nossas feiras de bairro; no norte, as trocas darão origem à Liga Hanseática. Dos intermediários dessas trocas nasce a burguesia, que marca a passagem à Baixa Idade Média.

O que você vai aprender

  • Distinguir a Idade Média, marco cronológico, do feudalismo, forma de organização social.
  • Entender o feudalismo como fusão de instituições germânicas e romanas, sob o manto da cristandade.
  • Situar a Alta Idade Média, entre cerca de 500 e 1100, e conhecer outras periodizações, como a de Henri Pirenne.
  • Reconhecer a hierarquia nobiliárquica, de príncipes a barões, e sua relação com a extensão de terras.
  • Diferenciar os laços de suserania e vassalagem, entre nobres, do laço de servidão, entre nobre e servo.
  • Compreender por que o poder era descentralizado e o rei, limitado pelos nobres.
  • Descrever o feudo por dentro: manso senhorial e manso servil, e obrigações como talha, corveia, banalidades e mão morta.
  • Explicar a retração do comércio: Mediterrâneo sob bizantinos e islâmicos, falta de excedentes e estradas inseguras.
  • Conhecer as três ordens da sociedade medieval: os que oram, os que guerreiam e os que trabalham.
  • Acompanhar como o arado puxado por animais gerou excedentes, feiras e o surgimento da burguesia.

Aula por aula

  1. Aula 1 Idade Média e feudalismo: conceitos e periodização

    A Idade Média é um marco cronológico, de 476 a 1453, e não sinônimo de feudalismo, organização nascida da fusão de instituições germânicas e romanas. Sob o manto da cristandade, forja-se a civilização ocidental; na Alta Idade Média, de cerca de 500 a 1100, forma-se o feudalismo.

    Quebra “cláusulas pétreas” com exemplos como a Rússia, tratada como Estado feudal até 1917, e a tese de Pirenne de que a Idade Média começa com a invasão islâmica.

    Idade Médiafeudalismocristandadeperiodizaçãohistoriografia medieval Henri PirenneMaomé e Carlos Magno
    10 min
  2. Aula 2 Nobreza, vassalagem e descentralização no feudalismo

    Invasões bárbaras e êxodo urbano fazem da terra a base da riqueza e do poder. A hierarquia nobiliárquica, de príncipes a barões, mede-se pelas terras, e os laços de suserania e vassalagem, entre nobres, sustentam um poder descentralizado; Bizâncio e o islã, contemporâneos, não são feudais.

    Explica por que Mônaco é principado e não reino e por que a Magna Carta imposta a João Sem Terra mostra a força dos barões diante do rei.

    êxodo urbanonobreza feudalsuserania e vassalagemdescentralização políticaMagna Carta Carlos MagnoJoão Sem TerraMagna CartaCarlos Martel
    12 min
  3. Aula 3 O feudo por dentro: servos, obrigações e cotidiano

    O feudo murado divide-se em manso senhorial e manso servil; o servo, preso à terra mas não escravo, deve talha, corveia, banalidades e mão morta. Sem excedentes e com o Mediterrâneo em mãos bizantinas e islâmicas, o comércio se retrai e a vida se fecha no feudo.

    Mostra que a vida pacata do feudo tinha cor: segundo alguns historiadores, as pessoas vestiam tons exuberantes, tingidos com pigmentos naturais e até urina.

    feudoservidãoobrigações servisretração comercialarte românica
    11 min
  4. Aula 4 Do arado às feiras: o nascimento da burguesia

    A sociedade medieval divide-se em três ordens, os que oram, guerreiam e trabalham, retratadas mais em iluminuras que em textos. O arado de tração animal gera excedentes e feiras nos burgos, e dos intermediários dessas trocas nasce a burguesia, marcando a passagem à Baixa Idade Média.

    Compara as feiras medievais às feiras de bairro de hoje e indica o Livro de Horas do Duque de Berry para ver, mês a mês, o cotidiano de um feudo.

    três ordensiluminurasnovo aradofeiras medievaisburguesia Livro de Horas do Duque de Berry
    12 min

Autores, obras e figuras discutidos

Henri Pirenne · Maomé e Carlos Magno · João Sem Terra · Magna Carta · Carlos Martel · Livro de Horas do Duque de Berry